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A Trégua

de Mario Benedetti
Livro eBook
Editor: Cavalo de Ferro, Janeiro de 2025 ‧
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Na Montevideu cinzenta e conservadora dos anos 1950, Martin Santomé, trabalhador, viúvo, pai de três filhos já adultos, regista no seu diário os poucos meses que o separam da reforma, triste corolário de uma vida rotineira e resignada. A melancolia da sua existência será bruscamente interrompida pela chegada ao escritório da jovem e discreta Laura Avellaneda. Entre os dois nasce uma paixão transgressora, que confrontará Santomé com sentimentos inesperados, abrindo um breve horizonte de liberdade e felicidade na sua vida.

Romance emblemático da literatura sul-americana e da obra do autor uruguaio Mario Benedetti, A Trégua tece, com fina ironia, sensibilidade e humor, um retrato das relações humanas e um dos mais comoventes enredos das letras contemporâneas.

«Um romancista e um poeta de uma extrema humanidade.»
José Saramago

«É a história trágica de um amor acossado. Um romance soberbo em registo de diário onde se conta de quão frágil e breve é o estado de felicidade.»
José Riço Direitinho, Público

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Pequenas Bombas Emocionais

Os livros não se medem aos palmos. Alguns parecem discretos, ocupam apenas algumas centenas de páginas e, ainda assim, conseguem instalar-se dentro de nós com uma intensidade difícil de explicar. Não desperdiçam palavras, preferem o silêncio ao excesso e encontram na contenção uma força emocional rara. Os cinco livros desta lista partilham essa capacidade de concentrar mundos inteiros em narrativas breves. Entre relações falhadas, memórias dolorosas, amores suspensos e personagens incapazes de se sentirem totalmente pertencentes ao mundo, todos deixam uma marca persistente. Pequenas bombas emocionais feitas de papel que continuam a explodir muito depois da última página. Eu?, de Peter Flamm Começar Eu?, de Peter Flamm, é entrar num território de desconforto moral. Publicado em 1926, o romance acompanha Hans, um médico que regressa da Primeira Guerra Mundial profundamente transformado pela experiência da frente de batalha. Aquilo que encontra no seu retorno não é apenas um mundo incapaz de compreender o horror da guerra, mas também uma estranha sensação de alienação em relação a si próprio e aos outros. Apercebemo-nos desde as primeiras páginas de que qualquer coisa se perdeu naquele homem. O próprio título funciona como uma interrogação identitária e a narrativa gira em torno dessa fissura. Flamm escreve de forma seca, quase clínica, o que torna tudo ainda mais perturbador. Não há sentimentalismo nem dramatização excessiva, e a violência emocional nasce dessa contenção. O protagonista move-se pelas ruas, pelas conversas e pelas relações com os outros como alguém que trouxe consigo uma experiência impossível de partilhar. Talvez seja isso que torna o livro tão atual. Mais do que um romance sobre a guerra, é um retrato da dificuldade de regressar ao mundo depois de se ter visto demasiado. COMPRO NA WOOK! » Um Chapéu de Leopardo, de Anne Serre Enquanto Peter Flamm trabalha a fragmentação interior através de uma escrita austera, Anne Serre, em Um Chapéu de Leopardo, prefere o território da estranheza e da sugestão. Este é um daqueles livros difíceis de resumir porque o essencial acontece nas entrelinhas. A história centra-se na relação entre o narrador e Fanny, uma mulher instável e enigmática, marcada por desaparecimentos repentinos e mudanças bruscas de humor. A autora francesa começou a escrever o romance após o suicídio da irmã e, talvez por isso, exista nele uma delicadeza percorrida por uma inquietação subtil. Muitas vezes, sentimos que estamos prestes a compreender aquelas personagens para, no momento seguinte, elas voltarem a escapar-nos. Essa ambiguidade acaba por ser uma das grandes forças do livro. Em vez de oferecer respostas claras, Serre cria atmosferas. E algumas dessas atmosferas ficam coladas à nossa pele durante semanas. COMPRO NA WOOK! » A Trégua, de Mario Benedetti Essa sensação de suspensão aparece também em A Trégua, de Mario Benedetti, embora num registo diferente. O romance é construído sob a forma de diário e acompanha Martín Santomé, um homem obcecado com a proximidade da reforma e preso a uma rotina sem grandes expectativas. Tudo muda quando conhece Laura, uma colega mais nova por quem acaba por se apaixonar. Aquilo que poderia transformar-se num romance sentimental torna-se, nas mãos de Benedetti, uma reflexão devastadora sobre a solidão e a possibilidade tardia da felicidade. O autor uruguaio dominava como poucos a arte da simplicidade. Não encontramos aqui frases exuberantes nem grandes demonstrações emocionais. É o tom comedido e desencantado do narrador que torna o livro tão humano. Santomé escreve como alguém que já desistiu de esperar demasiado da vida e, talvez por isso, os pequenos momentos de alegria tenham tanto impacto. Percebemos desde cedo que a felicidade do protagonista é frágil, temporária, talvez impossível de sustentar. Ainda assim, continuamos a avançar pelas páginas como quem tenta prolongar um instante antes do inevitável. COMPRO NA WOOK! » Terra de Neve, de Yasunari Kawabata Em Terra de Neve, Yasunari Kawabata leva essa ideia de fragilidade emocional até um extremo quase hipnótico. O romance começa com uma das aberturas mais célebres da literatura japonesa do século XX, quando um comboio atravessa um túnel e entra numa paisagem coberta de neve. A partir daí, acompanhamos a relação entre Shimamura, um homem rico e ocioso vindo de Tóquio, e Komako, uma gueixa de uma região termal isolada. Mais do que uma história de amor, Terra de Neve é um romance sobre distância. Distância entre pessoas, entre desejos, entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos realmente viver. Kawabata descreve tudo com uma precisão visual impressionante. Cada gesto, cada silêncio e cada detalhe da paisagem parecem carregados de significado emocional. A neve, o frio e a quietude do cenário funcionam como extensões do estado interior das personagens. Existe uma enorme beleza no romance, mas é uma beleza melancólica, sempre consciente da impermanência das coisas. Tudo acontece de forma ténue, quase silenciosa, e talvez seja isso que torna o impacto final tão forte. COMPRO NA WOOK! » Património, de Philip Roth Depois da contenção elegante de Kawabata, entrar em Património, de Philip Roth, é confrontar uma intimidade muito mais direta. Neste memoir autobiográfico, o escritor relata a doença e o declínio físico do pai. O tema poderia facilmente cair no sentimentalismo, mas acontece o contrário. A relação entre ambos é descrita com brutal honestidade, incluindo momentos de irritação, impaciência, humor e ternura. Ao longo do livro, acompanhamos consultas médicas, conversas familiares, pequenos gestos quotidianos e o desgaste inevitável provocado pela doença. No entanto, aquilo que torna Património tão poderoso é a forma como detalhes aparentemente banais se transformam em matéria emocional universal. O medo de perder os pais, a culpa associada ao envelhecimento e a sensação de impotência perante a fragilidade do corpo atravessam o livro sem nunca parecerem artificiais. Há também qualquer coisa de corajoso nesta forma de escrever. Ao contrário de muitos livros sobre o luto, Património não tenta embelezar a dor nem procurar grandes lições reconfortantes. Não obstante toda a dor provocada por esta experiência, Roth mantém-se firme, limitando-se a observar, recordar e escrever com uma honestidade quase desconfortável. COMPRO NA WOOK! »

A Trégua

de Mario Benedetti

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895835454
Editor: Cavalo de Ferro
Data de Lançamento: Janeiro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 226 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 184
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895835454

Um livro imperdível

Duarte Sousa

Este livro é maravilhoso, imperdível. Muito bem escrito, com uma forma de diário, fácil de ler, simultaneamente simples na escrita e profundo no sentir. Tem humor, é trágico, dá gosto ler. Trata duma Trégua bem contada em todo o livro que foi concedida ao narrador e que este, no fim, identifica: «É evidente que Deus me concede um destino sombrio. Nem sequer cruel. Simplesmente sombrio. É evidente que me concede uma trégua. A princípio recusei-me a acreditar que isso pudesse ser uma felicidade. Resisti com todas as minhas forças, depois de Deus me ter derrotado e dado crédito. No entanto, não era felicidade, era apenas uma trégua.»

SOBRE O AUTOR

Mario Benedetti

Mario Benedetti (1920-2009), escritor uruguaio, é um dos principais autores da literatura sul-americana do século XX, detentor de uma extensa obra composta por mais de meia centena de títulos de poesia, romance, ensaio e textos teatrais.
Intelectual participante ativo nos problemas do seu país, colabora e exerce vários cargos no jornalismo literário. É nomeado, em 1971, diretor do Departamento de Literatura da Universidade de Montevideo, porém, o golpe militar de 1973 e as suas convicções políticas numa América Latina em plena convulsão obrigam-no a sucessivos exílios: primeiro na Argentina, posteriormente no Peru, onde é detido e deportado, sucessivamente para Cuba, finalmente para Espanha.
A publicação, em 1960, do romance A Trégua granjeia-lhe enorme sucesso: o livro totaliza mais de 100 edições e é traduzido em 20 línguas, com adaptações ao teatro, à rádio e ao cinema. De Mario Benedetti, destacam-se, igualmente, de 1965, o romance Obrigada pelo Lume e, de 1992, A Borra do Café.

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