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Antologia

de Fernando Echevarría

editor: Edições Afrontamento, setembro de 2010

«A duas espécies de leitor se dirige a antologia presente: àquele cuja disponibilidade é escassa e que não pode, portanto, consagrar à poesia tanto cuidado como pediria o seu desejo; e àquele que, podendo fazê-lo, reclama sua vida espiritual comércio mais seguido. A este último servirá ela para o acompanhar em suas andanças, sem prejuízo de uma leitura mais profunda que só a totalidade da obra consentirá. Leitura essa compatível apenas com o recolhimento do escritório e com o volume dela.

A antologia, em si, pecará por onde pecam todas – pela sua falibilidade que o tempo só, acaso, poderia corrigir. E o leitor, segundo o seu próprio critério. Não o primeiro acima considerado. Esse terá de confiar no autor. O segundo, não. Nada o impede de o chamar à pedra.

Que nem o dele e para ele terá carácter definitivo. Não só porque subsistiram dúvidas primeiras, mas ainda por, mesmo inconscientemente, se desencontrarem critérios. Como saber, por exemplo, se a escolha de tal poema obedece ao seu conseguimento singular, ao momento singular dessa eleição, ou, até, ao lugar crucial que talvez lhe caiba na estrutura do livro de onde foi retirado? São dúvidas inerentes a qualquer antologia, mesmo se o próprio autor a assina.

O menos discutível, no caso, talvez sejam as dimensões do volume, dado o fim para que foi concebido – objecto de meter e tirar do bolso conforme o ritmo e a meditação da leitura. Aqueles contados leitores que frequentam a poesia sabem, por experiência, quanto esse ritmo é importante. Neles se pensou. Com esses poucos ficamos».
Fernando Echevarría

Antologia

de Fernando Echevarría

Propriedade Descrição
ISBN: 9789723610956
Editor: Edições Afrontamento
Data de Lançamento: setembro de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 119 x 171 x 21 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 198
Tipo de produto: Livro
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789723610956
Fernando Echevarría

Fernando Echevarría Ferreira (26 de fevereiro de 1929, Cabezón de la Sal, Espanha - 4 de outubro de 2021, Porto) cursou Humanidades em Portugal e Filosofia e Teologia em Espanha. Exilado em Paris, em 1961, dedicou-se à atividade docente e dividiu a sua existência entre França, Argélia e Portugal. Colaborou em publicações como Graal, Cadernos do Meio-Dia, Eros ou Colóquio/Letras. Surgindo num momento de balanço das tendências poéticas que atravessaram a década de 50, e anunciando já caminhos a percorrer na década seguinte, a novidade contida nas primeiras obras de Fernando Echevarría reside na escolha do poema curto assente "em insólitos enjambements, no amplo recurso à frase nominal, e na estranheza das imagens com que procurava expressar-se, em rude e humaníssima linguagem, o diálogo com o divino", o excesso da expressão procedendo, não da proliferação discursiva, mas da "intensidade com que, dentro da tradição mística e da tradição barroca a que esteve exposto, por prolongada estadia num período decisivo da sua formação" (cf. MARTINHO, F. J. B., op. cit., p. 187, sobre uma nota de apresentação de Fernando Echevarría de Egito Gonçalves, datada de 1961). As metáforas verbais, o amplo uso da frase nominal, a disciplina rítmica e rimática, o jogo dialético das palavras reiteradas no poema, são algumas das características de uma poética que tem sido frequentemente inserida num movimento neobarroco na sua dupla fonte: a do contacto direto com a tradição gongórica e a releitura depurada dessa tradição efetuada pela geração espanhola de 27 (cf. GUIMARÃES, Fernando - "Fernando Echevarría", in Dicionário de Literatura Portuguesa, Lisboa, 1996). Não será porém errado aproximar Fernando Echevarría de outras duas tendências contemporâneas: por um lado, a do desenvolvimento de uma poesia reflexiva, a que subjaz a especulação filosófica, e que aproxima o autor de alguns colaboradores de Eros, como Fernando Guimarães ou António José Maldonado, tendência, aliás, agudizada nos últimos títulos (Introdução à Filosofia e Fenomenologia); e, por outro lado, coincidente muitas vezes com a tendência anterior, a da compreensão, na esteira do simbolismo mallarmiano, da poesia como um instrumento de conhecimento, na decifração de uma dimensão absoluta e de uma verdade metafísica que podem ser entrevistas pelo uso do símbolo na condensação intensiva de todas as irradiações significativas de certas palavras.

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