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A Cerâmica Comum das Villae Romanas de São Cucufate (Beja)
Editor:
Universidade Lusíada Editora, abril de 2003 ‧
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SINOPSE
A cerâmica comum foi sempre a parente pobre da grande família das cerâmicas romanas. Apesar de ser a mais abundante nos sítios de habitação, e aquela que preenchia as necessidades quotidianas de recipientes na cozinha, na despensa, à mesa, tem sido pouco aproveitada e pouco estudada. Esta tese surgiu da convicção de que a cerâmica comum tem um potencial de informação em larga medida inexplorado, e a capacidade de dar preciosas informações sobre a vida económica e social da região onde foi utilizada. O material escolhido foi o da villa romana de São Cucufate (Beja), ou seja, toda a cerâmica comum recuperada pelas escavações luso-francesas nas três villae que do século I d.C. até ao século V foram construídas e remodeladas umas sobre as outras.
A metodologia baseou-se na elaboração de tipologias independentes de fabricos e de formas, na quantificação de todo o material classificável, e na sua relação com seis horizontes cronológicos de ocupação da villa. Para enquadrar as formas, definiram-se categorias morfológico-funcionais, tipos, formas e variantes. O estudo das pastas, feito pela geóloga Anne Schmitt (Unité Mixte de Recherche 5138 - Archéométrie et Archéologie, Lyon), definiu 12 grupos petrográficos, alguns deles com vários tipos de fabrico.
O confronto da caracterização dos fabricos com a geologia da região permitiu distinguir produções regionais, de regiões próximas, como os vales do Sado e do Tejo, e de regiões distantes como a Bética e o Norte de África. Destaca-se a enorme importância das produções regionais, que sugere a total auto-suficiência da região relativamente a todos os tipos de recipientes necessários ao dia a dia, e um relativo desinteresse por outras cerâmicas vindas de fora e de maior qualidade técnica, como a cerâmica caulinítica e a cerâmica comum africana, a que não será alheia a interioridade geográfica de São Cucufate. O facto das produções regionais serem maioritariamente feitas com argilas que não existem nos arredores de São Cucufate mas a sul e a sudoeste, na zona dos gabros de Beja, bem como a presença dos mesmos tipos de cerâmica noutras estações do território de Beja, revela o dinamismo da economia de mercado regional.
As formas e os tipos de recipientes de São Cucufate revelam ainda uma romanização profunda, com a presença firme do prato raso, do almofariz, do alguidar e da bilha, que não existem no repertório pré-romano, e são indicadores de uma cultura alimentar e hábitos de mesa tipicamente romanos. Por outro lado, as proporções da loiça de cozinha revelam que a panela, típica da alimentação tradicional à base de sopas, papas de cereais e alimentos cozidos em água abundante, é sempre maioritária e vai aumentando com o tempo. Os pratos, que reflectem uma alimentação mais evoluída e rica em alimentos sólidos, representam um quarto da loiça de cozinha até meados do século II e depois decrescem. Constata-se um progressivo retorno a uma alimentação mais tradicional, embora os hábitos romanos se mantenham presentes pelo menos até meados do século V.
A metodologia baseou-se na elaboração de tipologias independentes de fabricos e de formas, na quantificação de todo o material classificável, e na sua relação com seis horizontes cronológicos de ocupação da villa. Para enquadrar as formas, definiram-se categorias morfológico-funcionais, tipos, formas e variantes. O estudo das pastas, feito pela geóloga Anne Schmitt (Unité Mixte de Recherche 5138 - Archéométrie et Archéologie, Lyon), definiu 12 grupos petrográficos, alguns deles com vários tipos de fabrico.
O confronto da caracterização dos fabricos com a geologia da região permitiu distinguir produções regionais, de regiões próximas, como os vales do Sado e do Tejo, e de regiões distantes como a Bética e o Norte de África. Destaca-se a enorme importância das produções regionais, que sugere a total auto-suficiência da região relativamente a todos os tipos de recipientes necessários ao dia a dia, e um relativo desinteresse por outras cerâmicas vindas de fora e de maior qualidade técnica, como a cerâmica caulinítica e a cerâmica comum africana, a que não será alheia a interioridade geográfica de São Cucufate. O facto das produções regionais serem maioritariamente feitas com argilas que não existem nos arredores de São Cucufate mas a sul e a sudoeste, na zona dos gabros de Beja, bem como a presença dos mesmos tipos de cerâmica noutras estações do território de Beja, revela o dinamismo da economia de mercado regional.
As formas e os tipos de recipientes de São Cucufate revelam ainda uma romanização profunda, com a presença firme do prato raso, do almofariz, do alguidar e da bilha, que não existem no repertório pré-romano, e são indicadores de uma cultura alimentar e hábitos de mesa tipicamente romanos. Por outro lado, as proporções da loiça de cozinha revelam que a panela, típica da alimentação tradicional à base de sopas, papas de cereais e alimentos cozidos em água abundante, é sempre maioritária e vai aumentando com o tempo. Os pratos, que reflectem uma alimentação mais evoluída e rica em alimentos sólidos, representam um quarto da loiça de cozinha até meados do século II e depois decrescem. Constata-se um progressivo retorno a uma alimentação mais tradicional, embora os hábitos romanos se mantenham presentes pelo menos até meados do século V.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789728397265 |
| Editor: | Universidade Lusíada Editora |
| Data de Lançamento: | abril de 2003 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 298 x 209 x 35 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 704 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Teses de Doutoramento |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Arte
>
Cerâmica
|
| EAN: | 9789728397265 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
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