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A Despedida

Onde fica o cemitério das gaivotas?

de Eduardo Palaio
Editor: Edições Colibri, junho de 2022 ‧
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Pouca gente, numa vida inteira, teve ocasião de, enquanto jovem, ver chegar o fim, a morte: "já está!". Ter estas duas palavras entre os dentes. E o ponto de exclamação. Igual ao frio que sente quem, com os pés pesados, está no centro do alçapão que vai deixar de ser tábua, substituído por abismo… a tropa do pelotão de fuzilamento apoia os dedos nos gatilhos, as cabeças descaem os turbantes para a altura dos canos das armas. Afinam a pontaria. Um sussurro de pés nas últimas filas. As costas do Manuel Matos contam os pingos de suor, frios, muito frios, um, dois, três, outro. Escorrem salgados por entre as nádegas, magras.

… o mastro erguido que navega nas ondas deixou de ser carne do freixo: os do bote do Mosca morrem todos afogados, o Malfeito naufraga e morre a companha toda, o bote do Pardal foi pelo mar abaixo e foi dar a Aveiro, o S. Pedro, do António Policarpo, afundou. Os pescadores de mar desapareceram. O que se levanta aos céus não é um freixo é uma chaminé de fábrica. Uma geração vai uma geração vem, houve um tempo em que os velhos e os novos viviam no mesmo tempo: não é o caso presente.

"… mais cinco mais dez anos morrem, ou pior, nem sabem que ainda cá estão" - isto é o que se diz dos protagonistas. São mais de vinte, a maioria dos homens esteve na guerra, o que por lá fizeram será contado; é gente cultivada, um sabe tudo de sinónimos, outro é assíduo leitor de Homero e Virgílio. Suspeita-se de uma reencarnação. Em certo sentido este livro é uma encomenda patética.

A Despedida

Onde fica o cemitério das gaivotas?

de Eduardo Palaio

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895661992
Editor: Edições Colibri
Data de Lançamento: junho de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 214 x 172 x 22 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 384
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895661992

SOBRE O AUTOR

Eduardo Palaio

Em 1980, começou pela literatura infantil com o livro "Pinta-o às Bolinhas Azuis" (Edit. Plátano). Em 2010 foi galardoado com o Prémio Nacional do Conto Manuel da Fonseca que voltou a ganhar na recente edição de 2024, em 2011 recebeu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. Teve ainda distinguidos vários trabalhos na área do conto e da literatura juvenil. Últimos trabalhos publicados: "A Peregrinacão de Artur Vilar" (Edit. Miosótis); "Caixa Baixa" (Edit. Colibri); "Os Dez de Tanger" (Edit. Clube do Autor); "A Despedida" (Edit. Colibri) e "Tipografia, Narrativas de uma Arte Universal" (Edit. Colibri). Natural do Seixal, dedica-se ainda a artes gráficas, com relevo para o desenho, ilustração, a pintura e o mural, tendo começado pelo cartoon na antiga revista "Mundo Ri" da direção de José Vilhena.

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