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Advento

de Gunnar Gunnarsson
Livro eBook
Editor: Cavalo de Ferro, março de 2024 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Todos os anos, no primeiro domingo de Advento, Benedikt, um homem simples, ruma às montanhas arriscando a sua vida para resgatar as ovelhas perdidas nas altas pastagens, prestando assim um serviço à comunidade.

Acompanhado pelos seus dois fiéis animais, um cão e um carneiro, que com ele compõem a trindade, este bom pastor prepara-se agora para a sua vigésima sétima viagem, a derradeira caminhada através de uma paisagem em que a fúria dos elementos parece cancelar os contornos do mundo num deserto branco, de uma solidão que é a verdadeira condição da própria existência humana.

Drama de resistência heroica que evoca os Evangelhos e as sagas antigas, Advento é uma história simples tornada parábola universal, uma obra influente de Gunnar Gunnarsson, cuja tradução em língua inglesa diz-se ter inspirado Hemingway a escrever O Velho e o Mar.

«A descrição das intempéries ressoam a Joseph Conrad, tudo o resto é pura poesia.»
La Repubblica
«Um drama de resistência heroica... para todos e em qualquer época.»
N.Y. Times Book Review

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Errâncias literárias

Os livros são objetos estranhos: ao mesmo tempo que exigem de nós lentidão e quietude, pedindo-nos que nos sentemos e esqueçamos estímulos exteriores, cada vez mais rápidos e anestesiantes, conduzem-nos, por outro lado, ao movimento e à ação. Alguns vão além dessa característica intrínseca da literatura, a de nos pôr a deambular dentro dos nossos pensamentos, e transformam o ato de andar no seu eixo principal. Enquanto uns exploram de que forma a caminhada altera a nossa perceção da realidade, outros são feitos de pessoas que andam.

Caminhar – Uma Filosofia, de Frédéric Gros Em Caminhar – Uma Filosofia, Frédéric Gros defende que andar não é apenas deslocação, é um estado de espírito. Inspirando-se em figuras como Nietzsche, que percorria montanhas durante horas, ou Kant, com as suas rotinas rigorosas, Gros mostra-nos que caminhar nos liberta das urgências modernas. Para o autor francês, há uma diferença grande entre andar por prazer e andar por obrigação. Aquele que anda sem pressa entra num plano diferente, uma espécie de tempo suspenso que propicia a introspeção e a criatividade. Todos já experimentámos a sensação de alívio ao dar uma volta para arejar as ideias, e no livro esse fenómeno é elevado a reflexão filosófica.
QUERO LER! »









Andar a Pé, de Henry David Thoreau Esta visão sobre a importância da caminhada encontra ecos num livro pequeno demais para aquilo que nos ensina. Andar a Pé, de Henry David Thoreau, é visto como uma das obras mais importantes sobre o tema e considera a errância uma forma de resistência – um impulso quase instintivo de retorno à essência e à espiritualidade, muitas vezes afogadas pelos afazeres do dia a dia. Só na Natureza, longe das cidades e do progresso, é possível ao Homem alcançar o que é importante. Conhecido pelo seu espírito itinerante, Thoreau escolhia florestas e bosques para longas caminhadas, e é por esses trilhos que o livro nos leva. Escrito como quem passeia por uma floresta, Andar a Pé impele-nos a andar sem destino e a deixarmo-nos levar por um estado contemplativo e de libertação. QUERO LER! » Cidade Aberta, de Teju Cole Julius, o protagonista de Cidade Aberta, de Teju Cole, caminha sem rumo em Nova Iorque, como Thoreau fazia nos bosques de Massachusetts, embora com um propósito diferente. Rodeado de pessoas, mas imerso no anonimato das grandes cidades, o jovem médico parece buscar nas suas deambulações por Manhattan uma forma de compreender o mundo e a si mesmo, ainda que, muitas vezes, os pensamentos que o acompanham o afastem, em vez de o aproximarem da sua própria essência. Ao contrário de Thoreau, Julius não caminha para se encontrar, mas para se perder nos seus pensamentos, e evita confrontos diretos com aquilo que prefere esquecer. A cidade, aberta e labiríntica, espelha a dispersão interior deste homem cheio de ambiguidades. Com uma escrita que evoca laivos da prosa de Sebald, em Cidade Aberta a caminhada surge como um ponto de partida, nunca como uma verdadeira chegada. QUERO LER! » Advento, de Gunnar Gunnarsson Há, no entanto, outras formas de caminhar, mais próximas de uma peregrinação, como a jornada de Benedikt, protagonista de Advento, de Gunnar Gunnarsson. Enquanto Julius vagueia por Manhattan sem destino, Benedikt atravessa as montanhas geladas da Islândia com um objetivo muito claro: resgatar ovelhas perdidas antes que o inverno as condene à morte. Se um caminha para escapar a si mesmo, o outro avança movido por um sentido de dever, enfrentando o frio e a solidão com a determinação de um crente. Julius perde-se na vastidão da cidade, Benedikt encontra na Natureza um propósito. Toda a história é pautada por um sentimento de reverência em relação a algo superior e inefável, ligado tanto à sua missão quanto à sua ligação com a Natureza. E nós seguimos com ele, sem saber ao certo onde esta excursão nos levará. QUERO LER! » Folhas de Erva, de Walt Whitman Walt Whitman deu muitos contributos na celebração do movimento e da conexão com a Natureza através da sua poesia. Contemporâneo de Thoreau, partilhava com ele a ideia de que o Homem só está completo no contacto com a natureza, mas, enquanto Thoreau enfatizava a meditação e o isolamento, Whitman valorizava a experiência sensorial, adotando uma atitude contemplativa em relação ao mundo. Folhas de Erva, a sua grande obra, gerou muita controvérsia pela linguagem utilizada e pelos temas abordados. Os seus poemas exaltam o corpo, o erotismo e a liberdade do homem perante os outros, celebram a Natureza e os sentidos. Com recurso a versos livres e métrica irregular, Whitman canta a igualdade entre os homens e a fusão entre o espírito e a matéria. Andar, neste processo de elevação, é o ato primordial que nos liga ao mundo e nos permite alcançar a plenitude. QUERO LER! » O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien Falar de O Senhor dos Anéis sem falar de caminhada é tirar ao épico de J.R.R. Tolkien o seu significado. Mais do que ogres, magia e a luta do bem contra o mal, nesta aventura é o ato de caminhar que transforma os personagens. A travessia de Frodo e Sam até Mordor amadurece-os. Não caminham por prazer ou para se perder, como Thoreau, Julius e Benedikt. Caminham porque não há outra escolha, e nesse processo criam uma relação forte. Sem o apoio um do outro, Frodo e Sam não teriam conseguido seguir em frente. A partilha do peso da jornada fortalece-os, e é na amizade que encontram forças para continuar. A caminhada, aqui, é mais do que um percurso, é uma afirmação de esperança, persistência e transformação. QUERO LER! » Atrás de toda a caminhada, há sempre uma busca por algo que falta, e a literatura é uma boa companheira nessa viagem. Ajuda-nos na tarefa sempre incompleta de tentar perceber o que nos rodeia. Como diz Gros no início do seu livro, «caminhar não é um desporto», não é algo que se aprende, está dentro de nós, e é nesse movimento físico e mental que nos aproximamos de nós mesmos e nos deparamos com aquilo que está para além do imediato.

Advento

de Gunnar Gunnarsson

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897870224
Editor: Cavalo de Ferro
Data de Lançamento: março de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 225 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 104
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897870224

Toca profundamente quem o lê

Anabela Borges

Em "Advento", Gunnar Gunnarsson conta a história de Benedikt, um homem simples que enfrenta a solidão e o rigor das montanhas islandesas para salvar o que ama. A narrativa conduz-nos ao limite da vida — chorei com cada gesto, cada desafio, cada instante de dor e medo — e, ainda assim, é iluminada por uma esperança silenciosa, quase sagrada, como um verdadeiro advento. É uma história sobre coragem, entrega e a força resiliente do coração humano, onde até o menor gesto carrega o peso da vida e da fé. Um livro curto, mas intenso e inesquecível, que toca profundamente quem lê.

Imprescindível

Telma Castro

Com Advento, escrito em 1936, mergulhamos no coração do inverno, nas quatro semanas que antecedem o Natal. Benedikt, homem simples, festeja essa época com um ritual que iniciou há vinte e sete anos atrás. No primeiro domingo do Advento abandona o seu vilarejo e parte, cumprindo assim o desígnio de Deus - resgatar ovelhas perdidas nas altas montanhas gélidas e inóspitas da Islândia. Para essa jornada inclemente, conta com a companhia dos seus fiéis animais: o carneiro Nodoso e o seu cão Leão. Esta trindade audaciosa enfrentará as mais severas asperezas do tempo, sem nunca saber se será a última vez. Gunnarsson brilhou nesta pequena obra-prima, não só nos ensinamentos que podemos daqui retirar, como exemplo, de bondade, gratidão, resiliência e aceitação do destino traçado por Deus, como também nas poéticas descrições das tempestades enfrentadas. Acreditem que são de uma beleza ímpar. Para terminar, gostaria de salientar o posfácio de Jón Kalman Stefánsson que refere Gunnar Gunnarsson como outra grande montanha da literatura islandesa, a par de Halldór Laxness, laureado com o Nobel da Literatura, em 1955. Stefánsson faz ainda uma indagação que me fez reflectir sobre o meu gosto pela literatura nórdica: " Será que se deve a uma combinação do clima com a luz, das longas noites de inverno com as noites de verão tão luminosas que não permitem repousar? Um realismo onírico, uma narrativa única, serena por natureza e, no entanto, capaz de acomodar o grito que Edvard Munch representou em tela, uma tranquilidade que é como que uma indiferença, quiçá com origem na depressão: um estilo que não é dominado nem pela escuridão nem pela luz, mas porventura pelo crepúsculo." Advento é uma ode à natureza, ao respeito pelos animais, à coragem e simplicidade. Esta beleza nórdica ficará muito tempo na minha memória. Recomendo muito.

SOBRE O AUTOR

Gunnar Gunnarsson

Gunnar Gunnarsson (Valthjofsstadur, 1889 - Reiquiavique, 1975) é um dos nomes mais importantes da literatura islandesa. Autor de uma extensa obra, entre poesia, romance e teatro, que lhe trouxe fama internacional, foi, diversas vezes, apontado ao Prémio Nobel de Literatura. As suas principais obras foram escritas em dinamarquês, incluindo a celebrada autobiografia ficcionada em cinco volumes Kirken paa bjerget [A Igreja na Montanha] (1923-1928), Svartfugl [Pássaro Negro] (1929) ou Advento (1936), e mais tarde traduzidas para islandês pelo próprio autor, que regressou à terra natal em 1939 para aí permanecer até à sua morte.

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