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Uma Questão de Conveniência

by Sayaka Murata
Book eBook
Publisher: Dom Quixote, February of 2019 ‧
15,50€
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Keiko foi sempre estranha - e os pais perguntam-se onde encaixará ela no mundo real. Por isso, quando a rapariga resolve ir trabalhar para uma loja de conveniência, a notícia é recebida com entusiasmo, até porque na loja ela encontra um mundo bastante previsível, que domina com a ajuda de um manual e copiando os colegas até na forma de falar.

Mas aos 36 anos é ainda na mesma loja de conveniência que trabalha, e além disso nunca teve um namorado, frustrando as expectativas da sociedade… Embora Keiko não se importe com isso, sabe que a família e os amigos estão mais ou menos desesperados. Um dia, porém, é contratado para a loja um rapaz com o qual Keiko tem algumas afinidades. Não será então aconselhável para ambos um relacionamento?

Sayaka Murata, uma das vozes mais originais e talentosas da ficção contemporânea japonesa, capta brilhantemente a atmosfera de uma loja de conveniência e satiriza as obsessões que regem a sociedade contemporânea e a pressão exercida sobre as mulheres no sentido de cumprirem expectativas alheias, com o pretexto de terem uma vida normal.

Uma Questão de Conveniência, que venceu o prémio Akutagawa e foi traduzido em mais de vinte países, é o retrato de uma heroína deliciosa que promete ser tão memorável como Amélie Poulain.

«Um dos melhores livros de ficção de 2018.»
The Guardian

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Num mundo à parte

Há personagens que não estão apenas deslocadas, estão fora. Fora da comunidade, fora da norma, fora da linguagem comum. Não pertencem porque não sabem, porque não querem, porque recusam ou porque o mundo nunca lhes abriu verdadeiramente a porta. A literatura está cheia destas figuras que vivem num mundo à parte, não como excentricidade, mas como condição. Os cinco livros que se seguem partilham esse lugar. Não procuram integrar as suas personagens nem oferecer trajetos de superação. Limitam-se a acompanhá-las enquanto permanecem à margem, obrigando-nos a permanecer ali também, sem atalhos nem conforto. Eu que Não Conheci os Homens, de Jacqueline Harpman Em Eu que Não Conheci os Homens, Jacqueline Harpman parte de uma situação extrema para abordar temas fundamentais. Um grupo de mulheres vive encarcerado numa cela subterrânea, vigiado por guardas que nunca comunicam nem explicam a razão do cativeiro. Entre elas está uma jovem, capturada ainda criança, que nunca conheceu o mundo exterior nem qualquer forma de vida fora daquele espaço confinado. Um dia, sem qualquer explicação, ouvem-se sirenes, os guardas abandonam o local e a porta da cela abre-se. O alívio sentido pelas outras mulheres não é partilhado pela protagonista, que vê no mundo exterior um espaço mais hostil do que a cela onde passou toda a vida. A liberdade, em vez de abrir possibilidades, transforma-se numa forma de desorientação, e a jovem aventura-se, pela primeira vez, num território que não sabe habitar.
O interesse do livro não está na explicação da situação, mas na experiência de uma consciência sem referências culturais, sociais ou afetivas. Harpman constrói uma voz narrativa fria, lógica e muito controlada, que observa tudo com uma clareza quase científica. Esta escolha estilística dá ao romance uma força rara, porque nos obriga a confrontar ideias fundamentais sobre liberdade, identidade e conhecimento. É um livro breve, radical e profundamente perturbador, que continua a fazer sentido. Num tempo em que procuramos livros que nos prometam respostas e soluções, esta obra aceita o vazio como condição e não como falha.

COMPRO NA WOOK! » Uma questão de conveniência, de Sayaka Murata Sayaka Murata, em Uma Questão de Conveniência, parte de um quotidiano banal para observar o desconforto de quem nunca se encaixa. Keiko trabalha há quase vinte anos numa loja de conveniência em Tóquio. O seu dia a dia, feito de regras claras, frases padronizadas e comportamentos previsíveis, dá-lhe uma sensação de ordem e equilíbrio. Fora da loja, porém, tem dificuldade em compreender as expectativas sociais ligadas à carreira, ao casamento ou à ambição pessoal e limita-se a reproduzi-las para evitar conflitos, sem nunca as interiorizar. O romance constrói-se nesse confronto entre adaptação e incompreensão, e a escrita de Murata, aparentemente simples, mantém uma ironia constante que questiona a própria ideia de normalidade. O livro não procura explicar nem corrigir a protagonista, prefere acompanhá-la, deixando que a sua forma de estar revele, sem dramatismos, o carácter arbitrário de muitas regras sociais que tomamos como naturais. COMPRO NA WOOK! » A Parede, de Marlen Haushofer Durante uma estadia numa casa de campo, uma mulher descobre que uma parede invisível a separa do resto do mundo. Apercebe-se de que tudo do outro lado está imóvel, como se a vida tivesse sido interrompida. Sem qualquer explicação para o que aconteceu, fica reduzida a esse espaço e vê-se obrigada a reorganizar a sua existência em completo isolamento, sobrevivendo através da agricultura, da caça e da convivência com animais. O romance recusa o suspense e a especulação sobre a origem da parede, concentrando-se antes no quotidiano, na repetição dos dias, na adaptação do corpo e na transformação gradual da protagonista à sua nova realidade. A escrita é contida, precisa, atenta aos gestos mínimos e às tarefas mais simples, e é precisamente aí que reside a sua força. A Parede, de Marlen Haushofer, vale pela coerência do olhar e pela forma como transforma uma situação inverosímil numa reflexão sobre autonomia e resistência, sem nunca ceder à tentação de oferecer respostas fáceis.

COMPRO NA WOOK! » Bartleby, o Escrivão, de Herman Melville É quase impossível falar de personagens que vivem num mundo à parte sem referir um dos exemplos mais desconcertantes da literatura. Bartleby é contratado para trabalhar num escritório de advogados em Wall Street e, durante algum tempo, cumpre as suas funções em silêncio e sem incidentes. Até que, perante um pedido simples, responde pela primeira vez: «Preferia não o fazer.» A partir daí, essa recusa calma e repetida começa a desorganizar todo o funcionamento do escritório. Não há explicações psicológicas nem morais para o comportamento do funcionário e o leitor é convidado a observar o embaraço de um sistema que não sabe lidar com alguém que não se revolta, mas também não colabora. Melville constrói este conto em torno dessa frase mínima e das reações que provoca, e é essa ambiguidade que torna Bartleby, o Escrivão inesgotável e que explica a sua permanência como um dos textos mais atuais sobre trabalho, alienação e recusa silenciosa.

COMPRO NA WOOK! » Fome, de Knut Hamsun Em Fome, de Knut Hamsun, acompanhamos um escritor pobre que vagueia por Oslo numa luta contra a falta de comida, a precariedade material e a degradação progressiva do pensamento. Orgulhoso, contraditório e instável, o jovem recusa ajuda, mente, delira e tenta preservar uma ideia de dignidade enquanto o corpo e a mente se desorganizam. O romance não se define tanto pela sucessão de acontecimentos, mas pela forma como a linguagem acompanha esse colapso. O texto avança aos solavancos, muda de tom, perde controlo e recupera-o momentaneamente, espelhando o estado físico e mental do narrador. Fome destaca-se pela intensidade da escrita e pelo modo como antecipa uma literatura centrada na consciência fragmentada, sem qualquer tentativa de suavizar a experiência da carência ou da humilhação.

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Uma Questão de Conveniência

by Sayaka Murata

Property Description
ISBN: 9789722066631
Publisher: Dom Quixote
Release Date: February of 2019
Language: Portuguese
Dimensions: 157 x 238 x 10 mm
Cover: Softcover
Pages: 168
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722066631

Leitura leve

Fernanda

Uma breve e simples história de uma mulher de 36 anos que não "vive" dentro dos padrões que a sociedade exige. Acaba por ser uma leitura leve que nos leva a refletir.

Um olhar peculiar sobre a sociedade contemporânea

Susna

O romance levanta questões sobre a autenticidade e a importância de sermos fiéis a nós mesmos, mesmo diante da pressão para se encaixar. Keiko, com sua visão de mundo única, mostra que a felicidade não está necessariamente ligada à conformidade. Desafia os padrões sociais e nos convida a refletir sobre o que significa ser "normal".

Absolutamente Genial!

Sofia S.

Estamos perante personagens nada convencionais inseridas numa sociedade que tenta ser convencional e tem dificuldade em aceitar o que foge da norma. Um bocado como este livro, que conta uma história nada convencional - talvez seja por isso que, mesmo na nossa sociedade ocidental ligeiramente mais aberta, haja alguma resistência a este livro. Lê-se rápido e de forma compulsiva e é tão desconcertante que é impossível ficar-lhe indiferente. Não espere um romance ou o tradicional happy ending. É uma experiência de leitura muito diferente do que existe aos pontapés no mercado literário e é, por isso, uma sugestão muito interessante para quem deseja ler algo fora da caixa.

Leitura de férias

Susana Figueira

Uma história simples, que pode parecer até demasiado simples, mas que nos vai fazendo pensar em como, em qualquer parte do mundo, somos "forçados" a ser o que os outros acham que temos de ser... Não sendo uma leitura arrebatadora, antes leve, gostei.

sem interesse

rita dias

talvez porque a cultura é tão diferente da nossa, não achei que o livro fosse interessante. as personagens são muito planas e sem qualquer tipo de caracter o que acabou por fazer com que a historia se tornasse demasiada aborrecida.

Curiosamente estranho...

Liliana, autora de: Um Blog entre Bibliotecas

(...)...É uma fascinante crítica social, cómica e dramática, que apesar de ter sido uma leitura estranha, também gostei precisamente dessa vertente, lá original é este livro, esta forma de narrativa, lê-se mesmo muito bem, sempre com algo interessante e curioso a acontecer, é uma leitura leve e divertida, recomendo para quem anseia por uma leitura original e diferente.(...)

Estranho que se entrenha

Vera Sôpa

Quando vi este livro não percebi que era um romance. Depois, vi uma crónica sobre o mesmo e soube que tinha de o ler. Num instantinho. A sociedade não aceita bem a diferença. Todos têm de encaixar num padrão. Keiko era estranha. Durante 18 anos sentia que fazia parte de algo até que um dia alguém entrou na sua vida. Se não fosse japonês poderia ter outro enredo. Mas, não seria especial. Ou subtil e encantador. Ou comovente e divertido. Não seria tão bom.

Cativante

MJR

Uma reflexão sobre o que é ser normal, como as pessoas que fogem às regras da sociedade lutam para sobreviver e tentar integrar-se sem serem vistas como desvios. Dá que pensar

ABOUT THE AUTHOR

Sayaka Murata

Sayaka Murata nasceu em Inzai, no Japão, em 1979. Em criança gostava de ler ficção científica e policiais e, aos dez anos, já sonhava escrever romances, pelo que a mãe lhe ofereceu um processador de texto. A família mudou-se para Tóquio quando ela estava na escola secundária e foi na capital que frequentou a Universidade Tamagawa. É uma das mais mediáticas romancistas contemporâneas e os seus livros ganharam prestigiantes prémios literários. Escreveu para a revista Granta e foi nomeada Mulher do Ano pela Vogue japonesa em 2016. Trabalha em part-time numa loja de conveniência na cidade de Tóquio, porque diz que a observação quotidiana das pessoas num lugar como esse é francamente inspiradora para a sua obra. A escrita de Sayaka Murata explora o inconformismo com as regras sociais, especialmente no tocante ao papel das mulheres, à paternidade, à assexualidade e ao celibato voluntário.

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