Miramar

by Naguib Mahfouz
Publisher: Livraria Civilização Editora, July of 2012 ‧
Um romance coeso e de grande carga emocional sobre vidas que se cruzam, Miramar desenrola-se na Alexandria do início dos anos 60. Seis personagens, todas agora exiladas por força das circunstâncias, tornam-se residentes da elegante e decadente Pensão Miramar. A figura central é Zohra, a bela camponesa cuja relação com as outras cinco personagens simboliza a essência da realidade política e social da época.

Miramar

by Naguib Mahfouz

Property Description
ISBN: 9789722635011
Publisher: Livraria Civilização Editora
Release Date: July of 2012
Language: Portuguese
Dimensions: 156 x 233 x 12 mm
Cover: Softcover
Pages: 192
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722635011

A realidade em perspetiva

Sónia Moreira Cabeça

Miramar é uma sombra do esplendor que uma vez teve. Nesta pensão, em Alexandria, a vida faz coincidir diferentes personagens, cada um com a sua visão singular de um mesmo período. Um livro que dá voz aos hóspedes que habitam um mesmo espaço e onde Zohra, a jovem criada rebelde que centra a teia, apenas tem voz pela narrativa daqueles cuja vida agita. Naguib Mahfouz, prémio Nobel da Literatura, oferece o retrato de uma época (anos 60), onde os detalhes sobre a vida política, social e cultural do Egito de então são parte importante.

Interessante mas não muito mais

Rita Oliveira

Miramar é uma pensão em Alexandria, habitada pela sua dona, a madame Mariana, por Zohra, a criada fugida da vida no campo e de um casamento indesejado, e por cinco hóspedes, todos homens: Amer Wagdi, Bey Marzuq, Sarhan el Beheiry, Hosny Allam e Mansour Bahy. Amer é um velho jornalista, que vai para a pensão com a intenção de aí viver em sossego os seus últimos dias. Aí, trava uma relação de amor-ódio com Marzuq, também já idoso, proprietário na falência extorquido de todos os seus bens. Os restantes três são todos jovens: Beheiry é contabilista, Hosny Allam procura ideias para abrir um negócio e Mansour Bahy é locutor numa rádio local. Aos cinco une-os Zohra, uns atraídos por ela, outros que dela querem ser protetores e outros ainda que querem aproveitar-se da sua inocência. A pensão é palco de encontros fortuitos, mas também de barulhentas discussões, além de visitas inesperadas, num vaivém que dela faz tudo menos um local sossegado. Um livro interessante mas que não fica nos meus inesquecíveis, apesar de escrito por um Nobel da Literatura.

Quando o Egipto se escrevia assim

Herlander Cruz

A escrita de Mahfouz é estranha. Uma atmosfera estranha, num tempo estranho. De tanta estranheza nasce-nos a vontade de entender. Aliás, este é o aspeto mais perverso dos seus livros - a "obrigação" de conhecer para melhor entender. E a súbita vontade de mergulhar no universo urbano de um Egipto-de-autor, polvilhado de emoções. Que se pode mais desejar de uma escrita?

Por iniciar

AFerreira

Reconheço que o tema/local me apaixona, Alexandria. A fama que precede o autor também foi um factor determinante para a compra desta obra. Pela sua história pessoal e pelo seu percurso literário e artistico conto ter em mãos um excelente romance. Ouvi opiniões excelentes sobre o autor, estou ansiosa para terminar outras obras a ler para iniciar esta.

ABOUT THE AUTHOR

Naguib Mahfouz

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1988

Romancista egípcio, Naguib Mahfouz nasceu a 11 de dezembro de 1911 em Gamaliya, nas cercanias do Cairo. Filho de um funcionário público, teve acesso a uma educação esmerada.
Após ter concluído os seus estudos secundários, ingressou na Universidade do Cairo, de onde obteve o seu diploma em 1934. Enquanto prosseguia um curso de pós-graduação, Mahfouz tomou a decisão de se tornar escritor a tempo inteiro.
Começou por colaborar para a imprensa com artigos e contos, reunindo estes últimos num volume aparecido em 1938. No ano seguinte conseguiu alcançar uma certa estabilidade ao seguir as pisadas do pai, tornando-se funcionário público no Ministério dos Assuntos Islâmicos.
Também nesse ano de 1939 publicou o seu primeiro romance, Abath al-Aqdar, obra em que, com volumes como Radubis (1943) e Kifah Tibah (1944), o autor procura fazer abranger a totalidade da história do Egipto. Em meados da década de 50, surgiu com Al-Thulatiya (1956-57, A Trilogia do Cairo), obra em que descreve as andanças da família de Al-Sayyid Amad Abd Al-Jawad durante três gerações, desde a Primeira Grande Guerra até ao tempo presente.
A Revolução do Egipto, ocorrida em 1952, depôs o monarca Farouk I e instaurou um regime liderado por Gamal Abdel Nasser. Desagradado com a situação, o escritor votou-se ao silêncio durante alguns anos. Reapareceu em 1959 com trabalhos de índole prolífica e variada.
Alterando o seu discurso e recorrendo à alegoria e ao simbolismo para veicular as suas opiniões políticas, publicou Al-Liss Wa-Al-Kilab (1961, O Ladrão e os Cães), romance que conta a história de um gatuno de convicções marxistas e que, após ter sido aprisionado e eventualmente libertado, procura a vingança e encontra a morte.
Após ter exercido as funções de diretor do Gabinete de Censura egípcio, Mahfouz retomou o mesmo cargo junto da Fundação para o Desenvolvimento do Cinema, entre os anos de 1954 e 1969. A partir de então tornou-se consultor cinematográfico para o Ministério da Cultura do seu país, acabando por se reformar em 1972.
Entretanto, em 1965 surgiu Al-Shahhadh (O Pedinte) e, dois anos depois, Miramar (1967), romance que descreve a vida de uma rapariga através de quatro narradores, cada um deles representando uma corrente de pensamento político diferente.
Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1988, Naguib Mahfouz caiu no desagrado dos fundamentalistas islâmicos que, em 1994, enviaram dois assassinos ao seu encontro. Apunhalaram o escritor no pescoço com uma faca de cozinha, mas falharam o atentado e, capturados, foram ambos condenados à morte no ano seguinte.
Faleceu no Cairo a 30 de agosto de 2006, com 94 anos.

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