Adão e Eva no Paraíso

de Eça de Queiroz
Editor: Quasi Edições, abril de 2001 ‧
Adão, Pai dos Homens, foi criado no dia 28 de Outubro, às duas horas da tarde… Assim o afirma, com majestade, nos seus «Annales Veteris et Novi Testamenti», o muito douto e muito ilustre Usserius, bispo de Meath, arcebispo de Armagh, e chanceler-mor da Sé de S. Patrício. (…) Adão, no terrível dia 28 de Outubro, depois de espreitar e farejar o Paraíso, não ousou declarar reverentemente ao Senhor: «Obri¬gado, oh meu doce Criador, dá o governo da Terra a quem me¬lhor escolheres, ao elefante ou ao canguru, que eu por mim, bem mais avisado, volto já para a minha árvore!...» Mas enfim, desde que nosso Pai venerável não teve a previdência ou a abnegação de declinar a grande supremacia -continuemos a reinar sobre a Criação e a ser sublimes... Sobretu¬do continuemos a usar, insaciavelmente, do dom melhor que Deus nos concedeu entre todos os dons, o mais puro, o único genuinamente grande, o dom de O amar - pois que não nos concedeu também o dom de O compreender. E não esqueçamos que Ele já nos ensinou, através de vozes levantadas em Galileia, e sob as mangueiras de Veluvana, e nos vales severos de Yen-Chu, que a melhor maneira de O amar é que uns aos outros nos amemos, e que amemos toda a Sua obra, mesmo o verme, e a rocha dura, e a raiz venenosa, e até esses vastos seres que não parecem necessitar o nosso amor, esses sóis, esses mundos, essas esparsas nebulosas, que, inicialmente fechadas, como nós, na mão de Deus, e feitas da nossa substância, nem decerto nos amam - nem talvez nos conhecem.

Adão e Eva no Paraíso

de Eça de Queiroz

Propriedade Descrição
ISBN: 9789728632298
Editor: Quasi Edições
Data de Lançamento: abril de 2001
Idioma: Português
Dimensões: 135 x 207 x 3 mm
Páginas: 60
Tipo de produto: Livro
Coleção: Em Nome da Terra
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789728632298
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Eça de Queiroz

Eça de Queiroz nasceu a 25 de novembro de 1845 na Póvoa de Varzim e é considerado um dos maiores romancistas de toda a literatura portuguesa, o primeiro e principal escritor realista português, renovador profundo e perspicaz da nossa prosa literária.
Entrou para o Curso de Direito em 1861, em Coimbra, onde conviveu com muitos dos futuros representantes da Geração de 70. Terminado o curso, fundou o jornal , em 1866, órgão no qual iniciou a sua experiência jornalística. Em 1871, proferiu a conferência «O Realismo como nova expressão da Arte», integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução estética que o encaminha no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola. No mesmo ano iniciou, com Ramalho Ortigão, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de inquérito à vida portuguesa.
Em 1872 iniciou a sua carreira diplomática, ao longo da qual ocupou o cargo de cônsul em Havana, Newcastle, Bristol e Paris. Foi, pois, com o distanciamento crítico que a experiência de vida no estrangeiro lhe permitiu que concebeu a maior parte da sua obra romanesca, consagrada à crítica da vida social portuguesa e de onde se destacam O Primo Bazilio, O Crime do Padre Amaro, A Relíquia e Os Maias, este último considerado a sua obra-prima. Morreu a 16 de agosto de 1900, em Paris.

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