10% OFF

K2 - a Rainha das Montanhas

by João Garcia e Aurélio Faria
Book eBook
Publisher: Lua de Papel, October of 2025 ‧
16,50€
14,85€
10% OFF
IN STOCK -
free shipping
Assassina. Selvagem. Imponente. São estes os adjetivos que qualificam a segunda montanha mais alta do planeta e o pico que os paquistaneses conhecem por Chogori, a Montanha das Montanhas.

No Verão de 2007, João Garcia começou a escalada. Levava na memória a tragédia ocorrida apenas um ano antes, no Tibete, quando perdeu um dos companheiros de expedição. Agora estava de volta, com um receio acrescido: as condições estavam longe de serem as ideais, e a montanha que o esperava era considerada a mais mortífera do planeta. As estatísticas não eram meigas: só 30 por cento dos alpinistas tinham sucesso.

No dia 20 de julho atacou a última etapa, sem oxigénio artificial, como sempre tinha feito. Lá em baixo, no acampamento-base, a 5.000 m, o jornalista Aurélio Faria acompanhava por telescópio a aventura.

Andava há dois meses a reportá-la, mas o espaço que tinha para a cobertura era limitado, e muito material ficou de fora. Quase 20 anos depois, o jornalista e o alpinista, que então foi o primeiro português a atingir o cume, reuniram-se para resgatar memórias. Compararam escritos e recuperaram tudo o que tinha ficado no esquecimento.

Assim nasceu K2 - A Rainha das Montanhas, o testemunho desta expedição épica, que os marcou a ambos, e onde João Garcia voltou a justificar a alcunha que os amigos nepaleses lhe deram em 1999: Tshinring dai - "aquele que vive muito tempo" em sherpa.
JoãoGarcia_Wookacontece_640.jpg

João Garcia em entrevista: as lições de uma vida nas montanhas

João Garcia Figura maior do alpinismo português, João Garcia continua a transformar as suas experiências em histórias de inspiração. No seu novo livro, K2— A Rainha das Montanhas, o experiente alpinista recorda a sua expedição à segunda mais alta montanha do planeta, assassina, selvagem e imponente. Antes dele, só um terço dos alpinistas que se atreveram a escalá-la conseguiu completar o objetivo. Durante mais de dois meses, foi acompanhado nesta aventura pelo jornalista Aurélio Faria, que checou até ao acampamento-base, a 5.000 metros, de onde continou a observá-lo, por telescópio, tomando valiosas notas da viagem. Quase duas décadas depois, estes companheiros reuniram-se para resgatar memórias e transformá-las num livro que é um testemunho de conquista e superação. E uma lição de vida.
Antes, João Garcia tinha já publicado A Mais Alta Solidão e 14 — Uma Vida nos Tectos do Mundo, entre outros títulos em que relata a sua jornada. Nesta entrevista, reflete sobre a resiliência, o poder do medo, o instinto que tantas vezes lhe salvou a vida, e a vontade de continuar a subir montanhas.
  O que te inspirou a interessares-te pelo alpinismo?
Tudo começou nos escuteiros, por volta dos 12 anos; aos 14 começámos a usar cordas para subir árvores, colocar a corda à volta de um penedo e fazer a técnica de descida, o rapel. Só que era limitado. Eu fazia uma pergunta ingénua, mas necessária: nas grandes montanhas, quem é que vai à volta colocar a corda? Basicamente, queria aprender a subir montanhas. Já nessa altura tinha a ambição de subir montanhas.   «Nunca desisti da minha liberdade de subir montanhas (…), provando, acima de tudo a mim próprio, que se calhar não há limites, está tudo aqui [na cabeça].» Como conseguiste concretizar essa ambição?
Houve uma inspiração inicial: lembro-me das publicações da National Geographic, das enciclopédias com algumas demonstrações de técnicas. No início, eu e alguns amigos corríamos riscos desnecessários porque éramos autodidatas, mas depois comecei a escalar com outras pessoas. Trabalhei na Bélgica e aproximei-me mais dos Alpes. Na altura, demorava sete horas de autocarro de Lisboa até à Serra da Estrela pela rodoviária nacional; ora, da Bélgica aos Alpes franceses eram sete horas de carro! Passei de uma montanha de 2000 para uma de 4000 metros, tinha outras companhias, e evoluí muito no início dos anos 90.

É uma atividade que não se faz sozinho. Tinhas um bom grupo?
Na Serra da Estrela conheci pessoas do Clube de Montanhismo da Guarda, e de Lisboa. A partir daí, comecei a praticar com mais frequência: todos os fins de semana ia escalar ou fazer alguma atividade de montanha. Esses amigos também iam para os Alpes uma ou duas vezes por ano fazer atividades de neve e gelo, e eu comecei a fazer o mesmo. Foste o primeiro português a escalar as 14 montanhas mais altas do mundo, sem oxigénio suplementar. Qual foi a expedição mais desafiadora para ti, e porquê?
Houve uma evolução lenta e progressiva, primeiro com montanhas de 4800 metros e depois, na América do Sul, uma de 5600. Chegar ao Evereste era só uma questão de tempo. O projeto das 14 montanhas surgiu como forma de chamar a atenção; já que tinha funcionado com alpinistas de outras nacionalidades, por que não funcionaria em Portugal? Era um projeto muito arrojado — na altura, só duas pessoas no mundo o tinham conseguido. Consegui cativar parceiros e passar da paixão ao profissionalismo na modalidade do alpinismo, num país que respira futebol, o que vejo como “um milagre”.

Como foi a experiência de escalar o Evereste sem oxigénio suplementar e como lidaste com os ferimentos graves que sofreste?
Foi a pior escalada da minha vida. A expedição ao Evereste em 1999 não correu bem. Cometemos erros: perdi um companheiro e amigo, e parte dos meus dedos. Foi uma recuperação difícil, mas já tinha anos de prática. Ir para a montanha torna-nos mais solitários, frios, calculistas e pragmáticos. Não vejo as coisas como o típico português que diz “pagaste um preço muito alto”.
. Cometi erros e, num certo nível, os erros têm grandes consequências. Foi uma recuperação lenta, gradual. Percebi que com as mãos menos fortes teria limitações, mas nunca desisti da minha liberdade de subir montanhas. Voltei outra vez às montanhas da América do Sul, às montanhas dos Himalaias e dois anos depois tinha conseguido subir outra montanha com mais de 8000 metros, provando, acima de tudo a mim próprio, que se calhar não há limites, está tudo aqui [na cabeça].

Tiveste de lidar com a dor de perder um amigo e sofrer uma mudança física — como conseguiste olhar em frente?
Tentando tirar uma leitura do positivo e do que foi alcançado e, acima de tudo, tentar aprender com os erros. Há coisas que controlamos e outras que não. Uma boa parte das consequências deveu-se a erros nossos; depois para agravar, vieram coisas terríveis como a mudança da meteorologia. No século passado, escalávamos de forma primitiva, sem acesso à informação – era um tiro no escuro. Hoje em dia, é científico: com acesso aos modelos matemáticos de previsões meteorológicas e com as telecomunicações, há mais segurança e maior probabilidade de sucesso. Continua a ser desafiante e com riscos, mas o medo é necessário para calibrar o bom senso. Porque no dia em que se perde o medo, as pessoas acabam por cometer erros.

O medo é importante, mas e o instinto? Já te salvou?
Várias vezes. O instinto é fundamental. Demora-se cerca de 20 anos a ganhar este feeling, esta capacidade de quase tentar adivinhar o invisível. Aliás, deixei as montanhas de 8000 m, porque para esse trabalho específico, sem recorrer a oxigénio, temos de estar no auge da nossa capacidade física/experiência, com o instinto lá dentro, entre os os 35 e os 45 anos de idade. Lembro-me da descida épica da terceira montanha mais alta do mundo, a Kangchenjunga. Deixei refletores num ponto porque intuía que, ao regressar cansado, poderia esquecer que era necessário virar nesse ponto. E foi o que aconteceu — vi o reflexo e percebi que era ali. Se tivéssemos continuado a descer, talvez não tivéssemos forças para voltar a subir. Esse instinto salva vidas.   «O medo é necessário para calibrar o bom senso. Porque no dia em que se perde o medo, as pessoas acabam por cometer erros.» De todas as montanhas que escalaste, qual teve maior impacto em ti?
O Evereste foi a pior, mas houve expedições muito positivas. No Kangchenjunga, já era profissional, já estava a aproveitar a adaptação a altitude de uma uma expedição e encadear logo na seguinte. Fiz expedições rápidas, como no Broad Peak, em 11 dias. A última, ao Annapurna, fiz em sete dias. As pessoas dizem “que sorte”, mas essa sorte deu muito trabalho – adaptei o meu corpo à altitude noutra montanha menos perigosa antes. São anos de experiência e novas estratégias.

Como te preparas hoje física e mentalmente – fazes também meditação?
Fisicamente, com ciclismo, atletismo, natação e escalada em rocha. O meu trabalho a levar pessoas à montanha é também treino. Mentalmente, quando treino, estou em meditação. Gosto de treinar sozinho para cultivar a força de vontade — que a motivação venha de dentro. Às vezes, é importante a camaradagem, pois faz com que tenhamos mais consistência de treino, mas sempre me forcei a treinar sozinho para que o treino não seja pela companhia, mas sim tenha uma motivação intrínseca. O que te mantém motivado depois de tantos anos?
A vontade de me superar. O projeto das 14 montanhas acaba por ser repetir o que outros já tinham feito. Mas neste momento eu gosto é de escalar por vertentes onde ninguém subiu, estar em picos onde ninguém esteve. Por exemplo, nos Himalaias, subir não montanhas de 8000 metros, mas de 6000, mais leves e acessíveis.

Já viveste situações críticas enquanto alpinista. Houve momentos em que sentiste que tudo podia correr mal? Sim, muitos, nem gosto de recordar. Mas posso contar uma menos grave. Em 2006, um companheiro teve um ataque epilético. Abandonei tudo para o levar a um local onde o helicóptero o pudesse buscar. O Nepal estava em guerra civil, sem combustíveis, mas consegui. Ele recuperou e eu voltei à montanha. Respeito sempre a vida. Arrisco a minha vida por uma vida, não por um corpo. A vida é a prioridade. O importante numa expedição é nós darmos o melhor e regressarmos bem.

Que mensagens quiseste transmitir com os livros que já publicaste?
O primeiro, A Mais Alta Solidão, foi para contar a minha versão do Everest. Na altura, foram foram escritas tantas coisas por pessoas que não saem da secretária e não não estão dentro da da matéria, que eu senti essa necessidade de contar a minha versão. O segundo, Mais Além, reuniu 12 diários de expedições após o Evereste — quis mostrar que o importante não é cair, mas levantarmo-nos sempre depois da queda. Depois veio Os 10 Passos para Atingir o Topo, com Rui Nabeiro, e é engraçado como coincidimos em 9 de 10 questões. E o 14 - Uma Vida nos Tectos do Mundo, que encerrou o projeto das 14 montanhas, homenageando as pessoas me ajudaram a chegar onde cheguei, porque na verdade tudo o que nos acontece na vida, direta ou indiretamente, é fruto do trabalho de uma grande equipa.

Que conselho darias a quem quer começar no alpinismo?
Que mudem de ideias e se dediquem a um desporto de praia! (risos) O aquecimento global está a derreter tudo. Há um aquecimento global efetivo: as montanhas, os glaciares no Nepal, estão a deixar de ser gelo e vão passar a ser lagos gigantescos, o que é um grande risco pois todos aqueles diques naturais um dia vão rebentar e todas as aldeias próximas dessas linhas de água, qualquer dia vão ter um tsunami. Parece que já não há volta atrás.
Mas para quem quer fazer alpinismo, hoje há clubes e cursos de iniciação. A internet também ajuda muito — perguntem ao senhor Google.

Tens participado em projetos de preservação das montanhas?
Não diretamente. Tenho sido convidado para palestras motivacionais. As empresas veem paralelismos entre o alpinismo e o trabalho em equipa. Eu partilho como a minha paixão, honestidade e trabalho em equipa são importantes. Como elemento externo, tenho uma isenção e uma credibilidade que faz com que as pessoas saiam da sala a sentir que, se eu consigo, eles também conseguem.

Consegues apontar um momento especialmente gratificante da tua carreira?
Nos anos oitenta, fui dos pioneiros em triatlo de competição. Há uns anos, um triatleta disse-me que começou a praticar triatlo porque soube que eu fiz a modalidade; o ultramaratonista Carlos Sá também. É um orgulho perceber nós, os alpinistas, já não somos vistos como “os conquistadores do inútil” — somos úteis à sociedade, inspirando e motivando. Isso é gratificante.

K2 - a Rainha das Montanhas

by João Garcia e Aurélio Faria

Property Description
ISBN: 9789892367156
Publisher: Lua de Papel
Release Date: October of 2025
Language: Portuguese
Dimensions: 159 x 234 x 12 mm
Cover: Softcover
Pages: 192
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Sports and Leisure > Other Sports
Books in Portuguese > Fiction > Memories and Testimonies
EAN: 9789892367156

PEOPLE WHO BOUGHT ALSO BOUGHT