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A Frente Interna da Grande Guerra

de António José Telo, Nuno Andrade e João Vieira Borges
Editor: Fronteira do Caos, outubro de 2019 ‧
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O centenário da Grande Guerra foi marcado pela publicação de dezenas de obras coletivas e individuais, algumas delas inovadoras e trazendo novos elementos para a compreensão da beligerância portuguesa. Curiosamente, muito poucas trataram do que podemos chamar a Frente Interna, o quinto teatro de operações português na Grande Guerra, a somar à Flandres, Angola, Moçambique e Frente Naval.

Alguns negarão a existência desta frente, argumentando possivelmente que os combates travados se deram dentro de fronteiras e que aqui não estava presente o inimigo tradicional nas outras, ou seja, a Alemanha e os seus aliados. A verdade é que, entre 1914 e 1919, Portugal viveu numa situação de elevada instabilidade e confrontos violentos quase permanentes.

Neles se incluem três dos confrontos mais sangrentos de toda a 1ª República (as chamadas revoluções de Maio de 1915, Dezembro de 1917 e a chamada guerra civil de 1919); inúmeros golpes e pronunciamentos, desde o Movimento das Espadas de começos de 1915, às revoltas anti-sidonistas de 1918; amotinações no seio das Forças Armadas e de segurança, como recusa de obedecer a ordens, recusa aos embarques, levantamentos de ranchos, etc.; confrontos violentos em todos os anos um pouco por todo o Portugal, tanto nas cidades como nas zonas rurais, mas concentrados em Lisboa, onde se incluem movimentos únicos, como a revolução da batata, vagas de assaltos coordenados, greves violentas com intervenção das Forças Armadas, assaltos a comboios, etc., etc.

Do ponto de vista do sistema de segurança, este sofre várias alterações profundas e conhece novidades em termos de criminalidade como a proliferação do mercado negro, a explosão do contrabando, a imposição do racionamento, a resistência à requisição forçada das colheitas e tantos outros, todas elas trazendo consigo um imenso cortejo de confrontos violentos, com mortos e feridos.

Todos estes fenómenos estão diretamente ligados à guerra e, sobretudo, à beligerância desde 1916. Esta provoca uma profunda clivagem na sociedade portuguesa, que deixa de ser no essencial entre republicanos e monárquicos, como acontecia até 1914, para passar a ser entre guerristas e anti-guerristas. No último ano da guerra vemos mesmo nascer em Portugal um regime único e inovador, a chamada República Nova, a que hoje chamamos em regra o sidonismo, que marcará profundamente o futuro, tanto em Portugal como na Europa.

No conjunto, estamos na realidade perante uma quinta frente, um teatro de operações interno, marcado por confrontos violentos e permanentes de tipos muito diferentes, que produzem milhares de mortos e feridos e alteram profundamente Portugal, as suas mentalidades e a maneira de fazer política. É um teatro inovador e fora do normal, com muitos agentes e lados em confronto, com formas de violência organizada anormais e únicas, com um forte envolvimento de todas as instituições do Estado, que muda Portugal para sempre. É uma frente charneira, onde podemos falar de um antes e de um depois, sem dúvida a mais importante para o futuro de Portugal das cinco frentes onde se combateu.

A Frente Interna da Grande Guerra

de António José Telo, Nuno Andrade e João Vieira Borges

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895461011
Editor: Fronteira do Caos
Data de Lançamento: outubro de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 235 x 161 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 295
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficção Contemporânea
Classificação Temática: Livros em Português > História > História Militar
EAN: 9789895461011

Um contributo para a historiografia da I República

Jorge Mota

O título da obra faz justiça ao seu conteúdo, pois a Grande Guerra acabou por ter uma frente em Portugal. Não só a crise económica e financeira, como a instabilidade social e política, que gerou um clima de quase guerra civil. Uma investigação muito útil para compreender as vicissitudes geradas pela entrada na guerra e/ou acicatadas pela decisão de nos envolvermos militarmente na frente da Flandres. Uma leitura obrigatória para quem procurar compreender este período histórico tão intenso e polémico.

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