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Felizes Anos de Castigo

by Fleur Jaeggy
Book eBook
Publisher: Alfaguara Portugal, October of 2023 ‧
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«Passaram tantos anos, e ainda torno a ver o seu rosto, um rosto que busquei noutras mulheres, que nunca encontrei. Era muito íntegra. Uma coisa perigosa. […] Nunca demos a mão. e tê-lo-íamos achado ridículo. Viam-se pelos caminhos rapariguinhas de mão dada, a rirem-se, a fazerem de amigas, a fazerem de amantes. em nós, havia uma espécie de fanatismo que impedia qualquer efusão física.»

Felizes Anos de Castigo conta a história de uma rapariga à procura de si mesma, num colégio interno suíço, nos anos 1950. Respira-se aqui uma atmosfera densa de cativeiro, sensualidade inconfessada e alienação. A protagonista é uma rapariga incomum, que se deixa fascinar por uma outra, bela, sofisticada e inteligente. Entre elas nasce uma relação ambígua, de luz e sombra. Num estilo límpido mas pleno de frémito, Fleur Jaeggy faz reverberar nesta narrativa a corda secreta de um mundo apartado da realidade, onde se vê, numa voragem, «a vida passar pelas janelas».

Felizes Anos de Castigo pertence a uma linha do tempo mais indefinida do que a época ou as pessoas que retrata: desenrola-se na memória, essa espécie de século à parte dos outros.

«Uma escritora magnífica, brilhante, selvagem.»
Susan Sontag

«A caneta de Fleur Jaeggy é como a agulha de um entalhador a desenhar as raízes, os galhos e os braços da árvore da loucura — uma prosa extraordinária. Tempo de leitura: quatro horas. Tempo de recordação: a vida inteira.»
Joseph Brodsky

«Fleur Jaeggy possui o invejável dom do olhar inaugural sobre as pessoas e as coisas, entretecendo uma mistura de frivolidade circunstancial e sabedoria autoritária.»
Ingeborg Bachmann

«Ler Fleur Jaeggy é parecido com mergulharmos nus num roseiral negro, de tal modo ficamos perplexos perante tamanha beleza: é um gesto veloz e espinhoso, e emergimos do lado de lá cobertos de sangue.»
The Paris Review

«[Uma escrita] de pequena escala, intensa, impecavelmente incisiva.»
The New Yorker

«Tal como quase todas as assombrações, os livros de Fleur Jaeggy são muitas vezes barrocos, mas lançam um estranho feitiço e fazem com que os leitores se lembrem deles, sobretudo, como austeros.»
The New York Review of Books

«Sublime, áspero, triste. [Um romance] excepcional.»
Literary Hub

«A astúcia de Jaeggy na condensação do detalhe narrativo é simultaneamente apaziguadora e inquietante. Sob uma superfície plácida e iridescente, espreita uma ameaça de violência […] que contribui para a forte impressão de que as pessoas e as vidas das pessoas são imprevisíveis, seguindo o seu curso de acordo com uma desobediência estéril e impassível.»
Los Angeles Review of Books

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Grandes livros pequenos

Janeiro começa cheio de boas intenções e acaba a testar-nos a paciência. Vem carregado de resoluções ambiciosas, listas de afazeres demasiado longas e uma energia que raramente sobrevive à segunda semana. É um mês de resistência e, muitas vezes, de livros grandes demais para a vontade real de ler, como se o ano só pudesse começar depois de um certo sofrimento inicial. A seguir chega fevereiro, mais curto, sem paciência para excessos e com um ar de quem pede desculpa. Estes cinco livros foram escritos para serem lidos em fevereiro. Cada um deles tem o dom de, em poucas páginas, dizer o suficiente para continuar a ecoar depois de os fecharmos. Novela de Xadrez, de Stefan Zweig Em Novela de Xadrez, tudo começa num navio que atravessa o Atlântico. Entre os passageiros segue Mirko Czentovic, campeão mundial de xadrez, um génio absoluto no tabuleiro, mas incapaz de comunicar fora dele. A curiosidade em torno do jogador cresce e alguns passageiros organizam uma partida informal. É então que surge o enigmático Doutor B., um homem aparentemente comum que revela um talento inesperado para o jogo. Aos poucos, percebe-se que essa aptidão não nasceu do prazer nem do estudo convencional, mas de uma experiência limite, vivida longe do mundo e das pessoas. Nesta novela, Stefan Zweig transforma o xadrez numa metáfora do isolamento extremo e dos perigos de uma mente empurrada para dentro de si mesma. Mais do que o relato de um confronto entre dois homens, esta é uma obra sobre um duelo interior onde inteligência e obsessão se confundem. COMPRO NA WOOK! » Mário e o Mágico, de Thomas Mann Mário e o Mágico, de Thomas Mann, acompanha as férias de uma família alemã numa estância balnear italiana onde o ambiente, à partida descontraído, se transforma cada vez mais num espaço de hostilidade e intolerância. A narrativa centra-se num espetáculo conduzido por Cipolla, um mágico grotesco, fisicamente debilitado, mas dotado de uma capacidade inquietante de dominar quem o observa. Pela palavra, pela intimidação e pela humilhação, Cipolla transforma a submissão em entretenimento. Pequenos gestos, regras implícitas e atitudes aparentemente inofensivas instalam um desconforto constante. O público reconhece o abuso, sente-se incomodado, mas permanece sentado. A partir desta situação, Mann constrói uma crítica social e política incisiva. É difícil não associar a figura de Cipolla às de Hitler ou Mussolini, num retrato que mostra como o poder raramente se impõe apenas pela força e se instala com a colaboração silenciosa de quem assiste, hesita e prefere não interromper. COMPRO NA WOOK! » Felizes Anos de Castigo, de Fleur Jaeggy Felizes Anos de Castigo é uma história breve e incisiva sobre adolescência, memória e relações marcadas pela contenção emocional. A narradora lembra os anos passados num internato feminino na Suíça, um espaço dominado pela disciplina e distância afetiva. Nesse lugar confinado, a relação com Frédérique, figura admirada e inacessível, assume um peso central. Em torno dela concentram-se o desejo, o fascínio e a vulnerabilidade da protagonista, numa ligação marcada por uma dependência silenciosa. A escrita de Fleur Jaeggy é seca e rigorosa, dispensa explicações e qualquer forma de dramatização ou apelo à empatia. O colégio surge como um cenário de aprendizagem precoce da hierarquia, da exclusão e de formas veladas de violência. Mais do que um retrato da juventude, este pequeno livro observa como certas experiências moldam de forma duradoura a relação com os outros e com o mundo. COMPRO NA WOOK! » Um Homem que Dorme, de Georges Perec Um estudante universitário decide, sem explicação aparente, retirar-se da vida comum. Abandona as aulas, corta contactos e passa a habitar a cidade como um observador distante. Come, dorme, caminha, olha, mas escolhe não participar. Não há drama exterior nem conflito visível, apenas uma recusa calma em não aderir. Esta é a premissa de Um Homem que Dorme, de Georges Perec, uma narrativa que, ao registar rotinas mínimas e focar-se na repetição dos dias, acompanha esse processo de afastamento progressivo enquanto o mundo continua a funcionar sem sobressaltos, indiferente à ausência do protagonista. À semelhança de Bartleby, a atitude do jovem não surge como protesto explícito, mas como esvaziamento deliberado, sem que se procurem causas, diagnósticos ou soluções. Tudo acontece num território intermédio, onde a ausência emocional se transforma numa forma de estar. COMPRO NA WOOK! » A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro Existem poucos livros na literatura portuguesa que se empenham tanto em inquietar o leitor como A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro. Lúcio escreve a partir da prisão, numa tentativa de reconstruir e justificar os acontecimentos que o conduziram até ali. O romance, que recorre a elementos do género policial, gira em torno da sua amizade intensa com Ricardo de Loureiro e da relação ambígua com Marta, mulher de Ricardo. Desde o início, tudo é ambíguo: as personagens parecem fragmentadas, pouco sólidas, como se não fossem inteiramente reais. O protagonista move-se num território incerto, onde desejo e culpa deixam de ser categorias distintas e passam a contaminar-se mutuamente. À medida que o texto avança, a estranheza deixa de surpreender e impõe o seu ritmo. O crime deixa de explicar seja o que for e o foco recai sobre o colapso de uma identidade. COMPRO NA WOOK! » Estes cinco livros mostram que a força de uma leitura não se mede pelo volume. São obras que avançam por concentração, não por acumulação, e que preferem o desconforto à explicação, a rutura à resolução. Em todos eles, algo se quebra, se retira ou se torna opaco, obrigando o leitor a permanecer atento mesmo depois da última página. Nenhum deles oferece conforto nem respostas fáceis, mas todos deixam, cada um à sua maneira, uma marca diferente. São livros pequenos, escolhidos para quem sabe que, por vezes, ler menos é ler melhor.

Felizes Anos de Castigo

by Fleur Jaeggy

Property Description
ISBN: 9789897849787
Publisher: Alfaguara Portugal
Release Date: October of 2023
Language: Portuguese
Dimensions: 152 x 235 x 7 mm
Cover: Softcover
Pages: 112
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789897849787

ABOUT THE AUTHOR

Fleur Jaeggy

Fleur Jaeggy nasceu em 1940, em Zurique. Passou a infância e adolescência em colégios internos na Suíça. Trabalhou brevemente como modelo fotográfico, antes de se mudar para Roma, nos anos 1960, onde passou a frequentar o círculo literário da época e se tornou amiga de escritores como Ingeborg Bachmann, Thomas Bernhard, Italo Calvino ou Joseph Brodsky. Em1968, foi viver para Milão e começou a colaborar com a Adelphi, icónica casa editorial italiana. Nesse mesmo ano, casou-se, em Londres, com o escritor e editor Roberto Calasso, fundador da Adelphi. Entre 1968 e 2014, publicou oito livros— uma obra breve, mas unanimemente reconhecida como intensa, peculiar, inesquecível.

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