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Prazer e Glória

by Agustina Bessa-Luís
Publisher: Relógio D'Água, November of 2019 ‧
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«A ironia mordaz do percurso niilista está patente desde o título Prazer e Glória. Três gerações de personagens que se movem, se casam, procriam, sem viverem nada que lhes proporcione um verdadeiro prazer de viver, que as faça experienciar a glória de uma manifestação da vida que lhes escapa pelos meandros de uma cultura falsa. A obra de Agustina é uma água-forte lançada ao rosto de uma geração que teima em não acordar. A artista bem se esforça por chamar um povo que não desperta. Mas a sua obra tem uma portentosa energia cujo porvir está ainda no início.»

Do Prefácio

Prazer e Glória

by Agustina Bessa-Luís

Property Description
ISBN: 9789896419813
Publisher: Relógio D'Água
Release Date: November of 2019
Language: Portuguese
Dimensions: 153 x 233 x 15 mm
Cover: Softcover
Pages: 240
Format: Book
Collection: Agustina Bessa-Luís
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789896419813

Um prazer sibilante

Helder Raimundo

Confesso que «A Sibila» nunca sibilou aos meus ouvidos, talvez porque no meu tempo «Os Maias» davam cartas no liceu, romance que também não li. Na altura, era o marxismo que me ocupava as leituras, de ensaios e romances. Em 1988, numa fase de busca de individualidade libertária-filosófica comprei «Prazer e Glória», acabado de sair, um romance sobre uma família burguesa – como era o universo de Agustina – mas com o bastardo artista João Pinheiro (talvez lembrando o traído Pinheiro Alves, marido da amante de Camilo, esse sim autor boémio de que li muito) a contrariar o universo. Pedro Mexia dizia, a propósito da literatura de Agustina, que ela era sobretudo criticada por motivos ideológicos, como autora burguesa e elitista, mas que a devíamos olhar pelo lado puramente literário. Lembro-me que na altura achei prazerosa e gloriosa a crítica de Agustina à atitude miserável, ignorante, e incivilizada do povinho português. E essa era também a minha impressão. Há semanas atrás voltei a pegar no livro da Guimarães Editores, para o reler, e ali está ele na página 19, de canto dobrado: “Eram gente de prazer e de glória, que em tudo morre para em tudo permanecer”.

A complexidade narrativa e o prazer da linguagem

J.S

A obra de Agustina não é do gosto de todos os leitores. Isto deve-se,talvez, à complexidade e densidade da linguagem e do estilo que a autora adota na grande parte dos seus romances, numa escrita torrencial e densa. As frases são densas, complexas, rebuscadas, mas eu creio que isso faz parte do próprio modo de ser da escritora. Aliás, isso consegue percebê-lo um leitor atento e perspicaz, que lê nas entrelinhas. Portanto, para os leitores que apreciam esta mecanização da linguagem, como é o meu caso, as obras da autora são um verdadeiro "Prazer e Glória".

Fabuloso

Lucília Mendes

Nesta obra entramos no âmago dos vários personagens. Faz-nos pensar no que somos, no que nos impele a fazer coisas boas e coisa más, a nós próprios e aos outros. É, simplesmente, fabulosa a forma como Agustina nos conduz por este caminho de introspeção.

ABOUT THE AUTHOR

Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de outubro de 1922. A sua infância e adolescência são passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a obra da escritora. Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando com mais de meia centena de obras.
Representou as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizou conferências em universidades um pouco por todo o mundo.
Foi membro do conselho diretivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962).
Entre 1986 e 1987 foi diretora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Foi membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido distinguida com a Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de "Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres", atribuído pelo governo francês (1989).
É em 1954, com o romance A Sibila, que Agustina Bessa-Luís se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea. Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de características aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Proust e Bergson, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espácio-temporal da obra, Agustina é senhora de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático.
Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem foi amiga e com quem trabalhou de perto. Estão neste caso Fanny Owen ("Francisca"), Vale Abraão e As Terras do Risco ("O Convento"), para além de "Party", cujos diálogos foram igualmente escritos pela escritora. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).
Em Maio de 2002 Agustina Bessa-Luís é pela segunda vez contemplada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), relativo a 2001, com a obra "O Princípio da Incerteza - Jóia de Família", obra que Manoel de Oliveira adaptou ao cinema com o título "O Princípio da Incerteza", e que foi exibido dias antes da atribuição deste prémio, no Festival de Cannes.
Agustina Bessa-Luís foi distinguida com os prémios Vergílio Ferreira 2004, atribuído pela Universidade de Évora, pela sua carreira como ficcionista, e o Prémio Camões 2004, o mais alto galardão das letras em português.
Morreu dia 3 de junho de 2019, com 96 anos.

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