A morte e o pinguim
SINOPSE
A vida de Viktor Zolotaryov já teve melhores dias: a namorada abandonou-o, os seus contos não interessam a ninguém e deixou de conseguir pagar as contas do minúsculo apartamento onde vive. A sua única companhia é Misha, o pinguim que resgatou do Zoo de Kiev, quando este deixou de poder alimentar os animais que ali residiam. Misha assiste em silêncio ao desespero de Viktor, e acompanha-o nos festejos – vodca e peixe à discrição – quando a sorte parece mudar: Viktor é contratado para escrever obituários num jornal.
Mas, estranhamente, o editor pede-lhe que escreva sobre pessoas que ainda estão vivas. Quando percebe que os seus textos se tornam realidade pouco depois de os entregar, Viktor começa a ter sérias dúvidas sobre a real natureza do seu trabalho...
A OBRA-PRIMA DE ANDREI KURKOV, PUBLICADA COM ESTRONDOSO SUCESSO EM 42 PAÍSES.
CRÍTICAS DE IMPRENSA
Um Bulgakov contemporâneo… Um Murakami ucraniano.
The Guardian
Engraçado, alarmante e, de uma maneira eslava, não muito diferente da fase inicial de Harold Pinter.
Kirkus Reviews
Só um leitor com coração de pedra não se comoverá com a relação de Viktor com o seu peculiar animal de estimação.
The Times
Uma obra-prima tragicómica.
The Daily Telegraph
Um retrato impressionante do isolamento pós-soviético... Nesta paisagem moral sombria,Kurkov consegue encontrar amplo refúgio para o seu humor negro.
The New York Times
Uma comédia negra arrepiante.
The Guardian
BLOG WOOKACONTECE
Livros sobre Pinguins? Sim!
Com a sua aparência adorável marcada pela coloração preta e branca e o seu andar cambaleante, os pinguins são aves que parecem tudo menos aves e que nos cativam uma e outra vez. Com um forte sentido de comunidade e família, estes animais inspiraram muitas histórias. E constroem muitas outras, com os humanos.
As lições do Pinguim, de Tom Michell
Antes de mais, saiba que este livro conta a história real, vivida pelo seu autor, Tom Michell, antigo professor de química. O filme baseado no livro, que pode já ter visto, é uma adaptação bastante fidedigna, romantismos de cinema à parte, claro.
Numa visita a amigos no Uruguai, enquanto passeava na praia, Tom deparou-se com um cenário dantesco: milhares de pinguins mortos, vítimas de um derrame de petróleo. Surpreendentemente, avistou um pinguim que ainda se movia e decidiu salvá-lo. Levou-o para casa, limpou-o o melhor que pôde e tentou devolvê-lo ao mar, mas o animal recusou-se a deixá-lo. Tom soube naquele momento que não poderia abandoná-lo; numa época de turbulência política na América Latina – após o colapso do regime corrupto de Perón, em plenos anos 70 –, arriscou contrabandear o animal pela fronteira para a Argentina. Aí, o pinguim tornou-se parte da sua vida e da vida da escola onde lecionava, tocando todas as pessoas que se cruzavam com ele. Muito mais tarde, Tom decidiu contar esta história comovente neste livro, que se tornou um bestseller e que acabou por ganhar vida no filme The Penguin Lessons, protagonizado por Steve Coogan. Uma história real que derrete qualquer coração.
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Veja aqui o trailer do filme
A morte e o pinguim, de Andrei Kurkov
Viktor Zolotaryov é um escritor frustrado, que conta apenas com a companhia de Misha, o pinguim que resgatou do Zoo de Kiev, quando este deixou de poder alimentar os seus animais. Quando lhe oferecem emprego como redator de obituários «espirituosos, concisos e excêntricos», ele aceita. A sua função é selecionar figuras poderosas da alta sociedade ucraniana e preparar obituários, antecipando a possibilidade de que possam morrer repentinamente. A morte inesperada de um político após cair da janela do sexto andar desencadeia uma guerra de clãs com assassinatos, e os obituários de Viktor passam a ser muito procurados. Quando descobre que os seus textos se tornam realidade pouco depois de os entregar, Viktor questiona-se sobre a real natureza do seu trabalho. Mas acaba por ter uma abordagem pragmática, numa atitude que Kurkov acredita que muitos ucranianos foram forçados a adotar.
A descrição de Kurkov sobre o submundo do crime organizado é reforçada pela sua experiência em primeira mão, tendo vários dos seus amigos e colegas de trabalho sido assassinados. Silencioso e triste, o pinguim condensa o retrato do caos pós-soviético, já que «é um animal coletivo que fica perdido quando está sozinho», como refere Kurkov, que assina este romance magistral. Não obstante ter sido já premiada com o International Booker Prize, a sua obra é censurada na Rússia desde 2005.
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Problemas de Pinguim, de Jory John e Lane Smith
Com ilustrações magníficas e divertidas, a história deste irresistível livro segue um pinguim que acorda de mau humor, irritado com tudo. Ele reclama do frio, do barulho, da neve e do sol... a única coisa que faz é ficar infeliz e chateado... até que encontra uma morsa. As ilustrações impulsionam a história, alternando entre grandes planos do pinguim – e das suas expressões engraçadas – em terra firme, e cenários do fundo do mar e das criaturas que o habitam.
Em vez de oferecer um final feliz convencional, o livro presenteia os leitores, tanto pequenos como crescidos, com um momento de reflexão sobre a importância de darmos valor às coisas boas da vida, em vez de só nos focarmos no que corre mal.
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Boa, Mamã Pinguim!, de Chris Haughton
Um dia, um papá e um bebé pinguim ficam juntos enquanto a mamã pinguim sai para caçar peixes. Ficam a vê-la, com expectativa, a nadar, saltar e escalar, superando todos os desafios para voltar a reunir-se com eles. O bebé pinguim teme pela mamã, mas sabe que nem mesmo as focas a impedirão de voltar.
Ilustrações vibrantes e cheias de cor acrescentam uma segunda camada emocional à narrativa. Com uma referência à natureza fascinante da criação dos filhotes pelos pinguins, esta aventura ilustrada com ousadia pelo criador de E Se ou Chiu! Temos um Plano tem tudo para deixar as crianças felizes e entusiasmadas enquanto torcem pela mamã pinguim.
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Wook se escreve na Ucrânia - Parte II
A CONTEMPORANEIDADE
A literatura ucraniana contemporânea centra-se frequentemente em temas de identidade, memória, e os desafios enfrentados pela sociedade ucraniana moderna. Desenvolveu-se, de certa forma, como uma resposta marcada e vívida às formas estáticas da literatura soviética tardia.
Os anos de 1990 ficaram marcados pelos poetas boémios e pela prosa modernista dos intelectuais. Com a independência da Ucrânia em 1991, muitos viram as suas condições de vida deterioram-se.
Ilustração de Aurora Sant’Ana
Alguns jovens escritores recorreram ao humor negro e elementos surrealistas, outros socorreram-se de um naturalismo rude para expressar este misto entre a liberdade recém-adquirida, o medo e a desfragmentação da sua realidade. A literatura ucraniana viu-se enriquecida com o discurso falado nas ruas, os dialetos e a condição bilingue, e temáticas sexuais que deram à sociedade uma compreensão profunda de si mesma.
No início do novo milénio, predominava o tema da pessoa abandonada, à procura de raízes e, após a Revolução de Dignidade da Ucrânia em 2014, surgiram temas diversos que retratam a história contemporânea mais recente do país.
OS MAIS ACLAMADOS ESCRITORES CONTEMPORÂNEOS UCRANIANOS
Debruçando-se sobre as complexidades da sociedade ucraniana moderna, explorando temas desde a identidade e memória a questões políticas e sociais, os escritores contemporâneos do país estão a ganhar um reconhecimento internacional crescente. Estes são os que mais conquistam leitores pelo mundo:
Andrei Kurkov (n. 1961)
Autor de uma vintena de romances, livros infantis e guiões de documentários, Kurkov tornou-se um dos mais famosos escritores ucranianos da atualidade, traduzido em 42 línguas, após a publicação de A Morte e o Pinguim. Neste romance, assassinatos contratados, jornalistas executados, corrupção política desenfreada e um ambiente de profundo caos moral alimentam a trama, criando uma imagem humoristicamente sombria da vida ucraniana, espelhando a difícil realidade.
Nas suas obras, mistura elementos de surrealismo e sátira, usando com perspicácia a língua em que escreve, o russo. Assim é em Abelhas Cinzentas, uma metáfora sobre o absurdo da guerra, de 2018. O livro conta a história do apicultor Sergei e do seu vizinho e «animigo» Pashka, os únicos que restam numa aldeia na zona cinzenta do Donbass, a terra de ninguém, sob ocupação russa, onde as forças de Kiev combatem os separatistas. O apicultor viaja através da linha da frente com as suas colmeias, para as salvar, percorrendo ainda as regiões ocupadas de Zaporíjia e da Crimeia.
Os livros de Kurkov, já premiado com o International Booker Prize, são censurados pela Rússia, onde estão proibidos desde 2005.
Serhij Zhadan (n. 1974)
Conhecido pelo seu ativismo e envolvimento tanto na vida política como cultural ucraniana, Zhadan é um escritor que alcança uma grande comunidade de leitores nacional e internacionalmente. Tem já sete romances publicados, mas foi na poesia que se estreou. Em 1990, os seus versos revolucionaram a poesia ucraniana: eram menos sentimentais, revivendo o estilo dos escritores de vanguarda ucranianos da década de 1920.
Zhadan inspira-se na sua pátria, nas paisagens industriais da Ucrânia Oriental, tendo como cenários principais as regiões operárias de Slobozhanshchyna e do Donbass. O seu estilo alterna entre o calão de rua e metáforas explosivas (muitas vezes religiosas), focando-se na vida de grupos marginalizados, tais como a classe trabalhadora e a subcultura juvenil. Apresenta-nos um mundo que experimentou uma mudança radical, mas que continua a viver da tradição, apesar da destruição e da guerra. A linguagem única de Zhadan fornece um retrato vívido, diferenciado e impressionante desta realidade, contando histórias de pessoas desafiantes que contrariam o medo e a destruição.
Em Internato, acompanhamos Pasha, um jovem professor que procura trazer para casa o seu sobrinho de 13 anos que se encontra num internato, numa cidade do leste ucraniano (Donbass) transformada num cenário de guerra. Atravessá-la é um teste de sobrevivência, entre as explosões das minas, estradas destruídas, sem transportes ou redes telefónicas, mulheres, crianças e homens velhos desamparados. Com uma arte narrativa apelidada pela crítica de Jazz verbal, que transforma palavras em desconcertantes imagens, Zhadan descreve, com rigor e um lirismo poético, como a guerra transforma uma paisagem outrora familiar numa realidade apocalíptica, onde a destruição e o medo imperam. O livro tem já uma adaptação ao cinema, The Wild Fields. Depeche Mode, Voroshilovgrad, A Harvest Truce e Mesopotamia, são outros romances acutilantes de Zhadan que podem ser lidos na tradução para inglês.
Oksana Zabuzhko (n. 1960)
É uma das mais lidas intelectuais e escritoras, poetas e ensaístas ucranianas, combinando ficção com o seu próprio imaginário, estilo e ideias filosóficas. A luta de Zabuzhko pela emancipação da cultura ucraniana em relação aos dogmas russos e soviéticos é-lhe tão cara como a luta pela emancipação da mulher.
O seu romance Fieldwork in Ukrainian Sex, publicado em 1996, é considerado o livro mais influente do período da pós-independência da Ucrânia, tendo permanecido na lista dos mais vendidos durante mais de uma década. Embora seja uma história de amor no seu cerne, é também autobiográfico, e explora a história do povo ucraniano. A autora discorre sobre a crise de identidade que sentiu aos seus 30 anos e que coincidiu com a vivida pelo seu país, 15 anos após a independência, com as inerentes questões pós-coloniais, discorrendo ainda sobre relações de género e estereótipos culturais. Oksana abordou a sexualidade feminina com uma abertura que causou choque e entusiamos entre os leitores ucranianos.
Museum of Abandoned Secrets é o seu romance mais épico, viajando entre diferentes épocas (II GM, URSS estalinista e atualidade) e refletindo sobre como a Ucrânia pode reviver a sua cultura nacional após décadas de opressão cruel de regimes totalitários. Em 2020, publicou Your Ad Could Go Here, um livro de contos de arrebatadores, em que explora como as coisas são, e como poderiam ser.
A literatura ucraniana é uma componente vital do património cultural da nação. Tem ajudado a moldar a identidade do país, a promover o uso da língua ucraniana e a oferecer uma perspetiva única sobre a história e o futuro da nação. Pelas suas vivências, os escritores ucranianos têm criado obras que são um retrato da humanidade no seu estado mais puro e que devem, mesmo, ser lidas.
Nota: Este artigo foi originalmente publicado na Revista Wookacontece n.º 9 , em Maio de 2023
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-0-03660-5 |
| Editor: | Porto Editora |
| Data de Lançamento: | maio de 2023 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 152 x 235 x 19 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 248 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 978972003660510 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
A morte e o pinguim
Rui Pinto
Um livro divertido, comovente, que coloca o leitor a par a vida de um homem bom, que vive de certo modo solitariamente, e a quem tudo acontece. A sua dedicação a um pinguim de estimação e a anunciada separação do animal, leva-o a tomar uma atitude estranha e radical. Recomendo.
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