30% de desconto

As Malditas

de Camila Sosa Villada
Editor: BCF Editores, agosto de 2022 ‧
17,50€
12,25€
30% DESCONTO IMEDIATO
EM STOCK -
portes grátis
A atitude inabalável, revolucionária, exemplar, desta irmandade de travestis malvistas, mal-amadas, maltratadas, mal pagas, mal avaliadas, mal-afamadas foi a origem deste livro, e é essa a alquimia que percorre as suas páginas: a transformação da vergonha, do medo, da intolerância, do desprezo e da incompreensão em prosa de qualidade.

Porque As Malditas é um relato de infância e um ritual de iniciação, um conto de fadas e de terror, um retrato de grupo, um manifesto político, uma recordação explosiva, uma visita guiada à imaginação fulgurante da sua autora e uma crónica única que vem polinizar a literatura.

No seu ADN convergem as duas facetas do mundo trans que mais repelem e assustam a boa sociedade: a fúria travesti e a festa de ser travesti. E na sua voz literária convergem as três partes da Santíssima trindade de Camila: a parte Marguerite Duras, a parte Wislawa Szymborska e a parte Carson McCullers.
Virginie Despentes 640.jpg

Nas Palavras Delas

Ler algumas escritoras é perceber que a literatura pode ser íntima e política ao mesmo tempo, delicada e feroz, profundamente humana e ainda assim inquietante. Alba de Céspedes, Virginie Despentes, Camila Sosa Villada e Natalia Ginzburg inspiram-me por razões diferentes, mas há algo que as une: a coragem de olhar para a experiência das mulheres, e para as margens da sociedade, sem enfeites, sem concessões e sem medo. Nas Palavras Dela, de Alba de Céspedes Em Nas Palavras Dela, Alba de Céspedes dá-nos uma escrita profundamente atenta à interioridade feminina, às contradições do amor, do casamento, da família e da liberdade. É um romance que mergulha no modo como tantas mulheres foram ensinadas a viver em função dos outros, mesmo quando dentro de si cresce um desejo de rutura, de autonomia e de verdade. O que mais me inspira nesta obra é precisamente a capacidade de nomear o que tantas vezes fica oculto, como os silêncios, as renúncias ou os conflitos íntimos. Alba de Céspedes escreve mulheres com lucidez, sem simplificações, e lembra-me sempre que a literatura pode ser um lugar de consciência e de insubmissão.
A infância de Alessandra, em Roma, é marcada pela lenda dolorosa da mãe, Eleonora, mulher prodigiosa que sonhava ser uma pianista célebre, mas cuja sensibilidade artística acaba esmagada pela estreiteza da vida doméstica, pelas convenções familiares e por uma ordem social que confunde sacrifício com virtude. A história de Alessandra nasce, assim, sob o signo dessa figura materna simultaneamente luminosa e ferida. Uma mulher que encarna tudo aquilo que poderia ter sido e que não lhe foi permitido ser. Ao acompanhar o crescimento da protagonista, o romance torna-se também uma educação sentimental e política, na qual a intimidade da casa e as frustrações revelam a violência discreta de um mundo construído contra a liberdade feminina. COMPRO NA WOOK! » Teoria King Kong, de Virginie Despentes Teoria King Kong, de Virginie Despentes, inspira-me de uma maneira diferente. É um livro que entra sem pedir licença e que desmonta discursos confortáveis sobre violação, prostituição, pornografia, feminilidade e poder. Despentes escreve com fúria, frontalidade e inteligência, recusando a ideia de que uma mulher tem de ser dócil para ser escutada. Gosto particularmente deste ensaio porque não procura agradar nem suavizar o desconforto e obriga-nos, isso sim, a repensar tudo aquilo que a sociedade prefere manter bem arrumado.
A força do livro vem também do seu cunho assumidamente pessoal, autobiográfico e violento. Despentes não escreve a partir de uma abstração teórica, mas a partir do próprio corpo, da própria experiência e das suas zonas mais expostas. Fala da violação que sofreu, da passagem pela prostituição, da relação com o cinema pornográfico, da vergonha, da raiva, do medo e da forma como a sociedade organiza a culpa para a devolver quase sempre às mulheres. O que torna Teoria King Kong tão perturbador é precisamente essa recusa em transformar a ferida em ornamento literário ou em confissão domesticada. Despentes converte a experiência brutal em pensamento crítico, fazendo da autobiografia uma arma contra a moral burguesa, contra a vitimização higienizada e contra todas as formas de obediência impostas ao feminino. COMPRO NA WOOK! » As Malditas, de Camila Sosa Villada Em As Malditas, de Camila Sosa Villada, encontro uma escrita que é brutal e luminosa. O livro cruza memória, violência, sobrevivência e imaginação, dando corpo a vidas que tantas vezes foram empurradas para a margem. O que me inspira aqui é a forma como a autora transforma dor e exclusão em literatura viva, feroz e bela. Há neste livro uma força quase mítica, mas também uma humanidade devastadora, que faz com que cada página pareça um gesto de resistência.
No seu ADN convergem as duas facetas do mundo trans que mais repelem e assustam a boa sociedade: a fúria travesti e a festa de ser travesti. Camila Sosa Villada explora, em concreto, a infância marcada pela violência, pela vergonha e pelo desejo de fuga, mas também a entrada num universo de pertença, de comunidade e de reinvenção. A obra é um relato de infância e um ritual de iniciação, um conto de fadas e um conto de terror, memória íntima e mitologia coletiva. As mulheres que habitam o livro surgem como figuras feridas e soberanas, expostas à brutalidade do mundo e, ainda assim, capazes de criar laços, linguagens, maternidades improváveis e formas exuberantes de alegria. É nessa tensão entre desamparo e esplendor que o livro encontra a sua grandeza. COMPRO NA WOOK! » As pequenas virtudes, de Natalia Ginzburg As pequenas virtudes, de Natalia Ginzburg, lembra-me que nem sempre é preciso levantar a voz para dizer o essencial. Neste conjunto de textos, Ginzburg escreve sobre a vida, a família, a educação, a pobreza, a guerra, a maternidade e a escrita com uma clareza desarmante. O que mais me inspira nela é essa lucidez sem pose, essa capacidade de encontrar grandeza no quotidiano e de transformar experiências aparentemente pequenas em pensamento duradouro. Há uma sabedoria limpa e serena na sua escrita que me comove sempre.
Estes são ensaios autobiográficos, embora nunca se fechem no mero relato pessoal. Em Ginzburg, a memória individual torna-se uma forma de pensar o século, a perda, a educação moral e a sobrevivência. Durante o governo de Mussolini, viveu retirada no campo, com o marido, num quotidiano atravessado pela precariedade, pela vigilância e pela sombra da guerra, experiência que atravessa a sua escrita com uma sobriedade quase ascética. Num texto como “Ele e Eu”, por exemplo, a autora parte da vida conjugal, das diferenças de temperamento, dos hábitos, das pequenas irritações e ternuras entre duas pessoas, para construir uma reflexão de extraordinária finura sobre o amor e a convivência. O que poderia parecer apenas doméstico ou menor torna-se, nas suas mãos, matéria literária de densidade. COMPRO NA WOOK! » No fundo, estas escritoras inspiram-me porque cada uma, à sua maneira, recusa o lugar que lhe foi previamente atribuído. Alba de Céspedes fala da condição feminina com profundidade e subtileza, Virginie Despentes escreve com a raiva de quem não aceita ser domesticada, Camila Sosa Villada devolve beleza e dignidade a vidas que o mundo insiste em desumanizar; Natalia Ginzburg mostra-nos que a delicadeza também pode ser radical. Ler estas mulheres é, para mim, uma forma de regressar àquilo que a literatura tem de mais poderoso, a possibilidade de ver melhor e de sair diferente de uma leitura.

As Malditas

de Camila Sosa Villada

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895339822
Editor: BCF Editores
Data de Lançamento: agosto de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 111 x 180 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895339822

A Humanidade das "Malditas"

Florbela

É um texto visceral, poético e brutal, que mistura autobiografia e manifesto político. Sosa Villada escreve sobre a vida de mulheres trans, as “malditas”, com uma combinação rara de fúria, humor, ternura e violência. O impacto do livro vem justamente dessa escrita que não pede licença: ela é crua quando precisa ser crua, é lírica quando a vida permite algum lirismo, e nunca abandona o olhar profundamente humano sobre seus personagens. A obra expõe a marginalização e a precariedade, mas também celebra a força comunitária, o amor entre párias e a invenção de uma família possível. É um livro que incomoda e encanta na mesma medida. Depois de ler, fica a sensação de ter atravessado um território onde sobreviver é, por si só, um ato de rebeldia e onde a literatura se torna instrumento de revelação e dignidade.

DE DEIXAR UM "BRILHO NOS OLHOS"

Márcia Pereira

É UM LIVRO MALDITO DE TÃO BOM! Dei por mim a sublinhar páginas, a rir, a chorar e até a abanar as ancas enquanto caminhava a pensar nele. Um conjunto de histórias loucas, injustas e tristes de Mulheres que lutam contra tudo, desde o seu próprio corpo até à sociedade. É de partir o coração a sua luta diária só porque são incompreendidas! Uma realidade injusta que me passava completamente ao lado...

Brutal

Ler, um prazer adquirido

Como é que um livro tão pequeno pode ser tão impactante. Cada frase é um abanão. Extraordináriamente bem escrito é sucinto e direto. Gosto de um livro que marca. Este dificilmente se esquece.

Um livro que nos marca

Rita

Um romance autobiográfico sobre o desejo, a luta pela sobrevivência e o preconceito. Impossível ficar indiferente à escrita vulnerável e a capacidade de exposição da escritora argentina.

SOBRE O AUTOR

Camila Sosa Villada

Camila Sosa Villada nasceu em 1982 em Córdoba, na Argentina. É escritora, atriz, cantora. Foi trabalhadora do sexo, vendedora de rua e empregada doméstica. Formou-se em Comunicação e Teatro pela Universidade Nacional de Córdoba. A sua peça Carnes tolendas, retrato escénico de un travesti foi selecionada para o Festival Nacional de Teatro de La Plata, em 2010. O seu livro de estreia, Las malas, ganhou o prémio Sor Juana Inés de la Cruz e o Grand Prix de l’Héroïne Madame Figaro. Foi um bestseller em todo o mundo hispânico e considerado o melhor livro do ano pela maioria dos suplementos literários.

(ver mais)

DO MESMO AUTOR

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU