O Canto de Aquiles
SYNOPSIS
São treinados pelo centauro Quíron nas artes da guerra e da medicina, mas quando chegam os rumores de que Helena de Esparta foi raptada, todos os heróis da Grécia são convocados para cercarem a cidade de Troia. Seduzido pela promessa de um destino glorioso, Aquiles junta-se à sua causa e Pátroclo, dividido entre o medo e o amor pelo amigo, segue-o. Mas ambos sabem que as cruéis Moiras os haverão de testar como nunca antes e deles exigir um terrível sacrifício.
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O estranho caso dos livros que se tornaram virais - Parte I
O que têm em comum um puzzle literário com quase noventa anos, um autor japonês dos anos quarenta, Jane Austen e a autora que mais livros vendeu em 2022?
Um pouco por todo o mundo, há livros que se repetem nos tops e que parecem estar a ser lidos por toda a gente. A origem deste fenómeno? As redes sociais que tornam obras virais da noite para o dia. Nas várias plataformas multiplicam-se hashtags como o #bookstragram o #booktok ou o #booktube e somam-se milhões de visualizações. Mas como convivem vídeos curtos e posts que se perdem na imensidão da internet com a atenção que a leitura exige? A resposta é complexa.
Este fenómeno parece ter incentivado a leitura, especialmente nas camadas mais jovens, aumentado as vendas de livros e criando uma comunidade global de leitores. Por outro lado, são vários os alertas sobre a diminuição da capacidade de atenção, o risco de uniformização de leituras e a tentação de encontrar fórmulas e replicá-las até à exaustão na tentativa de encontrar o próximo sucesso editorial.
Mas o que os livros que apresentamos a seguir provam é que não existe uma fórmula. Não se trata apenas de livros destinados a um público jovem adulto, há também clássicos, obras premiadas, sagas de fantasia e até policiais. É difícil encontrar apenas um fio condutor. Além de um certo carácter emotivo, no caso dos romances contemporâneos nota-se a preocupação de trazer para as histórias maior diversidade de temáticas e representatividade. Os livros querem-se, como os seus leitores, múltiplos e diversos.
Como fenómeno, este é um lembrete sempre saudável que os leitores e os livros não vivem num mundo à parte, mas prosperam com a partilha. Por isso, descubra alguns dos livros mais populares do momento e wook ler a seguir.
Este artigo foi originalmente publicado na revista Wookacontece n.º 9.
Isto Acaba Aqui, de Collen Hoover
Rainha incontestável do Tiktok, Colleen Hoover é uma estrela nesta plataforma onde partilha informalmente o seu processo de escrita e vislumbres da sua vida pessoal. Do outro lado, os seus leitores partilham reações à leitura dos romances, frequentemente com muitas lágrimas à mistura.
Na verdade, qualquer um dos livros da autora poderia constar nesta lista mas Isto Acaba Aqui – It Ends With Us, no original – é exemplificativo do que torna os livros de Colleen Hoover um sucesso: uma escrita eficaz, direta ao ponto, e uma história emotiva, a que não será alheia a experiência da autora como assistente social. Centrada em Lily, uma mulher que tenta quebrar um ciclo de violência, o romance mais conhecido de Colleen Hoover vendeu uns impressionantes quatro milhões de cópias em todo o mundo.
Wook ler a seguir: A Voz de Archer, de Mia Sheridan; Sete Dias em Junho, de Tia Williams.
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Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid
Taylor Jenkins Reid já tinha escrito quatro romances antes, mas foi Os Sete Maridos Evelyn Hugo a catapultá-la para os tops de vendas mundiais. Uma viagem até ao glamour de Hollywood dos anos 50 onde Evelyn Hugo, uma atriz de sucesso – que Reid confessa ser inspirada tanto em Elizabeth Taylor como em Ava Gardner –, abre o livro da sua vida. Um percurso marcado por uma ambição desmedida, tragédia e um grande amor proibido, mas também pelas circunstâncias de ser mulher e latina. Taylor Jenkins Reid cria uma protagonista feminina complexa e apaixonante que, como as melhores personagens ficcionais, parece difícil não ter existido na realidade. Espera-se que o livro dê origem a um filme ainda este ano, mas, até lá, os leitores podem ver Daisy Jones & The Six, a mais recente obra da autora a merecer uma adaptação para série.
Wook ler a seguir: Lições de Química, de Bonnie Garmus; Hamnet, de Maggie O'Farrell.
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O Canto de Aquiles, de Madeline Miller
É uma tarefa hercúlea (passe-se o trocadilho) para qualquer autor recontar Homero e talvez por isso Madeline Miller tenha levado dez anos a escrever O Canto de Aquiles. Publicado originalmente em 2011, o livro venceu o The Orange Prize, mas a partir de 2021 tornou-se um sucesso no TikTok, onde o gosto por este género de ficção que revisita a mitologia grega a partir de pontos de vista até aqui ignorados parece não dar sinais de abrandar. Com a Guerra de Troia como pano de fundo, O Canto de Aquiles é uma história de amor trágica centrada em Aquiles e Pátroclo, escrita numa prosa vívida e sensível que confere humanidade às suas personagens, para lá dos mitos.
Wook ler a seguir: O Silêncio das Mulheres, de Pat Barker; O Olhar da Medusa, de Natalie Haynes.
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Um Homem em Declínio, de Osamu Dazai
Publicado em 1948, pouco antes da morte do seu autor, Um Homem em Declínio – No Longer Human, na tradução inglesa – teve desde sempre o estatuto de obra de culto no Japão, onde continua a ser um dos livros mais vendidos de sempre. A contínua popularidade da obra também pode ser explicada pela sua proximidade com o mundo da manga e do anime. No Japão, a obra de Dazai mereceu capas especiais desenhadas pelo autor da série Death Note, várias adaptações a manga, uma delas pelo conhecido autor Junji Ito; e o autor dá até nome ao protagonista de uma popular série de anime. Oba Yozo, o narrador de Um Homem em Declínio, personifica ao extremo a alienação, o pessimismo e uma incapacidade dilacerante de perceber os outros seres humanos.
Wook ler a seguir: Confissões de uma Máscara, de Yukio Mishima; Kokoro, de Natsume Soseki.
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Lá, Onde o Vento Chora, de Delia Owens
Delia Owens estreou-se no romance aos 70 anos, mas isso não impediu Lá, Onde O Vento Chora de se tornar um sucesso de vendas um pouco por todo o mundo e ser adaptado ao cinema com Daisy Edgar-Jones (atriz do popular Normal People) no papel principal e música de Taylor Swift. Misto de romance e mistério policial, o livro prende o leitor até ao surpreendente plot twist no final. Kya, abandonada pela família em criança, cresce sozinha e isolada no pantanal perto da pequena cidade de Barkley Cove, até que se vê acusada de um homicídio e é obrigada a enfrentar a sociedade que sempre a rejeitou. Uma história de aprendizagem e resiliência que exalta a diferença e uma ligação mais profunda com a natureza.
Wook ler a seguir: Os Nossos Corações Perdidos, de Celeste Ng; Uma Educação, de Tara Westover.
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Na Terra Somos Brevemente Magníficos, de Ocean Vuong
Escrito quando o autor ainda não tinha trinta anos, Na Terra Somos Brevemente Magníficos é a estreia de Ocean Voung no romance. Sob a forma de carta dirigida à mãe, que não sabe ler, o autor dá voz a uma outra experiência da América. Simultaneamente lírico e cru, o livro traça o retrato de três gerações de uma família de origem vietnamita, explorando de forma notável a relação entre mãe e filho, amor e violência, e refletindo sobre temas como raça, classe e masculinidade. Poético e comovente, o romance de Voung é como um combate de boxe: enquanto damos por nós a admirar a beleza do jogo de pés, somos surpreendidos com um gancho de direita.
Wook ler a seguir: Uma Pequena Vida, de Hanya Yanagihara; O Livro Branco, de Han Kang.
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Atualizar o Mito
Os retellings conquistaram a literatura contemporânea como formas criativas de revisitar os clássicos. Mais do que simples interpretações de uma história, estes livros são exercícios de escuta que procuram, acima de tudo, perceber o que ficou por dizer no texto original, quem foi deixado de fora e que novas leituras podem surgir à luz da realidade em que vivemos. Madeline Miller, Barbara Kingsolver, Pat Barker, Percival Everett e Sandra Newman são autores que, ao reinventarem obras canónicas, deram voz a personagens esquecidas, trouxeram os enredos para os dias de hoje e abriram espaço a novas formas de contar as mesmas histórias. James, de Percival Everett Em James, Percival¿Everett resgata do silêncio uma das figuras mais marcantes e ignoradas da literatura mundial. Jim é um escravo assombrado pela possibilidade de ser vendido, enviado para longe e separado para sempre da mulher e da filha. Decide, por isso, esconder-se. É então que a sua vida se cruza com a de um jovem, também em fuga, que fingiu a própria morte para escapar ao pai violento. Juntos, descem o Mississípi numa jangada em busca de liberdade e de uma vida melhor. O jovem é Huckleberry Finn, herói consagrado da literatura americana; e Jim será o seu companheiro de viagem. Everett pegou neste clássico de Mark Twain e reimaginou-o a partir de um novo ponto de vista, profundamente marcado pela consciência racial do século XXI. Durante a ação de As Aventuras de Hucleberry Finn, Jim é uma personagem pouco desenvolvida, cuja única função é a de acompanhar Huck na sua viagem de autodescoberta. Não há oportunidade para conhecermos verdadeiramente este homem que, apesar de ter muitos sonhos, medos e desejos, nunca é realmente ouvido nem compreendido. Tudo o que sabemos sobre ele é filtrado pelos olhos de Huck mas, neste retelling, é-lhe concedida a possibilidade de ser o protagonista da sua própria história e agente ativo na busca da tão desejada liberdade. COMPRO NA WOOK! » O Canto de Aquiles, de Madeline Miller A discussão sobre a natureza da relação entre Aquiles e Pátroclo atravessa séculos e nunca chegou a um consenso. Há quem considere que os dois heróis da Ilíada eram amantes e quem os veja apenas como amigos e companheiros de luta. Madeline Miller defende a primeira hipótese e escreveu O Canto de Aquiles como forma de validar essa possibilidade. Ao dar ênfase a pequenos pormenores e transformando algumas omissões em possibilidades narrativas, a escritora põe de lado a dimensão épica da Ilíada e coloca as emoções no centro da história. Miller narra esta lenda a partir do ponto de vista de Pátroclo, uma figura secundária na poesia de Homero a quem atribui profundidade emocional e uma sensibilidade que contrastam com o tom heroico da obra original. Nesta versão, o amor entre ele e Aquiles é o centro gravitacional da narrativa, e não um detalhe à margem da guerra. Aquiles, visto por todos como um guerreiro irascível e inabalável, nesta versão surge como um jovem vulnerável, movido mais pela perda do que pela glória. Ao recontar a história através deste prisma, Miller não nega a tragédia intrínseca às duas personagens, mas humaniza-a. Num texto em que os sentimentos ferem mais do que espadas e lanças, O Canto de Aquiles é, antes de mais, uma ode ao amor impossível, que nasce na juventude, cresce em segredo e resiste, mesmo perante o destino mais cruel. COMPRO NA WOOK! » O Silêncio das Mulheres, de Pat Barker Pat Barker também se debruçou sobre a Ilíada, mas abordou-a de forma diferente. Em O Silêncio das Mulheres, a atenção recai nas figuras mais esquecidas do épico grego: as mulheres. Esposas, amantes, rainhas e escravas ganham uma preponderância inédita nesta obra, sobrepondo-se a nomes mais conhecidos. Aquiles, Páris e Agamémnon são relegados para segundo plano e acompanhamos a história da guerra de Tróia do ponto de vista de Briseida, uma mulher que na ação da Ilíada é pouco mais do que um objeto de disputa entre homens. Barker apresenta-nos uma protagonista inteligente, lúcida e profundamente humana, que observa, sofre e questiona a violência que a rodeia. A guerra de Tróia, que nos foi vendida como palco de honra e glória, revela-se neste retelling um cenário de brutalidade, trauma e perda, sobretudo para as mulheres capturadas como espólio. Ao contrário do tom lírico e quase mítico de O Canto de Aquiles, O Silêncio das Mulheres aposta numa linguagem mais crua, despojada de romantismo, para nos confrontar com a realidade nua e dura da guerra. Pat Barker não se limita a recontar a Ilíada, desafia-a, e fá-lo com um olhar afiado, empático e corajoso. COMPRO NA WOOK! » Demon Copperhead, de Barbara Kingsolver Se Charles Dickens tivesse nascido nos Estados Unidos do século XXI, é provável que, em vez de David Copperfield, tivesse criado Demon Copperhead — a reinvenção contemporânea da sua obra pelas mãos de Barbara Kingsolver. As semelhanças entre as duas personagens não terminam na similitude dos apelidos. São ambos rapazes órfãos, vítimas de um sistema social falhado, que conhecem a negligência, a pobreza e a violência desde tenra idade. Enquanto David luta para encontrar o seu lugar na Inglaterra vitoriana, Demon enfrenta os desafios de uma América contemporânea marcada pela epidemia dos opiáceos, lares adotivos precários e um colapso social profundo. Ambos narram as suas histórias na primeira pessoa, oferecendo-nos um retrato íntimo das suas dores e resistências. Kingsolver não só atualiza o cenário criado por Dickens, como reinventa os seus arquétipos (o padrasto cruel, o amigo traiçoeiro, o amor frágil), para refletir as realidades atuais. Demon Copperhead é um tributo poderoso e contemporâneo ao clássico de Dickens e prova que certas histórias são universais, independentemente do tempo ou lugar em que acontecem. COMPRO NA WOOK! » Julia, de Sandra Newman As distopias também merecem reinterpretações, e Sandra Newman, com Julia, oferece uma leitura diferente de 1984. Sem perder o tom sombrio e inquietante do original, Julia, reconta a célebre distopia de Orwell a partir da perspetiva daquela que era apenas uma nota de rodapé na jornada malfadada de Winston Smith. Aqui, Julia não é somente a amante rebelde, é a protagonista absoluta, com voz, motivações e um passado que nos permite perceber as ambiguidades do seu papel no regime do Grande Irmão. A escritora norte-americana mergulha na psicologia desta personagem tantas vezes ignorada e mostra-nos uma mulher complexa, astuta e profundamente consciente das regras do jogo que precisa de jogar para sobreviver. O que Newman propõe não é apenas uma inversão de género, mas um novo olhar sobre o sistema opressor retratado por Orwell, menos centrado na vigilância externa e mais atento às microestruturas de poder, ao corpo feminino como território político e à manipulação das emoções como instrumento de controlo. COMPRO NA WOOK! » Os grandes clássicos não são monumentos intocáveis e inertes. O que os torna capazes de moldar sociedades e incitar novas formas de pensar é serem feitos de matéria viva, aberta à transformação. São cartas escritas ao futuro, e os retellings são as respostas — críticas, apaixonadas e conscientes — de quem escolhe relê-las com novos olhos.
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789899027961 |
| Publisher: | Editora Minotauro |
| Release Date: | May of 2022 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 153 x 235 x 24 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 344 |
| Format: | Book |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Romance
|
| EAN: | 9789899027961 |
REVIEWS
5 Estrelas!
VFS
Um romance que nos faz pensar nele mesmo após semanas de o termos terminado. A garra das personagem, o amor das personagens, a resiliência... É uma leitura fenomenal.
Maravilhoso
Beatriz A.
Poético. Emocionante. Genial. Uma história que ficará na memória de qualquer leitor.
Livro da vida
Ana Filipa
Um livro que me mudou. Muito lindo e bem escrito. Chorei imenso. Vale toda a pena a leitura.
O canto de Aquiles
Clarinda Chambel
Já conhecendo a obra da autora, com outras figuras mitológicas, mais uma vez um livro excelente que nos mostra uma outra perspectiva do herói que só conhecemos pelo seu calcanhar. E tanto mais há a descobrir. Vale a pena.
Poeticamente belo
Ana Antunes
Uma história tão bonita, como trágica. Foi sem dúvidas um dos melhores livros que li nos últimos anos. E apesar de termos uma ideia de como acaba a história, nada nos prepara para o quão emocionalmente envolvidos estamos, o que faz com que a tragédia final se faça sentir quase que na nossa alma.
Clássico
Marta Santos
Um clássico rescrito com genialidade. Adorei, aconselho vivamente. Escrita contagiante na leitura.
Maravilhoso
Mariana Pacheco
Adorei, adorei e adorei. Já tinha lido o Circe e adorei este adorei mais ainda. A maneira como a autora aborda a vida de Aquiles é simplesmente genial.
Simplesmente brutal
Elisabete
Sabemos ou teremos pelo menos uma ideia que esta história, mesmo que romanceada, teria sempre um final trágico. Considero a forma como a autora cria todo o desenrolar em slow burn, perfeita. Um slow burn sempre com a tragédia ali, em pano de fundo, e que nos agarra de forma clara até ao final emotivo que estilhaça qualquer hipótese de não se verter uma lágrima. Aquele final, especialmente pelas personagens envolvidas e o seu diálogo ficará para sempre na minha memória.
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