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Antígona

de Sófocles
Editor: Relógio D'Água, novembro de 2024 ‧
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«Na verdade, com a representação do confronto entre Antígona e Creonte, a peça ia ao encontro das preocupações de uma democracia em construção e suscitava problemas prementes acerca da relação entre governantes e governados, acerca da relação entre a lei e a justiça e, portanto, acerca dos próprios fundamentos da pólis, isto é, da vida em sociedade. […] No imaginário do Ocidente, Antígona ficou para sempre como narrativa fundadora do despertar para uma certa consciência cívica e para a afirmação do indivíduo insubmisso perante a ameaça do poder autoritário e absoluto. E, no entanto, uma leitura atenta da tragédia mostra que a complexidade do que nela se joga — e quiçá a sua intemporalidade — tem que ver, antes de mais, com o facto de a oposição entre as duas principais figuras dramáticas não ser redutível a um debate de ideias, não ser tão-pouco redutível à esfera da ética ou da política. A marca trágica desse confronto insuperável tem raízes no ethos das personagens, isto é, no seu carácter, e numa demónica radicalização das suas vontades. É desta situação particular, na qual qualquer coisa de essencial acerca do humano se manifesta, que resulta a universalidade do drama sofocliano.»
Da introdução de Marta Várzeas

Antígona

de Sófocles

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897835131
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: novembro de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 235 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 88
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Teatro (Obra)
EAN: 9789897835131

Obra-prima do teatro grego! E uma tradução para português que não fica atrás!

Pedro Rodrigues

Um dos maiores dramaturgos de todos os tempos, Sófocles (495 a.C. - 405 a.C.) escreveu mais de cem peças de teatro, mas só chegaram sete à contemporaneidade. ANTÍGONA é uma dessas sete peças e, manifestamente, uma das melhores peças de teatro de sempre. Filha e irmã de Édipo (aquele que matou, sem saber, o pai, e casou, sem saber, com a mãe), Antígona é uma personagem corajosa, fiel aos laços familiares que a unem aos seus dois irmãos mortos num combate fatal entre ambos. Sozinha, sem a ajuda da sua irmã Ismena (sensata, mas dominada pelo temor), decide dar sepultura ao irmão Polinices, declarado traidor à pátria (a cidade de Tebas) e privado de rituais fúnebres por ordem do seu tio, o rei Creonte, zeloso defensor da sua autoridade recém-adquirida. Antígona é imagem do humano íntegro, respeitador das leis imemoriais que a humanidade e o cosmos reconhecem como inamovíveis. Creonte, personagem igualmente imponente, resvala rapidamente para uma exibição de autoritarismo desafiador dos deuses e de todos à sua volta, porque é incapaz de ouvir a voz da razão, se o preço for ceder à custa da sua soberania exaltada. Antígona é inquebrantável na sua fidelidade, daí o seu fim trágico. Creonte é implacável no seu despotismo, daí o seu fim trágico. A presente tradução para português, da responsabilidade de Marta Isabel de Oliveira Várzeas (professora universitária na Faculdade de Letras do Porto), é um exemplo maior de como o acto de traduzir é uma arte e uma técnica exigente. A vivacidade do texto, a fatalidade esculpida nas sílabas das palavras ditas nos momentos decisivos, a força impressa na sintaxe das frases, tudo contribui para uma leitura empolgante, em que parece que estamos a ouvir o texto, mais do que o estamos a ler. Peça de teatro inigualável, lê-se rapidamente. Acompanhada de uma introdução de grande qualidade e sem carga teórica desnecessária, esta edição da ANTÍGONA de Sófocles é um convite a (re)descobrir a riqueza de um grande autor grego da Antiguidade, cuja voz ainda tem muito para nos dizer ainda hoje. RECOMENDO VIVAMENTE!

SOBRE O AUTOR

Sófocles

Trágico grego nascido entre 496 e 494 a. C. em Colono (Atenas). Compôs mais de cem peças, das quais nos chegaram apenas sete: Ájax, Electra, Édipo Rei, Édipo em Colono, Antígona, Traquínias e Filoctetes. Morreu em 406 a. C.

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