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Léxico Familiar

by Natalia Ginzburg
Book eBook
Publisher: Relógio D'Água, January of 2019 ‧
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Léxico Familiar é o principal livro de Natalia Ginzburg e um clássico da literatura italiana contemporânea. A narrativa acompanha a vida dos Levi, que viveram em Turim entre 1930 e 1950, período em que se assiste à ascensão do fascismo, à Segunda Guerra Mundial e aos acontecimentos que se lhe seguiram.

Natalia, uma das filhas do professor Levi, foi testemunha dos momentos íntimos da família e dessa conversa entre pais e irmãos que se converteu num idioma secreto. Nesta narrativa de pendor autobiográfico, os acontecimentos quotidianos misturam-se com reflexões que mantêm toda a atualidade.

O livro venceu em 1963 o Prémio Strega.
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Entre mergulhos

O verão convida a abrandar o ritmo e a recuperar o prazer de ler sem pressa. Entre um mergulho, uma caminhada ou uma tarde à sombra, nem sempre apetece começar uma leitura longa. Estas cinco sugestões provam que um romance breve ou uma coletânea de contos podem oferecer uma experiência literária tão rica quanto qualquer obra de maior fôlego. Livros para começar e, com sorte, terminar antes do próximo mergulho. O Vento que Arrasa, de Selva Almada Bastam quatro personagens e uma avaria no automóvel para que Selva Almada construa, em O Vento que Arrasa, um romance onde quase tudo acontece nas entrelinhas. Um pastor evangélico e a filha ficam retidos numa oficina isolada. É aí que conhecem um mecânico e o jovem que o ajuda. O enredo parece simples, mas cada conversa altera discretamente as relações entre eles, revelando diferentes formas de ver o mundo. Almada escreve com uma economia impressionante. Evita explicações psicológicas e transforma a paisagem numa extensão do conflito entre as personagens. O calor avassalador, entrecortado por tempestades repentinas, não serve apenas de cenário, molda o ritmo e a intensidade narrativa. Ao contrário de romances que dependem de reviravoltas constantes, este vive da expectativa e da tensão acumulada. Há qualquer coisa de teatral na forma como aquelas pessoas permanecem confinadas ao mesmo espaço, obrigadas a confrontar-se sem nunca dizerem tudo o que pensam. O resultado é um livro que continua a ressoar depois de fechado, com ecos de Juan Rulfo na escrita depurada e de Flannery O'Connor na forma como o fervor religioso e a ambiguidade moral são explorados. COMPRO NA WOOK! » Amok, de Stefan Zweig Poucos escritores dominaram tão bem a novela psicológica como Stefan Zweig. Em Amok, um encontro fortuito desencadeia uma obsessão capaz de consumir uma vida inteira. Em pouco mais de oitenta páginas, um médico recorda o momento em que recusou ajudar uma mulher e a forma como essa decisão moldou o seu destino. A narrativa assume a forma de uma longa confissão em que o protagonista procura compreender o impulso que o conduziu à ruína. Sem nos apercebermos, entramos com ele numa espiral psicológica em que culpa, desejo, orgulho e arrependimento se confundem até se tornarem indistinguíveis. O título da novela remete para um estado de descontrolo descrito em algumas culturas do Sudeste Asiático, mas Zweig sugere que qualquer ser humano pode ser arrastado por essa corrida cega. O autor interessa-se menos pelos acontecimentos exteriores do que pela forma como a mente os amplia, recusando julgamentos fáceis sobre as suas personagens e privilegiando as zonas mais ambíguas da condição humana. Se, por um lado, O Vento que Arrasa encontra tensão naquilo que as personagens calam, Amok vive da impossibilidade de conter aquilo que as consome. COMPRO NA WOOK! » Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg À primeira vista, Léxico Familiar parece limitar-se ao quotidiano de uma família italiana. A partir de conversas, expressões repetidas e pequenas memórias que, isoladamente, poderiam parecer insignificantes, Natalia Ginzburg constrói um dos retratos familiares mais marcantes do século XX. À medida que acompanhamos esta família, a Itália atravessa o fascismo, a guerra e a reconstrução do pós-guerra, mas Ginzburg nunca transforma esses acontecimentos no centro da narrativa. Opta por observá-los a partir da vida doméstica, mostrando como a História se infiltra na linguagem de todos os dias. As palavras que cada membro da família repete acabam por formar uma espécie de património comum que preserva um mundo que o tempo já levou. A escrita é de uma simplicidade aparente. Sem dramatizar nem ceder à nostalgia, o livro encontra um equilíbrio raro entre o humor e a melancolia, deixando que as personagens e as suas vozes revelem, por si mesmas, a passagem do tempo. O resultado é um romance breve que mostra como a história de uma família pode conter, em miniatura, a história de um país inteiro. COMPRO NA WOOK! » Canção do Profeta, de Paul Lynch Em Canção do Profeta, Paul Lynch não procura explicar como nasce um regime autoritário, prefere focar-se no que acontece às pessoas quando a liberdade começa a desaparecer. Depois de o marido ser detido pelas forças de segurança do Estado, Eilish Stack tenta manter a normalidade da vida familiar enquanto o país à sua volta mergulha numa espiral de repressão. O romance nunca se apresenta como uma distopia convencional. Mais do que explicar as causas do colapso político, interessa-lhe sobretudo revelar o seu impacto sobre quem continua a ter de levar os filhos à escola ou esperar por alguém que talvez nunca regresse. Tal como em Léxico Familiar, é essa redução da grande História à escala doméstica que confere ao romance uma força invulgar. A escrita de Lynch é asfixiante. As frases prolongam-se, quase sem descanso, obrigando-nos a partilhar a ansiedade da protagonista. Daí nasce uma leitura claustrofóbica, que avança como se também ela estivesse a perder o ar. Apesar da sua brevidade, o romance acompanha a rápida desagregação de uma família e de uma sociedade, deixando no leitor a sensação de ter percorrido um longo caminho ao lado de Eilish. É essa capacidade de concentrar uma transformação tão profunda em poucas páginas que faz de Canção do Profeta um exemplo notável de como a intensidade de uma leitura raramente depende da extensão. COMPRO NA WOOK! » Nove Contos, de J. D. Salinger Um Dia Ideal para o Peixe-Banana é um dos contos mais perfeitos que li na vida. Somos apresentados a Seymour, o mais velho dos irmãos Glass, uma família a que Salinger regressaria em vários contos e novelas. Numa ida à praia, Seymour conhece Sybil Carpenter, uma menina com quem estabelece uma conversa simultaneamente ingénua e inquietante. É através desse diálogo, à primeira vista banal, que Salinger concentra toda a tensão do conto, conduzindo o leitor a um desfecho trágico que continua a surpreender, mais de setenta anos após a sua publicação. Embora esse seja, para mim, o ponto mais alto da coletânea, Nove Contos mantém um nível de consistência raro. Publicados originalmente na The New Yorker, os contos abordam temas como o trauma da guerra em Para Esmé - com Amor e Sordidez, a dificuldade de comunicação entre adultos e crianças em Em Baixo no Bote ou a procura de sentido espiritual em Teddy. As nove histórias revelam, cada uma à sua maneira, a extraordinária capacidade de Salinger para construir personagens memoráveis em poucas páginas e confiar no leitor para descobrir aquilo que permanece por dizer. COMPRO NA WOOK! »

Léxico Familiar

by Natalia Ginzburg

Property Description
ISBN: 9789896419011
Publisher: Relógio D'Água
Release Date: January of 2019
Language: Portuguese
Dimensions: 155 x 234 x 16 mm
Cover: Softcover
Pages: 200
Format: Book
Collection: Ficções
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789896419011

Aquilo que nos fica

António Mateus

Como ao correr da pena, numa narrativa aparentemente simples e corrida dos factos, com descricões aparentemente superficiais dos personagens, vamos, sem quase nos darmos conta, consolidando um retrato de todos os intervenientes e das suas circunstâncias. Mais: mas, paradoxalmente, parágrafos há, em que Natália Ginzburg, escrevendo o que escreveu, nos mostra a capacidade de análise e profundidade do seu pensamento sobre a condição humana, deixando-nos a nós a opção/obrigação de meditar sobre o que nos conta no seu livro.

Muito bom!

SSR

Pode descrever-se este livro como uma autobiografia familiar, que desafia e subverte qualquer divisão possível entre público e privado, denunciando a artificialidade dessa divisão e escancarando a realidade de que os grandes fatos históricos têm impacto direto na vida dos sujeitos, assim como tudo o que acontece na vida dos sujeitos só pode ser entendido a partir do seu contexto histórico e social. Definitivamente recomendo a leitura desta obra.

UM GRANDE ROMANCE

Fernando Flores

Natalia Grinzburg conta-nos a história de uma época através da história da sua própria família. Um romance que se lê sem paragens, como se nos tivéssemos sentados em casa de Natalia e ela nos deixasse conviver com a sua família e seus amigos. Mais do que as palavras que povoavam as relações familiares, são os compromissos coletivos que nos prendem e a forma como todos convivem com um ambiente hostil de uma Itália que acabou por ser tomada pelo fascismo. O léxico com que convivia Natalia ia muito para além do entendimento familiar do dia a dia. Cada palavra era um código que permitia a todos conviver e ao mesmo tempo conviverem com todas as transformações daquela época. O romance ajuda-nos a perceber a Europa em que vivemos e as contradições da própria Itália. Mas, como sugere o título, as palavras contam e por isso mesmo o texto está recheado de momentos deliciosos, típicos de uma família italiana.

Os Cafres

SMC

A advertência surge no início. São pessoas reais com nomes reais. Natalia apresenta-nos a família e constrói um quadro muito vivido daquelas pessoas. Creio que será difícil encontrar a voz de narrador quando o assunto somos nós. Natalia fá-lo na perfeição. As personagens respiram. O livro agarrou-me desde a primeira frase. Leiam, conheçam o léxico desta família, não sejam cafres.

ABOUT THE AUTHOR

Natalia Ginzburg

Natalia Levi, que viria a adotar o apelido Ginzburg do seu primeiro marido, nasceu em Palermo a 14 de julho de 1916.
Passou grande parte da vida em Turim, para onde o pai, professor universitário de Anatomia, foi transferido em 1919. Tanto ele como os irmãos de origem judaica foram presos e acusados devido às suas ideias antifascistas.
Apesar de a sua mãe ser católica, Natalia teve, como toda a família, uma educação laica. Estudou no liceu Alfieri e publicou o seu primeiro livro de contos, I bambini, aos dezassete anos. Cinco anos mais tarde casou com Leone Ginzburg, professor de Literatura Russa. O casal manteve relações de amizade com Cesare Pavese e Carlo Levi, entre outros escritores.
Em 1940, exilaram-se em Pizzoli. Sob o pseudónimo Alessandra Tornimparte, Natalia publicou, em 1942, O Caminho da Cidade, que seria reeditado em 1945 já com autoria assumida.
O marido foi detido e torturado até à morte na Prisão de Regina Coeli em 1944. Nesse mesmo ano, Natalia Ginzburg deslocou-se para Roma, entretanto libertada, e começou a trabalhar na editora Einaudi, aí publicando os seus livros.
Em 1947, surgiu o seu segundo romance, Foi assim, que obteve ex aequo o prémio Due Cicogne — Il Tempo di Milano.
Em 1950, casa com Gabriele Baldini, especialista em Literatura Inglesa, de quem terá dois filhos.
Em 1961, publica As Palavras da Noite, que será adaptado ao cinema. Dois anos depois, sai Léxico Familiar, uma novela autobiográfica. Interpreta o papel de Maria de Betânia em Evangelho segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini.
A partir do final da década de sessenta, publica vários livros, todos eles abordando relações familiares. Natalia Ginzburg foi também autora de várias comédias teatrais e tradutora de Proust, Flaubert e Maupassant.
Foi eleita para o parlamento italiano em 1983.
Morreu a 7 de outubro de 1991.

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