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Exercícios de Crueldade Seguidos de Eu

by Fialho de Almeida
Publisher: Sistema Solar, July of 2026 ‧
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Raul Brandão: «Da sua existência oculta faz parte
uma figura de dor calcada e recalcada,
sobre a qual outra se encarniça com desespero.»

«Um berço alentejano e plebeu, a que somam o colégio pobre em Lisboa (cinco anos de privações e maus tratos, e uma resistência aparentemente submissa e tímida de orgulho, desabafa o próprio), a homossexualidade escondida pelas exigências da época, o balcão e o catre de uma farmácia no Largo do Mindelo (eu dormia num cacifo de seis palmos de largo por vinte de comprido e dez de altura, idem), o curso de medicina uma vez interrompido por absoluta falta de posses, bem cedo atingem nele as dimensões de um fracasso: Tenho a bruxulear-me, num esqueleto de vinte e seis anos, um espírito, pelo menos, de oitenta e quatro. E logo a seguir o corpo: Com os mesmos reumatismos, as mesmas varizes e o mesmo conservantismo estéril e casmurro.
Estas nuvens, que aos seus trinta e seis anos clareiam um pouco — altura do casamento riquíssimo com uma alentejana — aos trinta e sete desanuviam por completo com a viuvez precoce e a situação confortável de herdeiro universal: — surge então o Fialho dos invernos lisboetas, o cavaqueador burguês de chapéu de palha, que mesmo com mau tempo viaja num carro descapotável entre Vila de Frades e Cuba, mais enfeitado do que uma noiva de aldeia, dirá Teixeira Gomes.
A qualidade fora-de-regras dos momentos negros de Fialho de Almeida (para mais em português e para portugueses que sempre alinharam, em momentos de maior verdade, um humor não perverso e de tonalidades essencialmente revisteiras) fazem oportuna esta antologia mínima mas violenta (desentranhada do milhar de páginas de Os Gatos e apenas uma vez, para o Eça, do seu Figuras de Destaque, e outra, para o Eu, no À Esquina: Jornal dum Vagabundo), afinal aquilo que um dos seus estudiosos mais sérios considera o Fialho de mau gosto. Antologia que não poderia ignorar as páginas de morte sobre Guilherme de Azevedo, as que tanto intrigam pela falta de razão aparente, e as que negam a Eça a apoteose, quando ele mais não é do que um escritor «dissolvente», com qualidades de diletantismo, ainda sedutoras e bem depressa fastidiosas, assim como a ironia iconoclasta que em cinquenta anos passa, quando futuras gerações, mais cerebralmente definidas, começarem a rir de outra maneira.
Desvendar-se-á o mistério com o excerto de uma carta que Fialho escreveu a João Saraiva? Em cinco anos, diz ele, todo o mundo há-de encolher os ombros quando se falar de mim. Terão subido os que eu escarnecia ou desdenhava — surgirão outros que eu não vejo ainda. […] E o meu ódio por esses sinistros rivais — sempre, claro está, assim foi: — estará na razão directa da admiração que o talento deles me inspira
Aníbal Fernandes

Exercícios de Crueldade Seguidos de Eu

by Fialho de Almeida

Property Description
ISBN: 9789895682713
Publisher: Sistema Solar
Release Date: July of 2026
Language: Portuguese
Dimensions: 149 x 205 x 9 mm
Cover: Softcover
Pages: 128
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Chronicles
EAN: 9789895682713

ABOUT THE AUTHOR

Fialho de Almeida

Fialho de Almeida nasceu em 1857, em Vila de Frades, Alentejo. De origens humildes, cedo veio para Lisboa estudar. Mas as voltas do destino levaram-no a trabalhar numa farmácia, ainda adolescente. Em 1885, licenciou-se em Medicina. Contudo, a profissão não o seduzia, e Fialho dedicou-se à escrita e ao jornalismo. Distingue-se como contista, tendo publicado as recolhas: Contos (1881), a sua estreia em livro, bem como A Cidade do Vício (1882), Lisboa Galante (1890) e O País das Uvas (1893). Em 1889, começa a escrever Os Gatos, publicação periódica de crítica e crónica, a sua obra mais conhecida. Morreu em Cuba, Alentejo, em 1911. Publicou ainda em vida: Pasquinadas (1890); Vida Irónica (1892), Madona do Campo Santo (1896); À Esquina (1903). Postumamente, foram editados: «Barbear, Pentear» (1911); Saibam quantos… (1912); Estâncias de Arte e de Saudade e Aves Migradoras (1921); Figuras de Destaque (1924); Actores e Autores e Vida Errante (1925); e Cadernos de Viagem: Galiza, 1905 (1996).

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