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Três Tristes Tigres

by Guillermo Cabrera Infante
Publisher: Quetzal Editores, May of 2012 ‧
19,90€
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Tês Tristes Tigres é um dos mais importantes romances da idade de ouro da literatura latino-americana. Fugindo à corrente do realismo mágico (e publicado no mesmo ano em que Cem Anos de Solidão), Três Tristes Tigres é uma narrativa polifónica, em que a experimentação da linguagem e dos seus limites serve o retrato uma Havana pré-revolucionária e uma espécie de diário íntimo dos seus principais narradores (e também objetos da narrativa): Códac, um fotógrafo; Eribó, um músico; Silvestre, um ator; e Bustrófedon, poeta morto que sobrevive através dos registos das suas experimentações linguísticas. As noites nos bares da noite havanesa e a música, o álcool, o sexo, a literatura, as drogas, as putas, os homossexuais e bissexuais são o cenário vivo das conversas, confissões, fantasias e desventuras destes jovens que, cativos de uma realidade medíocre e sem futuro, conseguem sobreviver graças às ideias, à amizade e ao humor.

«Extraordinário que alguém consiga escrever uma prosa brilhante em mais do que uma língua; extasiamo-nos perante um Nabokov, um Becket, um Cabrera Infante.»
Susan Sontag

«Duvido que algum livro mais divertido tenha sido escrito em espanhol desde Dom Quixote.»
New York Times

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Wook se escreve em Cuba – Parte II

Depois de, na semana passada, termos apresentado o premiado Leonardo Padura, o desenfreado Pedro Juan Gutiérrez e a resistente e poética Wendy Guerra, olhamos agora para mais quatro grandes escritores que fazem da literatura cubana universal. Esta semana, apresentamos já três dos mais icónicos.

Nota: Este artigo foi originalmente publicado na Revista Wookacontece nº 13, de novembro de 2024   REINALDO ARENAS Reinaldo Arenas (1943-1990), romancista, dramaturgo e poeta dissidente, foi expulso de Cuba e condenado ao exílio. Chegou a publicar sem a autorização da UNEAC (Unión Nacional de Escritores y de Artistas de Cuba), que confiscou e destruiu algumas das suas obras. Vítima das perseguições movidas pelo regime castrista aos homossexuais, e sobretudo por criticar o governo, foi aprisionado num campo de reeducação. Quando, em 1980, pôde finalmente sair de Cuba, acabou por se instalar em Nova Iorque onde, padecendo de sida, se viria a suicidar em 1990.
Arturo La Estrella MÁs Brillante, uma pequena obra-prima, é o seu relato lírico e alucinante enquanto prisioneiro dos campos de reeducação do regime castrista, entre 1974 e 1976, e ao mesmo tempo um testemunho belo e chocante – uma única frase de 110 páginas em que Arenas ficciona a sua experiência dolorosa. Aqui temos homens enlouquecidos pela «realidade intolerável»: uns sucumbem, outros resistem, todos enlouquecem.
A autobiografia de Reinado Arenas, Antes que Anoiteça, adaptada ao cinema em 2000, é um relato que vai desde a infância, quando vivia no quarto dos criados de uma tia que era informadora da polícia, à descoberta da homossexualidade e à sua repressão, aos encontros com outros escritores, às perseguições e fuga, à chegada à América e a desilusão final. Este que é considerado o mais delirante ajuste de contas na literatura cubana, transporta para a ficção os seres meio monstros, meio vítimas que o castrismo fez nascer, ridicularizando-os.
O segundo romance do escritor, O Mundo Alucinante, um dos romances mais audazes do boom latinoamericano, foi proibido por ser considerado uma alegoria subversiva. Nele, Arenas conta a história de Servando Teresa de Mier, o monge travesso e aventureiro que viveu entre os séculos XVIII e XIX e foi perseguido pela sua heterodoxia religiosa. O monge foi banido, preso inúmeras vezes, percorreu a Espanha de Carlos IV e de Godoy, a França de Chateaubriand e de Madame de Staël, a Inglaterra de Lady Hamilton, a Itália, os Estados Unidos e Cuba. Perseguido pelo Santo Ofício, confrontou-se obstinadamente com a tirania colonial espanhola. O brilhantismo de Arenas faz deste um romance de aventuras com uma dimensão fabulosa e tranbordante de vida, marca indelével da sua obra. COMPRO NA WOOK! » Guillermo Cabrera Infante Guillermo Cabrera Infante (1929-2005), romancista, contista, crítico de cinema e ensaísta, foi o mais proeminente escritor cubano a viver no exílio e o mais conhecido porta-voz contra o regime de Fidel Castro. Em 1998, foi-lhe atribuído o Prémio Cervantes. O tom atrevido e inovador com que escreve os seus romances, ensaios, contos e críticas de cinema é descrito como um género híbrido e novo, a “opinião narrativa”.
Tornou-se um escritor renomado com Três Tristes Tigres, um romance que, à maneira de Ulisses, de James Joyce, relata as aventuras de várias personagens jovens na vida noturna pré-revolucionária de Havana – Códac, fotógrafo; Eribó, músico; Silvestre, ator; e Bustrófedon, poeta morto que sobrevive através dos registos das suas experimentações linguísticas. Todos, cativos de uma realidade medíocre e sem futuro. Um livro divertido, repleto de jogos textuais e trocadilhos de todo o género. Mapa Desenhado por um Espião, publicado postumamente, reúne as suas memórias mais políticas, passando pelo seu desencanto perante a Revolução Cubana e a sua decisão de exiliar-se definitivamente. Persona non grata junto do establishment cultural cubano, acabaria por deixar Cuba e estabelecer-se em Londres. COMPRO NA WOOK! » Zoé Valdés Romancista, jornalista e guionista, Zoé Valdés (n.1959) é autora de uma obra que explora temas como a liberdade, o exílio, a repressão e a identidade, em obras como Pájaro Lindo De La Madrugá. Valdés cresceu em Havana, no meio das privações e do controlo apertado da ditadura castrista. O seu desejo de liberdade levou-a a pedir asilo político em França, aos 24 anos, no que seria o início de uma carreira literária frutuosa, em exílio e sempre crítica do regime castrista, espelhada no livro La Intensa Vida. Vive e publica os seus romances em Paris, mas as suas personagens são sempre cubanas. Valdés foi considerada a precursora do sucesso que os escritores cubanos gozam actualmente em todo o mundo. COMPRO NA WOOK! » Alejo Carpentier Além de escritor, Alejo Carpentier (1904-1980) foi jornalista, musicólogo e crítico de arte, tendo vencido importantes prémios como o Cervantes e o Médicis Étranger. Foi o criador do “real maravilhoso” – na sua opinião, é a melhor definição da idiossincrasia do continente americano –, o estilo que ficaria conhecido como realismo mágico. O Reino deste Mundo é uma das suas obras mais importantes, uma história alucinante passada na corte real haitiana do rei Henri Christophe. O livro expõe a luta pela liberdade dos povos escravizados na sociedade haitiana dos séculos XVIII e XIX, e mostra como a conquista de direitos não termina com os processos revolucionários contra os poderes e impérios que subjugam outros povos.
Autor-diplomata, grande amigo de Fidel Castro e da sua revolução, em toda sua obra Carpentier hesitou entre a tentativa de reconciliar a cultura europeia com a América pré-colombiana e o desespero de constatar impossível tal reconciliação. COMPRO NA WOOK! »

Três Tristes Tigres

by Guillermo Cabrera Infante

Property Description
ISBN: 9789897220098
Publisher: Quetzal Editores
Release Date: May of 2012
Language: Portuguese
Dimensions: 150 x 237 x 26 mm
Cover: Softcover
Pages: 408
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789897220098

Fascinante.

D.

Um livro muito bom, com uma escrita incrível.

Cubano

EH

O livro começou bem , mas descambou.

ABOUT THE AUTHOR

Guillermo Cabrera Infante

Escritor de origem cubana, Guillermo Cabrera Infante nasceu a 22 de Abril de 1929, em Gibara, Cuba, e faleceu a 22 de Fevereiro de 2005, em Londres, Inglaterra.
Filho de pais directamente ligados à política - fundadores, em Gibera, do Partido Comunista - desde cedo se viu confrontado com um forte ambiente de consciência política. Motivado pela profissão dos pais, Cabrera Infante viu-se forçado a mudar para Havana em 1941.
Em 1959 Cabrera Infante era já bastante conhecido pelas fantásticas críticas de cinema que publicava na revista Carteles e por alguns textos e contos que publicava em revistas como Ciclón. Mas foi, indubitavelmente, em 1964 que ganhou notoriedade ao publicar a sua "obra-prima" Tres Tristes Tigres, publicada depois em Espanha, pela Editora Seix Barral, em 1967 (sendo esta a edição mais conhecida e mais referida).
Cabrera Infante exerceu diversos cargos, dentre os quais se destacam os de Presidente do Conselho Nacional de Cultura, Director de Lunes de la Revolución - suplemento cultural do jornal com o mesmo nome, Director Executivo do Instituto do Filme e Adido Cultural da Embaixada da Bélgica, cargo que exerceu de 1962 a 1965 - data em que abandonou o posto por severas críticas ao regime de Fidel Castro, exilando-se, então, em Inglaterra, país que, a partir daí, adoptou como pátria. Mesmo exilado, Cuba sempre esteve presente na vida de Cabrera Infante: a partir de 1966 (data de exílio em Londres), começou um ataque cerrado ao regime de Fidel Castro; no âmbito da sua produção literária, Havana, cidade de eleição, por ser a capital onde tudo de mais importante se passava, marcou indubitavelmente o mundo anedótico de toda a sua obra. Revelando um espírito extremamente combativo e de feroz consciência crítica, Cabrera Infante jamais desistiu de denunciar as realidades cubanas que pretendia combater. Na maioria das suas produções é fácil reconhecer uma contínua preocupação e um interesse fervoroso por recriar, espelhar a linguagem de Havana: os seus sons, as suas músicas, os barulhos das suas ruas, as conversas do seu povo, sempre num realismo acutilante que revelava ao mundo uma dura realidade que muitos pretendiam esconder. O preço que pagou por tal postura foi ter visto, continuamente, as suas obras serem proibidas em terras cubanas, embora disponíveis em toda a Europa e até mesmo nos Estados Unidos da América - em especial em Miami, onde reside uma vasta colónia de cubanos admiradores deste pensador que, sem medos, denuncia a realidade de Cuba castrista. A comprovar este elevado interesse da obra de Cabreara Infante nestas partes americanas é o facto de ter sido condecorado Doutor Honoris Causa pela Universidade da Flórida (EUA).
Denunciava o regime político da sua primeira pátria mas demonstrava um profundo amor pela terra que o vira nascer: Cuba está marcadamente presente em toda a sua prosa - seja ela em novela, em conto ou em simples ensaios; a paixão desmedida por Havana é facilmente reconhecida na fantástica recriação que faz na linguagem, através de jogos sucessivos que nos levam a "adivinhar" esse objectivo de demonstrar tal sentimento.
O aparecimento em Espanha de Tres Tristes Tigres foi um forte e significativo sinal do que iria ser, e já era, de facto, toda uma linha de produção literária deste autor cubano. A obra referida teve de tal modo impacto no cenário literário, que viu, tempos depois, surgir um convite para adaptação a filme do realizador chileno Patricio Guzman.
Conversação, erotismo, música, humor, cinema, escrita lúdica, fizeram da obra de Cabrera Infante uma autêntica "obra em progresso". Todos os seus títulos, os seus livros, podem e devem ser lidos como um só livro, como uma autêntica ilha, à volta da qual gravitam todos os temas. A essa "ilha" estão ligadas as suas nostalgias, os seus amores, a sua memória, enfim, a sua escrita.
É difícil esta sua tendência para o exílio (em diversos sentidos), para se encerrar numa ilha real e literária; mas sem se entender este exílio, não se poderá, nunca, compreender a sua vida e a sua literatura e, muito menos, a sua biografia editorial.
A sua obra é, de facto, vasta e toca, sobretudo, géneros muito diversos, revelando narrativas pré-revolucionárias, de tom acusatório, indo buscar à história cubana vários tempos - passados e presentes - para falar de uma Cuba real. Dela se destaca fundamentalmente: Vista del amanecer en el trópico, Prémio Biblioteca Breve em 1964, Tres Tristes Tigres (1967), Así en la paz como en la guerra, publicada pela Seix Barral em 1971, tinha já tido a sua edição em Havana em 1960, Un ofício del siglo XX, editada em 1973 pela Seix Barral e em 1993 pela El País-Aguilar - cinema, Arcadia todas las noches (1978) - cinema, La Habana para un infante difunto, editada pela mesma Seix Barral em 1979 - livro de contos, dos quais se destacam Ella cantaba boleros e La Amazona, Mea Cuba (1991), Delito por bailar el chachachá (1995), Mi música extremada (1996) e Cine o sardina (1997) - cinema.
De uma actividade cívica de extraordinária coerência, desde sempre e continuamente se dedicou plenamente à sua arte de escritor e crítico cinematográfico, embora tenha tido numerosas ofertas para encabeçar movimentos políticos de oposição ao regime castrista - o que lhe poderia ter trazido uma situação social e económica mais desafogada. Mas sempre o negou em favor de uma "vida livre para escrever".
Ao ser-lhe atribuído o Prémio Cervantes pela mão do Rei Juan Carlos de Espanha, fez-se, sem dúvida, justiça histórica, uma vez que, formando parte (por direito próprio) do chamado "boom" da narrativa latino-americana, Cabrera Infante não pode desfrutar das suas vantagens propagandísticas precisamente pela referida atitude cívica extraordinariamente coerente. Ao receber o Prémio Cervantes, Cabrera Infante tornou-se no terceiro cubano a receber tal prémio, depois de Alejo Carpentier (em 1977) e Dulce Maria Loynaz (em 1992).
Considerado um autor bilingue e multicultural, igualmente à vontade no inglês como no espanhol, distinguiu-se pelo tom atrevido e inovador das suas novelas, ensaios, contos e guiões de cinema.
Ganhou diversos prémios literários em França, Itália e Espanha, levando, assim, a crítica a afirmar unanimemente que se estava perante um autêntico "produtor de monumentos" de versatilidade no idioma espanhol, com uma agudíssima compreensão humana, revelada por uma infinita capacidade de manifestação estética.
Pela sua reconhecida arte de persuasão textual, poder-se-á afirmar que, de uma forma geral, ao ler as obras de Cabrera Infante, se descobre um género híbrido e novo, levando o leitor a perceber os seus textos como obras de "opinião narrativa" ou "narração comentada". A leitura geral da sua obra revela, na essência - como o afirma a maioria da crítica internacional - uma forte disparidade entre o amor pelo mundo e a impossibilidade de habitá-lo.

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