10% OFF

Imperador de Roma

by Mary Beard
Publisher: CRITICA, May of 2024 ‧
22,90€
20,61€
10% OFF
free shipping
Sell ​​your book
Mary Beard regressa à Roma Antiga para nos contar a história dos imperadores que governaram o Império Romano. Começando por Júlio César (assassinado em 44 a.C.) levando-nos ao longo de cerca de três séculos - e quase 30 imperadores - até Alexandre Severo (assassinado em 235 d.C.). Mas, este livro não é uma cronologia dos imperadores de Roma - o louco Calígula, o monstruoso Nero e o filósofo Marco Aurélio -, pelo contrário, Mary Beard coloca questões diferentes, mais vastas e mais profundas: que poder tinham de facto os imperadores? O palácio romano estava realmente tão manchado de sangue? Que tipo de piadas contava Augusto? O que realmente aconteceu, por exemplo, entre o imperador Adriano e o seu amado Antínoo?

Combinando o épico com o quotidiano, Mary Beard segue o imperador em casa, nas corridas, nas suas viagens e até no seu caminho para o céu. Apresenta-nos as mulheres e amantes do imperador, rivais, conspiradores e escravos, bobos da corte e soldados, e as pessoas comuns que lhe entregavam cartas a pedir esmola. E, derruba mitos que sempre demos como certos, entre os quais a perceção de que todos os imperadores eram orquestradores de extrema brutalidade e crueldade.

Neste extraordinário livro, com base em mais de trinta anos de ensino e escrita, Mary Beard oferece um relato da história de Roma, desde a sua fundação até à sua queda, como nunca antes foi apresentado.

«Um relato abrangente do mundo social e político dos imperadores romanos pela classicista mais famosa do mundo.»
The Guardian

Triclinium_Wookacontece_640.png

Imperador de Roma: um mergulho assombroso e empolgante na vida dos soberanos do mundo antigo

«Bem-vindos ao mundo dos imperadores romanos», diz-nos Mary Beard, a classicista especializada em História romana que é exímia a contá-la – como demonstram os vários livros que já publicou e os documentários que criou para a BBC sobre o Império Romano. E, quando ela o diz, podemos estar seguros de que vem aí uma aventura de descoberta, espanto e bom humor. Imperador de Roma, o seu novo livro, explora tanto factos como ficção à volta dos quase 30 soberanos romanos e as suas companheiras, desde Júlio César (assassinado a 44 a.C.) a Alexandre Severo (assassinado no ano 235). Não é, portanto, uma cronologia, mas assenta em investigação rigorosa. Partindo do que está documentado, Beard levanta questões que só quem está muito por dentro da História poderia fazer: por que motivo os imperadores terão feito certas coisas?; qual a razão de as suas histórias terem sido relatadas de forma extravagante e, não raramente, sórdida? Poder, corrupção e conspiração são abordados como a camada subjacente aos aspetos práticos do seu quotidiano: com quem dormima?; como viajavam?; o que comiam e onde?
Há muito a descobrir neste livro que combina o épico com o quotidiano. Para espevitar a sua curiosidade, vamos optar por um ângulo que nos agrada especialmente, a nós portugueses… O mundo do imperador, diz-nos Mary Beard, «começa na sala de jantar». A autora agarrou o que considera ser «uma oportunidade de colocar o imperador novamente no seu habitat e indagar sobre as outras pessoas no palácio cujo trabalho sustentou o seu regime. Espreite, agora, alguns excertos muito demonstrativos de como podia ser perigoso ser convidado para jantar com o imperador. O QUE ESTAVA NO CARDÁPIO? p. 109-110
(…) os alimentos servidos na mesa imperial deverão ter variado entre as ceias simples de Trajano e as mais extravagantes «exibições de comida». As histórias que lemos sobre os pratos mais sumptuosos do cardápio deixam perceber ideias complexas que seguiam os conceitos da haute cuisine do mundo inteiro. Incluem ingredientes caros e difíceis de encontrar, sendo, muitas vezes, conjugados de forma a parecerem algo que não eram (o truque do «cisne totalmente feito de açúcar glacé», para dar um exemplo atual). Foi o que aconteceu com muitas das iguarias que fariam as preferências de Heliogábalo e de outros bon vivants que subiram ao trono. Por exemplo, o prato preferido do imperador Vitélio era conhecido por «Escudo de Minerva» por causa da enorme travessa que ocupava e, alegadamente, era uma combinação de fígado de lúcio, miolos de faisão e pavão, línguas de flamingo e vísceras de lampreia, especialmente importadas em navios de guerra desde a Pártia, no Oriente, e da Península Ibérica, no Ocidente. A forma como os alimentos eram consumidos só contribui para o meu ceticismo em relação a algumas das confeções complexas. Que tipo de refeições é que os comensais poderiam comer com facilidade, só com uma mão, meio deitados e sem a vantagem dos atuais garfos, mesmo que tivessem muita prática? A minha ideia é que, de algum modo, pratos de grande dimensão e elaborados eram confecionados de vez em quando e servidos com grande cerimónia para impressionar os convivas. (…) Porém, depois da grandiosa apresentação, quase todos os restantes alimentos terão sido cortados em pequenos pedaços antes de serem servidos aos convidados ou mandados a flutuar naqueles pequenos pratos. Se estou certa, os banquetes imperiais romanos terão sido mais ao estilo de tapas e não o típico prato com carne e legumes. POR DEBAIXO DAS ESCADAS pgs.110-111
«Por muito excessivos que estes banquetes fossem, é possível obter uma imagem surpreendentemente clara de alguns homens e mulheres que os possibilitaram: não os convidados que desceram as escadas para o salão de entretenimento de Nero, com toda a sua expectativa e ansiedade, mas aqueles que desceram esses mesmos degraus a custo, carregados de tabuleiros com bebidas e iguarias para servir aos comensais e, depois, os subiram com os pratos sujos. É obviamente verdade que os banquetes romanos, quer fossem organizados pelo imperador ou por homens como Plínio, se basearam na exploraçã de centenas ou milhares de escravos, em muito maior número do que aqueles que se recostavam nos sofás.» Gustave Boulanger, Un repas chez Lucullus; Triclinium d’été, 1877, Fonte: Wikimedia Commons MORRER A COMER pgs. 119-120
«A questão era que, comer com o soberano, em especial num ambiente de intimidade, deveria fazer com que os hóspedes sentissem estar no centro do poder, permitindo-lhes também tentar dar a volta ao imperador, muito à semelhança do que acontece nos jantares com os líderes políticos da atualidade. Certas alegações antigas de que os cargos de prestígio eram concedidos aos camaradas de borga do imperador ou que as grandes decisões eram tomadas à mesa do banquete fazem lembrar os tempos atuais. Um caso clássico desse tráfico de influências exercido à mesa do jantar relaciona-se com a estátua de ouro de Calígula, que o próprio planeou erigir no Templo de Jerusalém, ofendendo despudoradamente as sensibilidades religiosas dos judeus. Segundo uma versão desta história complicada, finalmente resolvida apenas com a morte de Calígula, foi durante um jantar caro, realizado em Roma por Herodes Agripa, então rei da Judeia e com um excelente relacionamento com a casa imperial de Roma, que se revelou possível convencer Calígula a pensar melhor sobre a estátua. Porém, a imagem do jantar imperial estava também indelevelmente ligada a uma de alto risco. Foi quase uma cena de crime romana clássica como a casa de campo o é na atual ficção britânica (punhais na biblioteca, etc.), quer fosse a morte de Cláudio depois de comer um prato de cogumelos envenenados, ou os rumores sobre o assassínio de Lúcio Vero com ostras envenenadas. A simples existência dos cargos de «provadores» era uma parte disso. Poderiam proteger o imperador e a sua família mais chegada da ameaça do envenenamento, mas, ao mesmo tempo, relembravam todos os presentes de que, se não tivessem cuidado, aquilo que comiam os poderia matar. Sustentavam uma cultura de desconfiança que, de vez em quando, assumia contornos cómicos. Por exemplo, Cómodo era famoso por misturar excrementos humanos em alguns dos pratos mais caros (não era letal, mas também não era nada agradável para os convidados). Porém, houve muitas histórias em que – não obstante os melhores esforços dos provadores – os jantares foram fatais. L. Alma-Tadema, The Roses of Heliogabalus (1888). Foto © Whitford Fine Art, Londres, Reino UNido / Bridgeman Images Alm- Tdema retrata a cena da generosidade fata do imperador Heliogábalo: enquanto os seus convidados asfixiam debaixo de uma extravagante chuva de pétalas. O imperador, envergando uma túnica dourada, assiste, impassivo, desde um palanque elevado. O TRÁGICO DESTINO DO JOVEM PRÍNCIPE BRITÂNICO… pgs. 120-121
«A história mais reveladora é a da morte do jovem príncipe chamado Britânico, de 13 anos, num jantar no palácio, em 55 d.C. Foi no início do reinado de Nero e, sendo Britânico filho biológico do imperador Cláudio, o rapaz era um potencial rival para ocupar o trono, pelo que o novo regime achou melhor eliminá-lo. O historiador Tácito capta a cena com pormenores vívidos e, sem dúvida, imaginativos (nascido no ano depois do sucedido, de certeza que não estava presente, e não fazemos ideia de que tipo de informação fiável poderia ter tido). O autor passa a explicar que Britânico estava sentado à mesa das crianças, um pouco afastado dos sofás dos adultos. Para evitar os provadores, os envenenadores de Nero tinham injetado a toxina não na sua bebida quente, que era provada de antemão, mas no jarro de água fria utilizado para arrefecer a bebida, a qual não era provada (ninguém suspeitava de água simples). O rapaz caiu imediatamente para o lado, e a explicação de Nero foi a de que se tratou de um ataque de epilepsia. É possível que fosse, mas, sem dúvida, também poderia ter sido uma forma de afastar qualquer especulação de utilização desleal da água. Porém, a explicação de Nero fica posta em causa pelo facto de a pira funerária ter sido preparada de antemão. Ou assim alegou Tácito, que não tinha interesse em diminuir a iniquidade da ocasião. Contudo, talvez o aspeto mais arrepiante de tudo isto seja o relato que Tácito faz da reação dos outros convidados. Alguns teriam demonstrado as suas suspeitas, agitando-se em pânico, enquanto outros não saíram dos seus lugares, mas sem conseguir desviar o olhar de Nero. A única pessoa que teve o comportamento adequado perante o sucedido foi Octávia, a irmã mais velha de Britânico, que também se tornara mulher de Nero num enlace ostensivamente dinástico. Não evidenciou qualquer emoção, mas – é implícito – continuou a comer como se não tivesse acontecido nada. Tácito insiste aqui que a ameaça da sala de jantar imperial consistia, em parte, no facto de uma pessoa nunca poder revelar ali os seus verdadeiros sentimentos ou suspeitas, mesmo que um irmão tivesse acabado de morrer à sua frente. Foi por revelar as suas suspeitas de forma inequívoca que uma princesa imperial teve o comportamento errado no reinado de Tibério. Estando em conflito com o imperador – que, suspeitava ela, estivera implicado na morte do seu marido –, teve uma ligeira hesitação antes de trincar uma maçã que ele lhe oferecera, dando a sensação de que receava que a peça de fruta estivesse envenenada. Nunca mais foi convidada para jantar e, pouco depois, enviaram-na para o exílio. A história pode ser demasiado boa para ser literalmente verdadeira.» … E DE TIBÉRIO GEMELO, ASPIRANTE A COIMPERADOR DE CALÍGULA p. 121
«Uma história suspeitosamente semelhante é contada sobre Tibério Gemelo, que, depois de ser apontado como seu possível coimperador, pode ter tido motivos para temer jantar com o novo imperador Calígula. Segundo Suetónio, o persistente cheiro do que na verdade era xarope da tosse no seu hálito foi interpretado como o cheiro de antídotos para veneno, que presumivelmente teria tomado para se proteger de eventuais venenos que lhe tivessem deitado na comida. Isto foi o suficiente para receber ordens de suicídio. Quer seja verdade quer não, a questão é que o banquete imperial era muito facilmente imaginado como um local de autoincriminação, com resultados fatais.» BONS E MAUS ANFITRIÕES p. 122
«Porém, a relação entre o imperador e a elite ao jantar – quer fosse de gratidão, amabilidade e adulação da maioria silenciosa, ou de ressentimento, sadismo dissimulado e crueldade caprichosa acentuados pela maioria dos escritores, antigos e atuais – não se limitava à morte e ao derramamento de sangue. Para que o terror no triclinium se manifestasse, não era preciso alguém ser assassinado. Conforme demonstrou a história do jantar negro de Domiciano, o terror assentava também em piadas de mau gosto (ou contraproducentes), pequenas agressões e humilhações calculadas (ou percecionadas). Há dezenas de histórias antigas, muitas vezes envoltas em detalhes expressivos e aparentemente específicos, mas todos focados nas mesmas questões básicas, que passavam de um soberano para outro. Em que medida é que o banquete imperial era uma ocasião de (pelo menos) igualdade hipotética? Em que medida é que o imperador que estava no jantar era «um de nós»? O que tornava o imperador um anfitrião bom ou mau?»
(…)
«Consta que Júlio César terá castigado o seu padeiro por fazer pão de melhor qualidade para o próprio César do que para os seus hóspedes – uma prova do exercício de poder sobre os «subalternos» conjugada com a asserção de igualdade entre o anfitrião e os outros convivas. Todavia, ao mesmo tempo, era ao jantar que, reconhecidamente, os imperadores esfregavam o nariz da elite na sua própria subserviência. Por vezes, isto ascendia a pouco mais do que diferenças calculadas em termos de comida e bebida, como quando Alexandre Severo bebeu cinco taças de vinho, e os seus convidados apenas uma (em Roma, havia algum pretensiosismo em relação ao vinho, embora menos do que na atualidade: o que realmente contava era a quantidade).
(…)
O mesmo Tibério que era tão escrupuloso com as formalidades de receber e despedir-se dos convidados terá rompido as relações com um homem que descobriu a solução da sua charada que era costume apresentar no fim da refeição (tendo-o, mais tarde, forçado ao suicídio). O imperador tinha um fraco por fazer perguntas aos convidados sobre os temas que passara esse dia a ler, e a infeliz vítima tentara enganá-lo ao obter a lista de leitura de Tibério, que lhe fora revelada antecipadamente por elementos do palácio. De outros diz-se que transformaram o poder político em poder sexual. Por exemplo, consta que, a meio do jantar, Calígula levava para a cama as mulheres dos convidados e, depois, passava a humilhar a mulher e o marido fazendo comentários desfavoráveis (ou favoráveis) sobre o «desempenho» da mulher à frente dos convivas. A ser verdade, terá parecido, em especial para as mulheres, um dos inconvenientes da aparente igualdade dos jantares mistos.
Porém, as histórias mais memoráveis focam-se no riso e na troça, não como sinal de bom humor tolerante, mas como uma arma nas mãos do imperador contra a elite (rindo deles e não com eles). A observação sarcástica de Calígula durante o jantar, ao afirmar que podia degolar os cônsules quando bem entendesse, foi um sinal dos seus excessos enfatuados e da potencial vulnerabilidade dos senadores. Ainda mais desconfortável terá sido a história de um distinto romano cujo filho foi assassinado à sua frente, também por ordem de Calígula. Mais tarde nesse dia, depois da execução que se realizou de manhã, o imperador convidou-o para jantar e, com uma formidável demonstração de afabilidade, obrigou o pobre homem a rir e a gracejar (como se fosse capaz de controlar as respostas e emoções humanas mais «naturais»). Por que razão é que o pai enlutado alinharia nisto? Porque, como um escritor romano notou com perspicácia, «ele tinha outro filho».
(…)
p. 124
E as histórias assumem contornos ainda mais complexos quando se sobrepõe a imagem de um anfitrião potencialmente abusivo à de um imperador potencialmente abusivo (e vice-versa).
Algumas dessas complexidades são resumidas numa última sala de jantar imperial, num espetacular ambiente à beira-mar, decorada com um sumptuoso, mas inquietante, conjunto de esculturas. É difícil imaginar que muitas pessoas ali tenham comido sem refletirem na problemática relação entre anfitrião e convidado, entre imperador e comensais. A GRUTA DE POLIFEMO p. 124
«Esta sala de jantar foi redescoberta em 1957, na costa perto de Sperlonga, uma pequena aldeia localizada entre Roma e Nápoles. (…) assumia a forma de uma plataforma para sofás assente numa ilha artificial no mar, virada para uma gruta natural, da qual os arqueólogos desenterraram milhares de fragmentos de esculturas. Muitas destas foram agora reconstruídas, deixando ver uma série de estátuas de mármore que outrora decoraram o interior da gruta, baseadas em temas retirados da mítica Guerra de Troia e da épica Odisseia, de Homero (um clássico tão importante entre a elite da Roma Antiga como o fora na Grécia Antiga). A ideia deverá ter sido os convivas serem transportados de barco até à ilha, onde lhes faziam chegar a comida por água e a partir de onde podiam admirar a gruta cheia de estátuas, iluminada de forma dramática enquanto o sol se punha nas suas costas a oeste.»

Perante isto, acreditamos que não resista a fazer como nós: ir logo ao Google pesquisar esta maravilha e ficar, literalmente, boquiaberto – acredite, é o que lhe vai acontecer. Depois disto, parece-nos que vamos rumar até Itália e percorrer o rasto dos imperadores com o Imperador de Roma nas mãos… Vontade não falta! E porque não? Gruta de Polifemo. Foto © Carole Raddato_Flickr.

Imperador de Roma

by Mary Beard

Property Description
ISBN: 9789899103313
Publisher: CRITICA
Release Date: May of 2024
Language: Portuguese
Dimensions: 159 x 244 x 29 mm
Cover: Softcover
Pages: 464
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > History > Ancient history
EAN: 9789899103313

ABOUT THE AUTHOR

Mary Beard

Mary Beard é uma das classicistas mais originais e reconhecidas da atualidade. É professora na Universidade de Cambridge e membro da Newnham College, onde leciona desde 1984. Também é professora de literatura antiga na Royal Academy, É editora do Times Literary Supplement, membro da British Academy e membro internacional da Academia Americana de Artes e Ciências. Recebeu o Wolfson History Prize, a Bodley Medal, o Prémio Princesa das Astúrias para Ciência Social e a Getty Medal. Além de ter escrito artigos sobre história antiga e arqueologia e de apresentar documentarios da BBC sobre história romana e arte, é autora de vários livros da mesma área, tais como SPQR: Uma História da Roma Antiga e Doze Césares.

(see more)

BY THE AUTHOR

PEOPLE WHO BOUGHT ALSO BOUGHT