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A Oeste Nada de Novo

de Erich Maria Remarque
Livro eBook
Editor: Saída de Emergência, julho de 2019 ‧
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Nas trincheiras, um a um, os rapazes começam a tombar em combate… Em 1914, um professor chauvinista incentiva uma turma de estudantes alemães - jovens e idealistas - a alistar-se para a "guerra gloriosa". Todos o fazem, movidos pelo ardor e pelo patriotismo próprios da juventude. Mas o seu desencanto começa logo durante a recruta brutal. Mais tarde, ao embarcarem no comboio que os levará à frente de combate, veem com os próprios olhos as feridas terríveis sofridas sob o impacto das bombas e a metralha implacável. É o seu primeiro vislumbre da realidade da guerra. Não será o último.

«Há obras que deveriam ser lidas por todas as gerações.»
Chris Searl

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Palavras Rebeldes

A literatura é uma construção feita de convenções, repetições e fórmulas. Muitas vezes, um género cristaliza-se ao ponto de se tornar previsível, uma espécie de partitura que o leitor reconhece logo nas primeiras páginas. Mas há livros que recusam essa previsibilidade, rompem o molde, subvertem as regras e reinventam a tradição que herdaram. São textos que mudam não apenas a forma como pensamos um género literário, mas também a maneira como nos aproximamos da leitura. Carmilla, de Sheridan le Fanu Um exemplo precoce desta rebeldia face ao cânone é Carmilla, de Sheridan Le Fanu. Publicado em 1872, vinte e cinco anos antes de Drácula, o romance apresenta a figura do vampiro (neste caso, uma vampira chamada Carmilla), como algo mais complexo do que o simples monstro insaciável que ataca de noite. Carmilla seduz, fascina e perturba, e a relação que estabelece com Laura, a narradora, é atravessada por um desejo insinuado que escapa às normas morais da época e que, ao mesmo tempo, serve de motor ao terror presente na obra. O romance gótico, até então dominado por castelos sombrios e ameaças externas, ganha uma dimensão interior. O medo instala-se no corpo, na intimidade e no desejo proibido. Ao introduzir essa ambiguidade, Le Fanu transforma a narrativa de vampiros num território fértil para pensar o interdito. A sexualidade feminina, a homoafetividade e a diluição das fronteiras entre vítima e predador são alguns dos temas abordados neste romance que não se limita a assustar, mas antes convida o leitor a espreitar o lado obscuro do desejo, aquilo que se queria ocultar e que, de repente, ganha forma na figura da vampira. Carmilla é, nesse sentido, uma narrativa entre o medo e a fascinação, entre a pureza e a transgressão, inaugurando o imaginário moderno do vampiro como criatura simultaneamente erótica e ameaçadora. COMPRO NA WOOK! » Gargântua & Pantagruel - Volume I, de Rabelais François Rabelais já explorava as fronteiras da ficção séculos antes de Le Fanu ter nascido. Gargântua & Pantagruel, publicado entre 1532 e 1564, resiste a qualquer categorização literária convencional. É, ao mesmo tempo, sátira, crónica e fábula grotesca, unindo crítica social e reflexão numa prosa expansiva e inventiva. Os gigantes que dão nome à obra vivem aventuras que oscilam entre a leveza cómica e a erudição rigorosa, mantendo o leitor em permanente surpresa através da escrita polifónica de Rabelais. Quem se aproxima de uma obra do século XVI espera encontrar ordem e disciplina literária, mas em Gargântua & Pantagruel depara-se com liberdade, excesso e multiplicidade de sentidos. Rabelais não se limitou a reinventar um género, pôs em causa a própria noção de enredo, mostrando que a literatura pode ser simultaneamente crítica, ousada e divertida. COMPRO NA WOOK! » A Oeste Nada de Novo, de Erich Maria Remarque Se Rabelais expande e Carmilla insinua, Erich Maria Remarque comprime. Em A Oeste Nada de Novo, publicado em 1929, a guerra deixa de ser palco de heroísmo para se tornar um território de devastação. Até então, o romance de guerra, herdeiro das epopeias antigas, ainda se alimentava de imagens de bravura, de honra e de glória nacional. Remarque desmonta esse imaginário através da voz de Paul Bäumer, um jovem soldado alemão lançado nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. O que o narrador regista não são feitos memoráveis, mas a rotina da lama, da fome e do medo. A morte não tem brilho, é apenas ausência. Ao trocar o tom épico por um tom íntimo, Remarque reconfigura o género bélico. Mostra que a guerra não é grandeza, mas dissolução da juventude e catalisadora de traumas coletivos. Depois dele, nenhum romance de guerra pôde ser escrito, e lido, da mesma forma. A sua escrita abriu espaço ao testemunho e à denúncia, não à celebração.
Em 2022, o livro deu origem a uma série de TV, cujo trailer pode ver aqui abaixo. COMPRO NA WOOK! » O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie Agatha Christie não seguiu o exemplo de Remarque ao matar a ideia de heroísmo. Em vez disso, matou a confiança que o leitor de literatura policial trazia consigo ao iniciar a leitura, sendo O Assassinato de Roger Ackroyd, escrito em 1926, um marco de viragem no género. Até então, os policiais viviam da promessa de clareza, ou seja, o crime era um enigma que o detetive, com lógica impecável, desvendaria no final. O leitor, guiado pela narrativa, tinha a garantia de que, no fim, tudo faria sentido. Mas Christie ousou romper esse pacto tácito com o leitor. Através de um narrador que manipula, omite e engana, a autora de Um Crime no Expresso do Oriente retirou ao leitor a sua segurança fundamental, a de confiar na voz que conta a história. A reviravolta final não é apenas a resolução do crime, é também um choque estrutural, um golpe no género. Depois de Christie, a literatura policial não pôde ser lida com a mesma inocência. Reinventar o género, aqui, significou questionar a relação de confiança entre o leitor e a narrativa. COMPRO NA WOOK! » Se Numa Noite de Inverno um Viajante, de Italo Calvino Décadas mais tarde, Italo Calvino levou ainda mais longe a desconfiança do leitor em relação ao próprio texto. Se numa noite de inverno um viajante, de 1979, não é apenas um romance pós-moderno, é uma meditação sobre o ato de ler. O livro começa quando um leitor se prepara para ler um romance de Calvino, mas esse romance é interrompido. O leitor, dentro do livro, procura continuar e, a cada tentativa, encontra apenas começos de histórias, nunca a sua conclusão. O resultado é um labirinto de inícios, um jogo que transforma a leitura em experiência fragmentada. O género literário, neste caso, não é subvertido, é dissolvido e desfeito em partes. O policial, o romance de espionagem, a narrativa histórica, entre outros estilos presentes no decorrer da trama, surgem apenas como ecos e fragmentos de algo que não tem conclusão. Calvino não oferece apenas um livro, mas uma reflexão sobre todos os livros, a de que ler é sempre começar, nunca terminar. COMPRO NA WOOK! » Se colocarmos estas obras lado a lado, percebemos que reinventar um género não é um gesto único, mas uma multiplicidade de movimentos. Rabelais expande até ao grotesco, Le Fanu insinua o proibido, Remarque desmonta o heroísmo, Christie mina a confiança e Calvino transforma a própria leitura em enigma. Cada um, à sua maneira, recusa o caminho já feito e obriga-nos a reaprender a ler.

A Oeste Nada de Novo

de Erich Maria Remarque

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897731686
Editor: Saída de Emergência
Data de Lançamento: julho de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 162 x 232 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 224
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897731686

Relato realista da I Grande Guerra

Carlos Daniel Pimenta

Sem dúvida o melhor livro que li até hoje sobre a dureza e realismo da frente de guerra. Jovens que são atirados para uma realidade que os trata como peões, num jogo que lhes rouba a humanidade e para o qual não compreendem a sua inevitável futilidade. Sem dúvida uma Grande Obra.

A ler!

ML

Este é um relato muito sombrio da Primeira Guerra Mundial visto através dos olhos de um jovem recruta, Paul Baumer. Embora seja fictício, reúne muitos aspectos da guerra. Mostra como a guerra é horrível e toca a realidade da guerra em comparação com o que as pessoas em casa pensam. Os jovens soldados são forçados a ver os horrores e a deixar sua juventude para trás para se tornarem homens nas trincheiras. Esta é a única forma de sobreviver. É extremamente estimulante e mostra a inutilidade de tudo isto.

Um clássico importante

Cláudia Feio

Aqui sentimos o que a Grande Guerra fez ao mundo e aos jovens iludidos em particular. Não é à toa que se considera a geração perdida. Um murro no estômago, mas importante para nunca esquecermos os horrores da guerra

Como foi possível não ter lido este livro antes

Vitor Pimenta

Um autêntico fresco sobre o primeiro grande conflito mundial e a terrível experiencia das trincheiras. Uma obra que nos faz sentir a viver os horrores físicos e psicológicos de quem os viveu. Quando comecei a ler não consegui parar.

Um livro essencial!

VF

Depois de lermos este livro, logo percebemos o motivo por ser considerado um "clássico" da literatura sobre a 1ª Grande Guerra. A proposta é a experiência da guerra contada pelos soldados alemães. Um livro essencial!

O Horror que não deixa de Fornecer material à Literatura

Aussieroo

Mais um livro sobre o drama da Primeira Guerra Mundial. Por mais livros que se possam escrever parece que fica sempre algo por dizer sobre aquele período. Dos muitos livros que existem sobre aquele altura, este é mais um que toca o leitor. Para além de bem escrito, este livro leva-nos com um grupo de jovens para a trincheira do lado alemão. E isso é mais um ponto a favor do livro. Por norma, tendemos a ler sobre o ponto de vista dos aliados, o seu heroísmo, tomando os alemães como os maus da fita nesta história. Os Hunos. Mas aqui, ouvimos um grupo de miúdos que é incentivado pela geração mais velha ao heroísmo, ao sacrifício por algo maior mas que se verifica ser um sofrimento tanto físico como psicológico, nas trincheiras com tudo o que elas trazem consigo, servindo de alimento a ratos. Leva-os a perguntar, qual a legitimidade de alguns para decidirem sacrificar uma geração inteira numa guerra, que essa geração não entende. É um excelente livro

SOBRE O AUTOR

Erich Maria Remarque

Erich Maria Remarque nasceu a 22 de junho de 1898 para se vir a tornar num dos mais importantes escritores do séc. XX. Banido pelos nazis por ser alegadamente descendente de judeus franceses, viu os seus livros serem atirados para a fogueira e foi exilado em 1933 sob acusação de fazer propaganda contra o nacionalismo alemão. Remarque viu, ainda assim, o seu trabalho reconhecido ao mais alto nível da literatura e chegou mesmo a ser um dos grandes candidatos ao Nobel na sua época. Este foi o seu último trabalho completo e a sua obra foi eternizada pelos seus leitores em todo o mundo. Dono de uma escrita magistral e de um profundo conhecimento da alma humana, Remarque ficará para sempre na história da literatura.

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