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Hífen

by Patrícia Portela
Book eBook
Publisher: Editorial Caminho, May of 2021 ‧
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«Flandia, o avesso desalinhavado de uma possibilidade hifanada. A discussão sobre o sexo dos anjos enquanto os portões cedem aos cavaleiros do Algoritmo.»

Hífen. um texto que, sendo de uma grande diversidade, tem do princípio até ao fim uma grande unidade e uma grande coerência, por um lado, e uma grande força. Quer quando se fala do amor de uma mãe por uma filha, e aqui chega-se a sentir um estrangulamento na garganta, quer quando Ofélia se dirige ao marido morto, e aqui sentimo-nos identificados com aquele sentimento de saudade, quer quando se evoca a luta por um mundo melhor, quer quando se grita contra a injustiça e contra o absurdo de um mundo onde nos sentimos muito bem desde que abdiquemos do essencial, isto é, do sal da vida. E já no fim, quando a resignação e o suicídio se confrontam como os dois destinos possíveis, a solução encontrada me parece a melhor: mesmo que não lhe encontremos um sentido, a vida é sempre a melhor solução.

Hífen

by Patrícia Portela

Property Description
ISBN: 9789722130820
Publisher: Editorial Caminho
Release Date: May of 2021
Language: Portuguese
Dimensions: 137 x 206 x 15 mm
Cover: Softcover
Pages: 280
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722130820

Muito bom

Célia Gil

Este não é um livro comum. Intercala pensamentos, crítica, acontecimentos, em que tudo se interliga numa distopia. A ação desenrola-se na Flândia, um lugar inventado pela autora a partir de uma reflexão sobre o pudim flan, uma metáfora extraordinária de um preparado que nos facilita a vida a tal ponto, que já não se distingue um pudim de ovos de um pudim flan. É precisamente isso que acontece com o mundo, constantemente mais facilitador, mais “evoluído”, mas em que tudo perde a cor e o sabor e o saber. De uma forma literária, com uma linguagem simples,mas muito bem trabalhada, Patrícia Portela leva-nos até este novo lugar pela voz de uma mãe de uma das muitas crianças vítimas da “doença do sono”, narração essa que acaba por ser assumida por uma enfermeira das enfermeiras androides, neste lugar tão tecnologicamente evoluído e, ao mesmo tempo, já tão pouco humano. É pela voz da mãe, dos desabafos que vai tendo com a filha enquanto dorme, enquanto chora com dores, enquanto se debate com “batalhas noturnas”, que vamos conhecendo a evolução da doença, a angústia crescente que se apodera desta mãe, sempre receosa de que a filha a abandone no sono, já que “É no sono que nos abandonamos ao cuidado dos outros, deixando o frágil coração decidir se continua a bater amanhã”. É nestas horas que esta mãe se recorda do passado, desde o nascimento da filha, das promessas que lhe fez e nunca cumpriu. E verdade seja dita, passamos mesmo a vida a dizer “vamos lá este ano, ainda lá vamos este ano”, sem que, de facto, façamos por ir. É aqui que desabafa sobre as preocupações que sempre partilhou com a filha sobre os problemas ambientais, sociais, financeiros, tecnológicos e políticos e que, neste momento, de nada valem, de nada servem. Esta Flândia criada pelo próprio homem é a mesma que o trai, porque “Alimentámos um monstro”. E mais não digo. Apenas que gostei muito deste livro e recomendo a sua leitura. Uma leitura atenta a todos os sentidos que se escondem por detrás das palavras para lhes conferir vida própria.

ABOUT THE AUTHOR

Patrícia Portela

Patrícia Portela (1974). É autora de espetáculos, instalações e obras literárias. Tem um mestrado em cenografia e outro em filosofia; estudou dramaturgia, dança e cinema, em Lisboa, Utrecht, Londres, Helsínquia, Ebeltoft e Leuven. Cresceu em Macau, viveu duas décadas em Antuérpia e habitou brevemente em Paris e Poznan mas por razões meramente pessoais. Atualmente vive em Paço de Arcos. Itinera com regularidade pela Europa e pelo mundo e é reconhecida nacional e internacionalmente «pela peculiaridade da sua obra», com a qual recebeu vários prémios. É autora de romances e novelas como O Banquete (2012, finalista do Grande Prémio de Romance e novela APE) ou Hífen (finalista do Prémio Correntes d'Escritas, Prémio Ciranda em 2022 e escrito com uma bolsa DGLAB). É cronista regular do Jornal de Letras, Artes e Ideias desde 2017 e foi cronista na rádio Antena 1 em «O Fio da Meada» por 6 meses (2019-2020). Os seus textos foram reunidos e publicados no livro Crónicas Fora de Jogo em 2022. Durante a pandemia foi diretora artística do Teatro Viriato em Viseu, que nunca fechou as suas portas (2020-2022), e da Rua das Gaivotas 6, em Lisboa (2023–2024).

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