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Deixem Falar as Pedras

by David Machado
Publisher: Dom Quixote, May of 2013 ‧
18,80€
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No dia em que se ia casar, Nicolau Manuel foi levado pela Guarda para um interrogatório e já não voltou. Viveu, assim, quase toda a vida na urgência de contar a verdade a Graça dos Penedo, a noiva que mais tarde lhe seria arrebatada pelo alfaiate que lhe fizera o fato do casamento. Porém, sempre que se abria uma possibilidade, uma ameaça desviava-o dramaticamente do seu destino - e agora, meio século volvido, está velho de mais para querer mudar as coisas, gastando os dias com telenovelas. De tanto ter ouvido ao avô a sua história rocambolesca, Valdemar - um rapaz violento e obeso apaixonado pela vizinha anoréctica - não desistiu, mesmo assim, de fazer justiça por ele. E, ao encontrar casualmente a notícia da morte do alfaiate, sabe que chegou a hora de ir falar com a viúva: até porque essa será a única forma de resgatar Nicolau Manuel da modorra em que se deixou afundar.
Alternando a narrativa dos sucessivos infortúnios de Nicolau Manuel - que é também a história de Portugal sob a ditadura, com os seus enganos, perseguições e injustiças - com a de um adolescente que mantém um diário com numerosas passagens rasuradas como instrumento de luta contra o mundo -, Deixem Falar as Pedras é um romance maduro e fascinante sobre a transmissão das memórias de geração em geração, nunca isenta de cortes e acrescentos que fazem da verdade não o que aconteceu, mas o que recordamos.

«A maturação visível que Machado alcança com “Deixem Falar as Pedras” não é um caso insólito, mas é talvez – dependerá da opinião de cada um – o momento mais conseguido de uma geração de escritores que confia fortemente na narração […].»
João Bonifácio, Público

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David Machado: dos oito (meses) aos oitenta (anos)

Tenho o sonho de ser amiga do David Machado. Enquanto não vamos para os copos (de água) juntos, contento-me com lê-lo. Já não é coisa pouca e é sempre uma alegria. Os Dias do Ruído É o último livro deste amigo das crianças que também é romancista. E eis aqui um romance voltado para os nossos tempos, com uma sinopse que dá logo vontade de o comer com as mãos. Na ação, Laura, dois anos depois de ter matado – bendita seja – um terrorista islâmico, evitando um atentado, corre o mundo a contar a sua história. Lá vai ganhando projeção no mundo, e então chegam as redes sociais, levando as questões que vão a tudo, sobre feminismo, xenofobia, racismo. Daí às ameaças de morte é um tirinho. Ao longo da leitura, o leitor depara-se com a vida de hoje em dia, tão condicionada pelo que se passa online, e sobretudo com uma protagonista que sabe a gente a sério. Aos poucos, também Laura vai medindo as ameaças, o impacto das redes sociais e o das suas decisões. COMPRO NA WOOK! »
Deixem falar as pedras Aqui temos a história de Nicolau Manuel, e com ele a história de tanta coisa em Portugal. Nicolau foi levado para um interrogatório e nunca mais voltou. A noiva lá se viu sem ele, e sem saber da verdade que ele tinha para contar. Cá fora, a sós, casou – pasme-se – com o alfaiate que tinha feito o fato de casamento do primeiro candidato a marido. Os anos passaram, as décadas também. A vida mudou. E que pode um velho fazer à vontade de querer mudar as coisas? Sempre que a oportunidade de dizer a verdade surgia, a vida metia-se pelo meio. Deixem falar as pedras é a história dos equívocos, do não-dito, da impossibilidade de agarrar o tempo e de, volta e meia, se orientar a vida para o que aparentava ser o seu destino. Ao mesmo tempo, é a história do peso das memórias, do que passa de uma geração para a outra, do que se tenta fazer com o passado – e, claro, da frustração de a vida ser uma coisa afunilada em que não cabem todas as hipóteses. COMPRO NA WOOK! »
Os números nojentos É mais um belo livro deste romancista que também é amigo das crianças. Depois do livro O Alfabeto Nojento, eis um livro para ajudar a ensinar os números. No meu tempo, aprendiam-se as vogais com a Ana Malhoa no Buéréré. Sorte a dos miúdos que têm o David Machado para também lhes dar as consoantes. E sorte deles chegarem também aos números. Além do David, têm o Henrique, o protagonista que só gosta de fazer asneiras, dando, perdoem os pais, boas ideias para as crianças. É divertido ler as partidas que prega às vítimas que o cercam, e sobretudo ensina. Haverá fórmula melhor? Fechado o livro, ficamos contentes por sabermos que o Henrique é personagem, e não amigo de vir às nossas casas: é que, de um rapaz que espreme borbulhas ou mete óleo de motor de carro no frasco de champô da mãe, quer-se alguma distância higiénica. COMPRO NA WOOK! »
Parece um pássaro Pássaro é a cabeça do David Machado a voar por todo o lado. Mas é também o chapéu do rapaz que conta a história. Um dia, veio do ar, onde voam as histórias do escritor, e pousou-lhe na cabeça. Atrasado para a escola, deu um abanão, mas nada: o pássaro voou e voltou ao seu pouso. Sem outro remédio, lá foi o miúdo para a escola – e a professora lá teve de autorizar o chapéu na sala, pedindo-lhe só silêncio e calma. No recreio, uns miúdos riam-se, mas que importa o escárnio alheio se a linda Maria acha graça ao chapéu? No livro, as ilustrações de Gonçalo Viana dão cor, vida e asas ao pássaro. Sendo um livro para crianças, a pequenada mete-as também às costas – voa também. Podíamos dizer que esta é uma história de se lhe tirar o chapéu. O problema é que o chapéu não se deixa ser tirado. COMPRO NA WOOK! »
Esta história Deve ser o medo de todos os escritores – querer contar uma história e não conseguir. Regra geral, é porque não se sabe bem o que fazer à vida que se cria – o que dar, quando dar, a que ritmo, com que forma. Aqui, o problema é outro, com um ouvinte que não deixa que a história saia da garganta. É que, por muito que o contador tenha boas intenções, querendo contar sobre beleza e harmonia, quem ouve só quer coisas a sério: insetos peludos, fantasmas e monstros. Da minha parte, nem dá para julgar. Eu quereria o mesmo. COMPRO NA WOOK! »
Eu acredito São 17 frases – e praticamente uma ilustração por cada. Em cada uma, uma ideia – e sempre original, sempre engraçada de pensar. No livro, temos um menino que acredita em coisas, que tanto podem ser nadar na palavra água ou num macaco a apagar partes da lua. As ilustrações levam o pequeno leitor para a cena, e então é vê-lo a pensar uma coisa nova antes de partir para a seguinte. Quase sempre solitário na narrativa, o menino vê-se acompanhado por quem o lê, e volta e meia há que compadecer-nos da sua solidão, mas, sobretudo, há que acompanhar as suas crenças, que são coisa de infância e de ficção. COMPRO NA WOOK! »
A noite dos animais inventados Quem tem um irmão tem tudo. No escuro da noite, face ao medo, lá estão eles para serem abraços uns dos outros. Ou para inventarem histórias juntos, criarem a vida. No caso, a vida de uma galinha, que foi o que o Jonas criou a ver se se abstraía da escuridão à volta. Ora, com a galinha, acordaram os irmãos, e puseram-se a inventar mais animais. O quarto sossegado – só o espaço e a noite – lá se transformou num banzé, mas um banzé sossegado. Afinal, até o leopardo que inventaram era inofensivo. O que vale é que, na hora de inventar, faz-se o que se quer. COMPRO NA WOOK! »

Deixem Falar as Pedras

by David Machado

Property Description
ISBN: 9789722045032
Publisher: Dom Quixote
Release Date: May of 2013
Language: Portuguese
Dimensions: 155 x 234 x 23 mm
Cover: Softcover
Pages: 336
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722045032

Não deixem de ler

Alexandrina Ribeiro

Este romance, construído em torno de uma personagem inesquecível que vive as agruras do período da ditadura, mas que nunca desiste do seu direito de expressão e de viver um grande amor, é um excelente exemplo de como vale a pena ler escritores portugueses. Aconselho vivamente a leitura, assim como, de outro livro do escritor - Índice Médio de Felicidade, absolutamente imperdível!

ABOUT THE AUTHOR

David Machado

David Machado é autor de livros infantis (entre eles, A Noite dos Animais Inventados, O Tubarão na Banheira, O Alfabeto Nojento e O Meu Cavalo Indomável), de juvenis (Não te Afastes, Os Reis do Mar e A Rapariga Que Falou com a Montanha) e dos romances O Fabuloso Teatro do Gigante, Deixem Falar as Pedras, Índice Médio de Felicidade (Prémio da União Europeia para a Literatura, Prémio Salerno Libro d’Europa e adaptado ao cinema), Debaixo da Pele e A Educação dos Gafanhotos.
Já recebeu vários prémios literários nacionais e internacionais. Os seus livros estão editados em mais de vinte línguas.

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