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O Poeta Nu

Poesia Reunida

by Jorge Sousa Braga
Book eBook
Publisher: Assírio & Alvim, June of 2026 ‧
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Jorge Sousa Braga vem publicando desde 1981 uma poesia direta, inventiva, deflacionária que surpreendeu e chateou, criou adeptos e detratores, fazendo o seu caminho como foi querendo. Os seus versos acabariam reunidos sucessivamente em O Poeta Nu. A presente edição acrescenta à última reunião os últimos livros A Matéria Escura (2020) e A Flor Cadáver (2024).

ESSE VERÃO

Vinha meio nu
Trazia uma cesta de vime cheia de amoras
que colhera nas margens do rio
Passara a tarde toda de silvado em silvado
Na sua mão direita um pequeno arranhão
— Tão quente tão quente
esse verão

«Nestas trezentas e tantas páginas desvenda-se uma visão do mundo que poetiza todas as coisas. Os primeiros livros de Sousa Braga têm um registo quase "underground" [com] referências "malditas" (de Lautréamont a Jim Morrison) [com] poemas brevíssimos, que apostam na sátira e no literalismo transfigurado. [...] No segundo e terceiro livros ("Plano para Salvar Veneza, 1981, e "Greve dos Controladores de Voo, 1984) o poeta usa o "fait divers" dos jornais e televisões num estilo associativo, às vezes delirante, frequentemente divertido e quase sempre terno, cheio de achados e aforismos. [...] "Os Pés Luminosos" (1991) traz o veio oriental, com a tendência para o haiku. O poeta, ao jeito dos grandes mestres asiáticos, enumera e combina estornimhos e nuvens, cisnes e macieiras, tentando que a transparência mas também a densidade misteriosa da natureza revelem a sua especial sabedoria. [...] "A Ferida Aberta (2001), que usa elementos da experiência clínica do autor e faz uma improvável poesia com fetos e fezes, bisturis e sangue menstrual. O choque é, no entanto, quase totalmente absorvido pela poetização [...] O volume fecha com uma boa sequência de poemas novos, "O Lírio que Há no Delírio". São textos que se caracterizam pelo uso explícito do diálogo com a pintura (Rothko, Picasso, Monet, Magritte, Frida Kahlo, Van Gogh). [...] É uma súmula da poesia de Jorge Sousa Braga, que vê sempre o lírio que há em todo o delírio.»
Pedro Mexia, Público

«A poesia de Jorge Sousa Braga ganha muito em ser reunida: ganha a consistência de uma inventividade - também formal - que abre para uma utopia do literário, para uma libertação da palavra que tem muito mais o carácter de um método do que de uma fórmula. A poesia de Jorge Sousa Braga [...] nasce da mais primordial atitude poética: o amor pelas palavras, pelo ilimitado a que elas dão acesso.»
António Guerreiro, Expresso


ADÃO E EVA
Adão era polícia numa esquadra vizinha. Nos intervalos dos giros, subia duas a duas as escadas do atelier de Lempicka, despia a farda e o seu corpo nu e musculado pisava o soalho, como se pisasse o chão do paraíso. Tal como o outro Adão, desconhecia o chão que pisava e seria incapaz de reconhecer esse corpo nu que arrancava na tela um frémito de prazer a uma Eva desprevenida.

Novidade Poema.png

«Adormecer do lado da primavera»

Jorge Sousa Braga (Cervães, 1957) vem publicando poesia desde 1981, ano em que conclui a sua formação em medicina. A sua voz é direta, despida de artifícios, e cheia de invenção: versos que desarmam pelo humor e pela economia de meios, que já dividiram leitores entre o fascínio e o desconforto, entre quem se rendeu de imediato e quem torceu o nariz. Certo é que o poeta seguiu sempre o seu próprio rumo, indiferente a modas e vereditos.
A sua obra, dispersa ao longo de décadas, surge agora reunida sob o título O Poeta Nu, uma edição que junta à anterior antologia dois títulos mais recentes, A Matéria Escura (2020) e A Flor Cadáver (2024). Um retrato mais completo e atual de um poeta que, mais de quatro décadas depois de começar, continua surpreendentemente vivo, afiado e imprevisível.


ADORMECER DO LADO DA PRIMAVERA


Engolir um Mirage e vomitar em seguida
dois milhões de pássaros pela boca
Fornicar sucessivamente com um elefante-fêmea
uma galinha-da-índia um colibri e uma borboleta
Destruir a pontapé todas as palavras do dicionário
até chegar à palavra chumbo
Estender a língua vermelha na pista do aeroporto
para servir de tapete a uma estrela de Hollywood
Cortar os braços a todos os prisioneiros e gritar «mãos no ar»
antes de os passar pelas armas
Derrotar todos os exércitos do nascente
e sucumbir ao ser atacado pelas costas por uma folha do outono
Comer à sobremesa apenas maçãs marca Cézanne
Assistir ao próprio enterro ao volante de um BMW cor de cinza
e chorar lágrimas verdadeiras
Descobrir uma caravela naufragada há quinhentos anos no fundo dos
  teus olhos
e conseguir trazer para a superfície duas estátuas de Buda além de uma
  tonelada de pimenta e outra de cravo
Passar cinco anos na solidão de uma cidade de dez milhões de
 habitantes
e experimentar depois o bulício das Penhas Doiradas
Entrar num supermercado e plantar um limoeiro na secção das
  vitaminas
Recuar alguns séculos no tempo
para apanhar nas mãos a cabeça de Maria Antonieta
Lavar as mãos em sangue antes de assinar o tratado de paz

O Poeta Nu

Poesia Reunida

by Jorge Sousa Braga

Property Description
ISBN: 978-972-37-2444-8
Publisher: Assírio & Alvim
Release Date: June of 2026
Language: Portuguese
Dimensions: 150 x 212 x 39 mm
Cover: Hardcover
Pages: 520
Format: Book
Collection: Documenta Poetica
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Poetry
EAN: 978972372444820
Recommended Minimum Age: Not applicable

Poesia Nua

CF

O Poeta Nu é isso mesmo, um livro despido de qualquer vaidade ou artefacto. É uma compilação de poemas e nano contos que transportam o leitor para memórias desconhecidas. Como qualquer obra do poesia, nem todos os poemas me arrebatam, mas é um livro que ainda preservo na minha mesa de cabeceira, onde volto sempre que me quero desligar.

Simplicidade

Tiago

Através de uma simplicidade de linguagem e imagens, Jorge Sousa Braga consegue chegar ao âmago da vida e das relações humanas. É merecidamente um dos importantes poetas portugueses da actualidade.

Essencial.

João

Obra reunida de um poeta veterano que não precisa de introduções. Essencial.

Belo!

Madalena R. da Silva

Conhecer a obra de Jorge Sousa Braga é uma oportunidade para conhecer o que de melhor se escreve em poesia. Todos os poemas tem uma força própria e uma beleza arrebatadora. A ler, reler, oferecer...

Um livro inspirador

VFontes

Este livro mistura o melhor da criatividade poética com a mais fina sensibilidade. O resultado é um livro inspirador.

Surpresa

Mnauel José Vilares

Não conhecia a obra nem o autor. Vieram parar-me às mãos alguns dos seus poemas para os ensaiar com os alunos, a fim de serem lidos num sarau cultural. Fiquei entusismadíssimo e comprei o livro de imediato. Li-o quase de um só fôlego, mas ainda repousa na mesinha de cabeceira, para dele beber sempre que sinto sede.

ABOUT THE AUTHOR

Jorge Sousa Braga

Jorge Sousa Braga nasceu em 1957 em Cervães e concluiu o curso de Medicina da Universidade do Porto em 1981 com a especialidade de Obstetrícia/Ginecologia. Iniciou a sua carreira profissional no Hospital de Santo António, no Porto. Tem vindo a trabalhar na consulta de casos de esterilidade/infertilidade. Autor de uma vasta obra poética, tem participado também em numerosas antologias, como organizador e/ou tradutor, e tem-se dedicado à escrita de livros infantis. O seu Herbário foi distinguido com o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura Infantil.

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