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Infância, Adolescência e Juventude

by Tolstoi
Publisher: Clássica Editora, February of 2021 ‧
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A obra literária de Tolstoi tem sido descrita como «um enorme diário mantido ao longo de mais de cinquenta anos». Esse diário tem início com Infância, o primeiro livro que Tolstoi publicou, quando tinha apenas vinte e três anos.

É uma obra semi-autobiográfica que relata a infância de Nikolai Irteniev aos dez anos de idade, recriando pessoas, locais e acontecimentos com a vivacidade de uma criança, enriquecida pela irónica compreensão retrospectiva de um adulto. Pouco tempo depois, seguiram-se Adolescência e Juventude, e Tolstoi lançou-se numa carreira literária que lhe viria a dar a imortalidade.

Esta trilogia constitui uma introdução indispensável ao método literário de Tolstoi e às suas principais preocupações - amor, moralidade e não-violência. A sua mestria como contador de histórias sobrevive não só à tradução, como à passagem do tempo, deleitando os leitores actuais de todos os tipos e idades.
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Infância, adolescência e juventude

Há quem veja a infância como um paraíso perdido e a juventude como o seu contrário: uma batalha pela emancipação. Entre uma e outra, a adolescência aparece como um território turbulento, feito de excessos e de deslocamentos. Mas se a vida adulta nos convida a olhar para trás, percebemos que estas idades não se esgotam nos calendários da escola ou nos rituais de passagem social: continuam a reverberar, subterrâneas, ao longo da vida. Um adulto nunca deixa de ser criança, adolescente e jovem; apenas aprende a disfarçar ou a negociar com estas vozes. A literatura, com a sua capacidade de suspender o tempo, tem sido um dos lugares privilegiados para pensar nestas passagens: a beleza e o trauma, a promessa e a perda.
Quatro livros, de épocas e geografias distintas, mostram-nos isso com intensidade particular: Bambino a Roma, de Chico Buarque; Sempre Estrangeira, de Claudia Durastanti; Infância, Adolescência e Juventude, de Lev Tolstói; e Retrato do Artista Enquanto Jovem, de James Joyce. Cada um encena, à sua maneira, a perplexidade de crescer. Bambino a Roma, de Chico Buarque Bambino a Roma é uma lembrança, mas é também um exercício de tradução. Chico Buarque recupera o menino que foi em Roma, filho de Sérgio Buarque de Holanda, num tempo em que a cidade era, para ele, tanto casa como estranheza. A infância surge aqui como uma geografia instável: a criança oscila entre línguas (português e italiano), entre espaços (a casa e a rua), entre papéis (filho de diplomata, mas também apenas um menino curioso). O olhar infantil atravessa a cidade não como turista nem como habitante, mas como alguém que ainda não tem as palavras para nomear o mundo.
O mais interessante é que este olhar não é inocente: a criança sente-se estrangeira no quotidiano. Roma aparece não como cenário monumental, mas como um território de pequenos absurdos, de sons, de gestos que não se entendem. O estrangeiro não é apenas o brasileiro em Roma, mas a própria condição da infância: todos somos estrangeiros na vida quando a estamos a aprender pela primeira vez.
Ao escrever, Chico reconhece que a infância só existe como memória narrada. O livro mostra essa duplicidade: é um adulto que recorda e inventa, e ao fazê-lo percebe que a infância nunca pode ser recuperada em estado puro. Só podemos narrá-la como estrangeiros de nós mesmos. A lição do livro é subtil: a infância não é apenas um tempo que passa, é uma língua que continuamos a tentar traduzir. COMPRO NA WOOK! »

Infância, Adolescência e Juventude

by Tolstoi

Property Description
ISBN: 9789725614112
Publisher: Clássica Editora
Release Date: February of 2021
Language: Portuguese
Dimensions: 131 x 201 x 23 mm
Cover: Softcover
Pages: 376
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789725614112

ABOUT THE AUTHOR

Tolstoi

Lev Tolstoi (1828-1910) nasceu na Rússia, no seio de uma família nobre. Órfão desde cedo, optou por seguir a carreira militar, servindo-se mais tarde das suas experiências no campo de batalha para representar a guerra de forma realista nos seus romances.

Em 1856, abandona o exército e viaja pela Europa para estudar Pedagogia. De regresso à Rússia, dedica-se à escrita, publicando mais tarde em fascículos Guerra e Paz (1865-69) e Anna Karénina (1875-77), ainda hoje considerados dois dos melhores romances de sempre.

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