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Quem Tem Medo dos Santos da Casa

by Sara Duarte Brandão
Book eBook
Publisher: Dom Quixote, March of 2025 ‧
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WOOK NEW AUTHORS AWARD WINNER 2025
Esta é a história de Maria Teresa, uma mulher que cresceu numa pequena vila piscatória entre a austeridade familiar e a liberdade que encontrava nos livros e numa paixão clandestina. Condenada a viver à sombra do que o pai e o marido haviam sonhado para ela, resolveu pôr em causa as ordens e as tradições, tomar as rédeas do seu destino, deixar para trás uma vida de conforto e atravessar o rio em busca de emancipação.

Hoje encontramo-la a tecer tapetes numa casa escura que ninguém sabe o que esconde e é considerada uma espécie de bruxa que assusta as crianças; porém, é numa amizade improvável com Joana, uma menina que aprende com ela a amar os livros, que Maria Teresa encontrará a redenção.

Com um ritmo poético e introspetivo, a narrativa desenrola-se em pequenos fragmentos belíssimos que refletem as superstições de uma comunidade marcada por um episódio com consequências dramáticas. Mas onde todos veem horror Maria Teresa vê beleza e possibilidade. Terão, ela e Joana, medo dos santos da casa?

Romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, que foram retirados da Igreja de São Pedro da Afurada, é na ficção que esta obra desafia algumas verdades.
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Mini-entrevista a Sara Duarte Brandão

Sara Duarte Brandão (Porto, 1997) é licenciada em Design de Comunicação, Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e doutoranda em Ciências da Educação. Cofundou a Truz Truz Editora e integra projetos que cruzam várias áreas artísticas. O seu romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa foi galardoado com o Prémio Literário Cidade de Almada.
Maria Teresa cresceu numa vila piscatória entre a austeridade familiar e a liberdade encontrada nos livros. Condenada a viver à sombra do que o pai e o marido sonharam para ela, parte em busca da emancipação. Hoje, a tecer tapetes, é considerada uma bruxa que assusta crianças, mas é numa amizade improvável com Joana que encontra a sua redenção. Um romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, retirados da Igreja de São Pedro da Afurada.

Citação: «Na verdade, tudo o que escrevo e o que apago é um passo dado. Para onde não sei, mas também pouco interessa.» Sara Duarte Brandão Como surgiu a ideia para este livro?
Este livro é inspirado num acontecimento sucedido com as figuras religiosas de Altino Maia, esculpidas para a Igreja Paroquial de São Pedro da Afurada. Assim que me deparei com essa história — na FLUP, em Imagem e Contexto I —, senti uma necessidade imediata de construir um enredo em torno da Maria Teresa, uma personagem a quem já queria dar vida, mas que, até então, ainda não tinha um contexto.

Tem uma rotina de escrita?
As minhas rotinas de escrita variam com o projeto que tiver em mãos. Muitas vezes, infelizmente nem existem. Contudo, há mais de 77 semanas que troco um poema semanal — correspondente a um tema por nós escolhido —, com a poeta e amiga Daniela Frias Guerra. Como lida com um bloqueio criativo?
Abandono o texto que me está a causar esse “bloqueio” por tempo indeterminado e procuro abraços de pessoas recetivas a aturar as minhas neuras. Com alguma distância, aceito que as obras têm tanto direito quanto eu a precisar de pausas e que algumas delas podem ser definitivas. Na verdade, tudo o que escrevo e o que apago é um passo dado. Para onde não sei, mas também pouco interessa.

Qual é a pior e a melhor parte de ser escritor?
Esse ato que de tão belo é louco, e vice-versa: escrever. Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Acho que não, embora não seja o público-alvo dos livros de dicas para a vida, talvez por não querer ser confrontada com os meus hábitos menos positivos...

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Também porque escolhi o seu nome para a personagem principal do meu primeiro e único romance, hoje tenho de escolher a Maria Teresa Horta. Mas são muitos os autores e autoras com quem gostaria de jantar, tinha de se organizar o tal churrasco dos poetas em Portugal proposto, creio eu, pelo Manuel António Pina.

Qual o livro que já devia ter lido e ainda não leu?
Essa é uma lista sempre muito mais extensa do que a dos livros que efetivamente já li e vou lendo. Não a partilhando na íntegra, alguns que tenho na estante com pena de ainda não terem sido devorados são: Obra Poética, da Sophia de Mello Breyner Andresen; Obra Breve, de Fiama Hasse Pais Brandão; os dois volumos d’O Segundo Sexo, da Simone de Beauvoir; Calibã e a Bruxa, da Silvia Federici. E depois há aqueles que ainda nem foram folheados, como A Divina Comédia, do Dante e o O Nome da Rosa, do Umberto Eco, entre muitos que ficam por dizer.

Qual o livro que mais a marcou até hoje?
Depende do “hoje”. Diria que há muitos livros, depende sempre de qual das Saras do passado é que contemplo num momento específico. Com medo de me entristecer no futuro por não ter mencionado o livro x ou y, digo apenas que A Maior Flor do Mundo, do Saramago, ainda hoje cresce comigo.

Qual foi o último livro que ofereceu?
Caruncho, da Layla Martínez.

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À conversa com Sara Duarte Brandão [Vídeo]

Sara Duarte Brandão é a vencedora do Prémio Wook Novos Autores 2025, com o seu primeiro romance, Quem Tem Medo dos Santos da Casa.
Em entrevista ao Wookacontece, a jovem autora nascida em 1997 e formada em Design de Comunicação e Estudos Literários, revela como a obra nasceu do encontro entre palavras e imagens, da comoção diante das figuras de Altino Maia e da necessidade de criar Maria Teresa — uma mulher que desobedece para existir.
A escritora fala do medo do desconhecido, das comunidades que se fecham para não ver, e da coragem íntima que move as suas personagens, numa narrativa onde o amor, a tragédia e a arte se tocam, e onde cada leitura reescreve o que ficou dito.

À conversa com Sara Duarte Brandão, uma entrevista exclusiva do Wookacontece.

Quem Tem Medo dos Santos da Casa

by Sara Duarte Brandão

Property Description
ISBN: 9789722085014
Publisher: Dom Quixote
Release Date: March of 2025
Language: Portuguese
Dimensions: 158 x 238 x 15 mm
Cover: Softcover
Pages: 240
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722085014

Uma boa história

Noémia Lopes

Fico sempre com vontade de ler um livro quando este está mencionado como ter recebido um prémio. Afinal, não fiquei desiludida! Trata-se de uma boa história, baseada em factos reais e que nos deixa à espera de mais histórias desta autora!

Poesia em prosa

Carolina Figueira

Quem Tem Medo dos Santos da Casa aborda temas muito importantes. Através de uma escrita muito bonita e cheia de sentimento, o narrador conduz-nos numa viagem entre o passado e o presente, revelando memórias e segredos da protagonista. Li este livro em contexto de Clube do Livro e pedi a alguns membros para resumirem o livro numa palavra. As respostas foram: - inusitado - poético - aconchegante - introspetivo

Review do livro

Patrícia

Comprei o livro por acaso e acabei por gostar muito. Mal posso esperar por mais deta autora.

MORRE-SE COM OS ANOS QUE SE TEM QUANDO SE MORRE.

Nogueira Pinto

Um livro tanto é um pedaço de tempo perdido como uma trama infinita, tentado a ler pelo distinção que recebeu da Wook, não fiquei desapontado, muito pelo contrário, excelente escrita, afinal, de que nos serve prender um pássaro que voa? Auguro um bem-aventurado caminho à autora, irei ler, certamente outros livros, importante é a chegada, que caminhar é só seguir. Porque a idade é a quantidade de tempo que se sobreviveu, nem sempre a que se vive, deixo à autora PARABÈNS.

Bela estreia

Rita

Maria Teresa nasce numa vila junto ao rio, no seio de uma família religiosa e tradicional para quem o destino da menina será fazer um bom casamento. O avô desperta nela o gosto pela leitura e logo desde cedo, quando se sentava num banco e ainda nem chegava com os pés ao chão, Maria Teresa refugia-se nos livros e imagina uma vida repleta de sonhos. Mas a vida, como quase sempre acontece, tem outros planos. E é nesse caminho tortuoso da realidade que Maria Teresa percorre com a dor e a infelicidade de quem sente as suas asas cortadas, na luta entre a tradição e a liberdade individual, que toma uma decisão definitiva. Ao longo da história vamos saltando entre a vida de Maria Teresa menina, de Maria Teresa crescida e de Maria Teresa idosa, para que possamos compreender as circunstâncias em que se encontra atualmente: uma figura estranha rodeada de santos, livros e memórias que, das poucas vezes que sai de casa, atrai os olhares e a incompreensão dos vizinhos. Este é um romance poético e muito português, que mistura memória, superstição, religião e crítica social através da história de uma mulher que tenta libertar-se das expectativas dos outros. É um livro curto, mas cheio de camadas emocionais e simbólicas. Do que gostei mais? Da escrita delicada e muito literária (a autora consegue dizer muito com poucas palavras, embora os capítulos tão curtos me tenham sabido a pouco) e da crítica à hipocrisia social: aquela comunidade vive rodeada de símbolos religiosos (os santos), mas julga e exclui a vizinha. É mais fácil venerar estátuas de santos do que compreender pessoas reais. A sociedade rejeita, por norma, aquilo que não entende. Seja uma velhota solitária, seja uma igreja nova construída num espaço pouco convencional. Muito curiosa com o que a autora vai escrever a seguir.

Livro que nos toca a alma

Sara Jesus

Um primeiro livro brilhante. Contado através de fragmentos de uma mulher obrigada a obedecer ás ordens do pai e do marido. Maria Teresa, com a sua alma de poeta e a sua vontade de fugir daquela vida que aprisiona os seus sonhos. Anos mais tarde será na sua amizade com a pequena Joana que voltará a encontrar a alegria perdida. É um livro de palavras bonitas que nos toca no coração. Personagens que querem sair do papel. A história dos santos renegados, mas que voltaram a encontrar um lar.

Uma estreia literária

Cláudia Santos

A história de uma pobre mulher pobre que vive rodeada dos seus Santos. Amada ou odiada, esta senhora encontra a sua companhia numa personagem improvável. Uma narrativa dentro da própria narrativa. Capítulos curtos cheios de sabedoria.

Original e muito poético

Rita Marques

Escrita madura e poética a desta jovem autora que, se afirma assim, da melhor forma no panorama literário português. A narrativa fragmentada é deliciosa, extremamente bem construída e obriga à reflexão. Para ler e saborear cada palavra!

Personagens grandiosas numa história terna

Ler, um prazer adquirido

Maria Teresa é uma personagem luminosa que muitos desprezam. Os Santos da sua casa são os seus companheiros e apoio em todos os momentos. Mulher sensível e inteligente, estranha por isso, encontra na pequena Joana uma alma compreensiva que percebe o valor dos livros e este romance de capítulos curtos usa poucas palavras para tanto dizer. Relembramos a moral de época com critica e vigilância mas pouco afeto que tolhia a imaginação e combinava o futuro. Um narrativa simples e rápida para uma história comum com um desenrolar diferente que, vai alternando sem equívocos o passado e o presente desta personagem. Não se nota nada que adorei este livro, pois não?

ABOUT THE AUTHOR

Sara Duarte Brandão

Sara Duarte Brandão nasceu no Porto em 1997, com um pé na Beira Baixa e outro em Arouca, onde teve a sorte de ter avós. Licenciada em Design de Comunicação e Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, é Facilitadora em Criação Artística Comunitária e doutoranda em Ciências da Educação com uma bolsa da FCT. Recebeu o Prémio Literário Nortear com o conto (Ver). Cofundou a Truz Truz Editora (2020), onde é designer e autora, e a sua obra CriÁrvore (2022) foi recomendada pelo Plano Nacional de Leitura. Publicou o livro Descolonizar o Sujeito Poético (2023) na Editora Urutau, que recebeu uma Menção Honrosa no Prémio Glória de Sant’Anna (2024) e foi finalista da Mostra Nacional Jovens Criadores – Literatura (2024). O seu romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa foi galardoado com o Prémio Literário Cidade de Almada – Romance (2023). Foi a vencedora da 2.ª edição do Prémio Wook Novos Autores (2025) tendo o júri destacada a forma como «revisita e transfigura os lugares-comuns da língua, atribuindo-lhes novos sentidos, com uma destreza reveladora de um invulgar talento literário». Integra projetos que cruzam várias áreas artísticas como o teatro, as artes plásticas e a literatura. Faz tricô e prefere embalar males a cantar em vez de os espantar. Escreve por amor e teimosia e já não sabe distinguir acordos ortográficos.

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