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A Constituição de 1822 em Processo

de Fernando Cabral Pinto
Editor: LisbonPress, setembro de 2022 ‧
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A palavra revolução contém a ideia de ruptura entre dois regimes, o novo que, por um acto de força, derruba o velho e o velho que, pelo mesmo acto de força, é forçado a abdicar do poder que o sustentava. Este critério conceptual não é rigoroso porque ignora a dialéctica que na revolução se desenvolve entre a ruptura e a continuidade.

Na revolução portuguesa de 1820 e nos debates e decisões das cortes constituintes a ruptura foi sempre condicionada pela vertente da continuidade. Os que tomaram a iniciativa da ruptura não pouparam esforços para convencer o povo, os militares e a nobreza da sua fidelidade às instituições e aos valores da tradição.

Nas cortes constituintes, o propósito natural dos deputados mais conservadores era defender o mais possível a vertente da continuidade. Porém, também os próprios deputados liberais, incluindo os mais radicais, estabeleceram voluntariamente limites à dimensão da ruptura que a revolução poderia potenciar.

O autor mostra este facto nomeadamente nas questões da liberdade de imprensa, do direito de voto e dos forais. Mas não deixa de reconhecer que os constituintes trouxeram à luz direitos e princípios irrefragáveis que se projectaram, consolidaram e aprofundaram nas constituições revolucionárias posteriores. É nesse sentido que podemos ver nelas a constituição de 1822 em processo.

Aqui se inclui um anexo sobre J. V. Barreto Feio, um oficial do exército que esteve envolvido nas lutas políticas e parlamentares travadas em torno do constitucionalismo na primeira metade do século XIX. O objectivo não consistiu em apresentar uma biografia sistemática deste militar que, declaradamente, teve como único partido a classe dos oprimidos; apenas se pretendeu evocar alguns momentos do seu percurso revolucionário e parlamentar, dar conta dos seus escritos políticos e chamar a atenção para os seus trabalhos referentes à tradução de autores clássicos e à edição crítica das obras de Gil Vicente e Camões.

A Constituição de 1822 em Processo

de Fernando Cabral Pinto

Propriedade Descrição
ISBN: 9789893743645
Editor: LisbonPress
Data de Lançamento: setembro de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 229 x 28 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 376
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Outras Formas Literárias
EAN: 9789893743645

SOBRE O AUTOR

Fernando Cabral Pinto

Fernando Cabral Pinto é Doutor em Ciências da Educação pela Universidade do Porto e Mestre em filosofia contemporânea pela Universidade de Coimbra. Tem desenvolvido atividades de docência e investigação nas áreas da filosofia da história, da política e da educação. Publicou, entre outros, os seguintes livros: A Heresia Política de Espinosa, Livros Horizonte, Lisboa, 1990; A Formação humana no projeto da modernidade, Instituto Piaget, Lisboa, 1996; Sócrates, um "filósofo bastardo" (2ª edição), Instituto Piaget, Lisboa, 2002; A idade da realização, na história da vida, na vida da história, Instituto Piaget, Lisboa, 2011; Educação, História e políticas. Tributo a Rogério Fernandes (coord.), Edições Piaget, Lisboa, 2015.

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