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A Floresta de Birnam

de Eleanor Catton
Livro eBook
Editor: Bertrand Editora, julho de 2023 ‧
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A Floresta de Birnam. É este o nome do coletivo de cultivo de guerrilha que Mira Bunting fundou há cinco anos. Organização ilegal, cujas ações se concretizam na fronteira do crime e do altruísmo na Nova Zelândia, é um grupo ativista que, na clandestinidade, cultiva terrenos nos quais ninguém repara.

Há já algum tempo que o grupo se esforça por ser autossuficiente, e, por fim, Mira parece descobrir uma possibilidade. Aquilo que lhes permitirá resistir a longo prazo resulta de um deslizamento de terras junto ao desfiladeiro de Korowai, que cortou a passagem para a cidade de Thorndike. A Natureza cria assim uma oportunidade na forma de uma grande quinta aparentemente abandonada.

Contudo, Mira não é a única com os olhos postos em Thorndike, pois Robert Lemoine chegou primeiro. Um enigmático multimilionário norte-americano, que construiu a sua fortuna em cima das novas tecnologias, quer ali construir um bunker para fazer frente ao apocalipse — ou é isso que diz a Mira quando se cruzam na propriedade.

Seduzido pela audácia desta, Lemoine sugere-lhe que se sirva daquelas terras. Mas será que podem confiar nele? E, quando a ideologia enfrentar o teste derradeiro, podem os elementos do grupo confiar uns nos outros? Além disto, a colisão entre dois mundos desencadeará uma reflexão brilhante de intenções, ações e consequências que colocam, em última instância, uma questão: até onde está cada um de nós disposto a ir para assegurar a sua própria sobrevivência — e a que custo?

«Um desempenho de mestre: enredo elaborado, escrita perfeita, leitura imparável.»
The Guardian

«A história sombria e brilhante desta vencedora do Booker Prize sobre o confronto entre um coletivo ecologista e um multimilionário faz explodir a noção de capitalismo solidário.»
The Guardian

«Subtil, por vezes sarcástico e trágico, de grande sensibilidade. Abordando temas como as alterações climáticas, o cancelamento e a liberdade de expressão, a apropriação cultural, a nossa relação com as novas tecnologias, as diferentes modalidades da discriminação, a sustentabilidade e o capitalismo exacerbado — é fundamentalmente sobre moralidade.»
The Spectator

«Em pouco tempo, o romance começa a questionar a natureza do Bem num mundo comprometido e comprometedor. Transforma-se gradualmente numa interrogação sincera sobre a relação entre a moralidade e a capacidade de promover mudanças positivas. Se A Floresta de Birnam é uma exploração do idealismo, as suas personagens são os diferentes olhos através dos quais Catton quer que o consideremos.»
The Atlantic

«Complexo e muitas vezes chocante. A maior reviravolta deste romance não é tanto um acontecimento em particular, antes a constatação de que este é um livro em que tudo o que as personagens escolhem fazer tem importância, embora não da forma que possam ter previsto. Catton domina profundamente a forma como as perceções conduzem a uma escolha e como a escolha, para a maioria de nós, é um ato de autodefinição.»
The New Yorker

«Um livro sobre clima, comunidade, capitalismo e vigilância. À primeira vista, não é um romance que se assemelhe a Os Luminares — saga histórica ambientada na corrida do ouro de 1860, com um elenco de personagens semelhante a uma constelação. A intuição de Catton, contudo, vai no sentido de que a época atual também pode constituir uma conjuntura histórica decisiva.»
Financial Times

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Ler é um Carnaval

Seja pela festa de gente mascarada ou pela festa de ler gente que ainda está a encontrar a sua máscara, ler permite sempre ver que, atrás de uma coisa, está sempre outra coisa. Vamos a alguns exemplos. O país do Carnaval Começámos por aqui, só por ser a opção mais fácil. E porque é a opção que tem Jorge Amado. Lê-lo é sempre uma festa, mesmo que no texto esteja qualquer coisa que nos vá pôr peso no estômago.
Aqui, temos o primeiro romance do escritor brasileiro. Publicado em 1931, foi a porta de entrada para o vendaval que viria de seguida. A imagem do Brasil aparece como coisa panorâmica. Paulo Rigger, ao voltar para o país após sete anos em Paris, já não sabe bem o que vê na sua terra natal: de um lado, há uma imagem festiva; do outro, há a vida a existir a partir dos escombros. No fim, Paulo lá resolve regressar à Europa, ido do porto do Rio de Janeiro, deixando para trás uma cidade marcada pelo ritmo e pelas cores do Carnaval. QUERO LER!








  Os homens não choram Ler é este Carnaval de emoções – da confusão à pura angústia. Coitado do Gui, tanta pressão logo desde o berço. No início, era feliz, que é como as crianças devem ser, mas depois começou a ficar preocupado. A fita métrica marcava cada vez mais centímetros e ele bem sabia o que aquilo queria dizer: de menino, ia passar a homem. Não sabia bem o que era isso, ou o que era suposto fazer. Com o avô, tinha sido mais fácil – ouvira a história de que o serviço militar é que o ensinara a ser homem. Lá começou a prestar atenção aos homens que via na rua e na televisão: uns competitivos, outros fanfarrões, outros armados em espertos. Sem se ensaiar muito, fez o mesmo, e aquilo deu problemas na escola. Findo o dia, sentia-se mal – e começou a chorar, sentindo-se a seguir pior por isso. Até que alguém lhe disse que não havia crise, que os homens também choravam. QUERO LER!

  A minha incrível escola A escola do Henrique é muito melhor do que a minha. Diria mesmo que aquilo sim, é um Carnaval, uma festa, uma alegria. A colega que mostra a escola ao Henrique diz-lhe que a escola não é nada de especial, mas que mais se pode querer do que uma lula gigante como mascote da turma? O professor de música é uma estrela de rock, ninguém quer saber das equações, há uma nave espacial na sala de ciências, sai-se do edifício por um escorrega gigante para atalhar caminho. O recreio é um espetáculo, com um parque de diversões em cima de uma árvore – embora a colega do Henrique continue a dizer-lhe que aquilo não é nada de especial. Na cantina, o puré de batatas explode; na biblioteca, os sortudos perdem-se entre tantos livros. No final, a colega, que acha tudo aquilo banal, em vez de apanhar o autocarro, leva boleia da mãe para casa – e vai de nave espacial. QUERO LER! O raposo e a estrela Aqui o Carnaval é outro – é o Carnaval da coetaneidade. A Floresta de Birnam é um coletivo de cultivo de guerrilha, fundado na Nova Zelândia cinco anos antes da ação. O grupo cultiva terrenos em que mais ninguém repara, e quer fazê-lo longe dos olhares curiosos. Ora, esses terrenos são os mais apetecíveis para quem quer fazer coisas ilegais, tal como Robert Lemoine, que enriqueceu com drones e a quem a fortuna não basta. Ao longo da leitura, o ponto alto são as contradições entre os ativistas, até porque, mais do que explorar os contrastes entre o preto e o branco, a autora quis explorar os que existem no cinzento. Ver isto é uma festa. Raras vezes estes temas terão sido tratados com tanta delicadeza e tanta sensatez – e, sobretudo, com tanta vontade de dizer e explorar. Volta e meia, o leitor até chega a ter vontade de se meter nas conversas. Não o faz por dois motivos: seria falta de educação e isto é um romance. QUERO LER!

A Floresta de Birnam

de Eleanor Catton

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722545204
Editor: Bertrand Editora
Data de Lançamento: julho de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 238 x 25 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 416
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722545204
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Eleanor Catton

Eleanor Catton é autora de Os Luminares, livro com o qual venceu o Man Booker Prize em 2013 — sendo até hoje a mais jovem vencedora deste que é um dos mais prestigiantes prémios literários do mundo —, e de O Ensaio, o seu romance de estreia, também ele premiado. Enquanto guionista, adaptou Os Luminares para televisão, e escreveu o guião de Emma, baseado no romance de Jane Austen, para cinema. Nascida no Canadá e criada na Nova Zelândia, vive atualmente em Cambridge, em Inglaterra. O seu nome faz parte da seleção do ano de 2023 da Granta’s Best of Young British Novelists. A Floresta de Birnam é o seu terceiro romance.

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