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Publisher: Relógio D'Água, March of 2017 ‧
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O Duplo foi publicado em 1846, quando Dostoievski contava apenas 24 anos. O tema do duplo foi depois muitas vezes abordado na literatura, mas a narrativa de Dostoievski estabelece uma rutura com as convenções literárias até então vigentes também contra ele próprio.
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Elogio do Fracasso

Vivemos obcecados com a ideia de progresso. Queremos crescer, melhorar, evoluir, aprender com os erros. A literatura acompanha muitas vezes essa convicção e está cheia de personagens que atravessam dificuldades e saem transformadas. Tem muitas histórias de percursos que fazem sentido no fim. Mas há livros que não colaboram com esta vontade. Não oferecem recompensa, não fecham arcos, não justificam o esforço. Limitam-se a mostrar vidas que continuam. Pessoas que pensam demais, que adiam, que insistem, que permanecem. Estes cinco romances não celebram a queda nem procuram redenção. Observam o que acontece quando a vida falha e não se cumpre por inteiro. Viagem ao Fim da Noite, de Louis-Ferdinand Céline Ferdinand Bardamu atravessa a Primeira Guerra Mundial, o colonialismo e a pobreza europeia do pós-guerra sem que daí resulte qualquer aprendizagem. Ao longo da vida é soldado, emigrante, operário, médico, mas nunca protagonista de um percurso. Move-se porque as circunstâncias o empurram, não porque procure algo. Vive desencantado, sem horizonte claro. Viagem ao Fim da Noite, de Louis-Ferdinand Céline, tornou-se central na literatura moderna por recusar a ideia de que a experiência gera compreensão ou maturidade. Publicado em 1932, num período entre guerras, surge numa altura em que se esperava da literatura uma resposta moral aos males da sociedade. Céline faz o contrário. Mostra um mundo onde as instituições falham, o progresso técnico não corresponde a progresso humano e a guerra, o trabalho e a miséria se misturam sem redenção. Essa visão é inseparável do seu estilo, cuja linguagem, próxima da oralidade, fragmentada e irregular, marcada por um ritmo nervoso e um humor corrosivo, desafia a tradição literária francesa. COMPRO NA WOOK! » O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell Joe Gould fez parte da paisagem urbana de Nova Iorque nos anos 30. Dormia onde conseguia, vivia de dinheiro emprestado e passava grande parte do tempo a falar. À primeira vista, confundia-se com tantas outras figuras errantes da cidade, mas havia detalhes que o distinguiam. Para além de jurar que conseguia comunicar com gaivotas, apresentava-se como escritor e dedicava-se há anos a um projeto colossal: escrever a História Oral do Nosso Tempo, uma obra destinada a reunir todas as conversas da Humanidade. Joseph Mitchell, jornalista da revista The New Yorker, ouve falar deste personagem e decide conhecê-lo. O que começa por ser uma simples entrevista para uma reportagem transforma-se numa relação longa e ambígua que oscila entre o fascínio e a desconfiança. Durante anos, Mitchell convive com Joe e observa a consistência quase inalterada da ideia obsessiva que o consome. Mais do que investigar a veracidade do projeto, O Segredo de Joe Gould questiona o que significa organizar uma vida em torno de uma ideia megalómana. A crença numa obra aparentemente impossível de escrever estrutura a identidade de Gould, dá-lhe coerência e oferece-lhe um lugar no mundo. É essa fé inabalável que define a forma como escolhe viver, falar e permanecer à margem da sociedade. COMPRO NA WOOK! » A Consciência de Zeno, de Ítalo Svevo Zeno Cosini quer deixar de fumar e precisa de encontrar um sentido para a sua existência. O seu psicanalista aconselha-o a escrever as memórias, acreditando que compreender o passado poderá ser suficiente para corrigir o presente. A escrita, no entanto, revela-se tudo menos linear ou fiável. Zeno avança por episódios da sua vida marcados por decisões adiadas, vícios nunca abandonados e relações escolhidas mais por inércia do que por vontade própria. O tabaco surge como símbolo recorrente dessa lógica. Cada cigarro é sempre o último e cada tentativa de mudança é adiada por uma explicação plausível. O que se desenha ao longo do romance não é uma vida em colapso, mas um percurso em suspenso. Não há desenlaces nem descobertas demolidoras. Zeno pensa, analisa e interpreta, mas raramente age, encontrando na consciência uma forma de conforto. Em A Consciência de Zeno, Italo Svevo constrói o retrato de um homem incapaz de alinhar pensamento e ação, com uma vida que não corre mal o suficiente para exigir uma rutura, nem bem o suficiente para justificar satisfação. Vive, por isso, num limbo em que a tentativa de compreender o seu mundo substitui a decisão de agir sobre ele. COMPRO NA WOOK! » O Duplo, de Fiódor Dostoiévski Goliádkin é um funcionário público inseguro, atormentado pela imagem que projeta e desconfortável na presença de outras pessoas. Vive numa tensão constante entre aquilo que é e aquilo que gostaria de parecer. Esse clima de inquietação intensifica-se quando conhece um homem fisicamente idêntico que precipita a desintegração de um equilíbrio já frágil. O seu duplo é mais confiante, mais competente e, aos poucos, ocupa o lugar que parecia pertencer-lhe. Este livro, tal como outros que exploram o conceito de duplicidade, centra-se na fragmentação interior de um homem incapaz de sustentar uma versão coerente de si próprio. Em O Duplo, de Dostoiévski, tal como em O Homem Duplicado, de Saramago, o aparecimento do outro não cria o problema, torna-o visível e expõe um fracasso que não vem de fora, mas nasce no interior. COMPRO NA WOOK! » A Morte de um Apicultor, de Lars Gustafsson Um homem regressa à sua terra natal, consciente de que está gravemente doente, e decide registar num caderno memórias dispersas e as transformações de um corpo que se degrada de dia para dia. Através do diário, revê a vida que levou com uma atenção metódica, numa escrita contida, sem dramatismos, como se o fim não exigisse elevação, mas clareza. O relato funciona como inventário do que foi vivido, sem procurar redenção. Ao contrário de Zeno Cosini, que escreve para se explicar e encontrar uma lógica que o absolva, o protagonista de A Morte de um Apicultor limita-se a fixar o passado. A narrativa assenta na consciência de que a vida raramente corresponde à imagem que fazemos dela. Lars Gustafsson aborda essa constatação sem amargura: não ter sido excecional, não ter deixado marca, não ter cumprido uma promessa íntima de grandeza. O fracasso aqui não é escândalo nem queda, é um ajustamento necessário entre expectativa e realidade perante um fim anunciado. O diário transforma-se num balanço silencioso, onde a medida da existência já não é o que poderia ter sido, mas aquilo que simplesmente foi. COMPRO NA WOOK! »

O Duplo

by Fiódor Dostoiévski

Property Description
ISBN: 9789896417147
Publisher: Relógio D'Água
Release Date: March of 2017
Language: Portuguese
Dimensions: 146 x 224 x 15 mm
Cover: Softcover
Pages: 200
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789896417147

Único

Diogo Soares

Cheio de clichês, este livro é tudo o que uma boa história de duplos.

O medo do outro. Ou de nós próprios?

Paula Pereira

Recomendo a leitura da primeira obra deste grande autor russo!

Muito bom!

Carla G.

O "Duplo" é um dos primeiros livros escritos por Dostoievski, revelando já o estilo próprio do seu autor, o qual atinge o seu auge em livros como "Crime e Castigo" ou "Os Irmãos Karamazov"! O livro evidencia já o espírito inquieto de Dostoievski!

Jovem Dostoiévski

Fabio Lavos Martins

Começa por impressionar que aos 25 anos e à segunda obra, Dostoiévski demonstre a capacidades,a perspectiva é a ousadia de apresentar uma curta narrativa tão desalinhada com aquilo que era convencional. Construído quase totalmente na perspectiva de goljadkin ( a personagem central) e de uma forma mais tarde ( e noutras latitudes) celebrizada como " stream of counsciousness", o duplo é um excelente livro que nos mostra algumas da obsessões particulares do autor,que posteriormente o celebrizaram: angústia perante a burocratização, desespero pela hipocrisia social, opressão numa sociedade onde viver árdua e honradamente não parece uma possibilidade. A fronteira entre o que é real e delírio ( de goljadkin) esbate-se tornando deliciosa a leitura e a fuga de pensamento. O duplo ,um conceito clássico,surge como válvula de escape...ou será que será delírio desruptivo? Melhor mesmo é ler o livro. Jovem Dostoiévski..mas excelente Dostoiévski

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Fiódor Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski ( Moscovo, 11.11.1821 - S. Petersburgo, 09.02.1881) foi um dos grandes percursores, como Emily Brontë, da mais moderna forma do romance, exemplificada em Marcel Proust, James Joyce, Virgina Woolf entre outros. Filho de um médico militar, aos 15 anos é enviado para a Escola Militar de Engenharia. de S. Petersburgo. Aí lhe desperta a vocação literária, ao entrar em contacto com outros escritores russos e com a obra de Byron, Vítor Hugo e Shakespeare. Terminado o curso de engenharia, dedica-se a fazer traduções para ganhar a vida e estreia-se em 1846 com o seu primeiro romance, Gente Pobre. Após mais umas tentavivas literárias, foi condenado à morte em 1849, por implicação numa suspeita conjura revolucionária. No entanto, a pena foi-lhe comutada para trabalhos forçados na Sibéria. Durante os seus anos de degredo teve uma vida interior de caráter místico, por ter sido forçado a conviver com a dura realidade russa, o que também o levou a familiarizar-se com as profundezas insuspeitas da alma do povo russo. Amnistiado em 1855, reassumiu a atividade literária e em 1866, com Crime e Castigo, marca a ruptura com os liberais e radicais a que tinha sido conotado. As obras de Dostoiévski atingem um relevo máximo pela análise psicológica, sobretudo das condições mórbidas, e pela completa identificação imaginativa do autor com as degradadas personagens a que deu vida, não tendo, por esse prisma, rival na literatura mundial. A exatidão e valor científico dos seus retratos é atestada pelos grandes criminalistas russos. Neste grande novelista, o desejo de sofrer traz como consequência a busca e a aceitação do castigo e a conceção da pena como redentora por meio da dor.

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