Correcção
SYNOPSIS
Na verdade, Bernhard não conta uma história, não há nas suas narrativas uma acção, no sentido em que geralmente este conceito se entende. Há normalmente um narrador ou uma figura que pensa, que recorda, e com esse pensamento e essas recordações o leitor constrói a história.
EXCERPTS
"Permanentemente corrigimos e corrigimo-nos a nós próprios sem a mínima contemplação, porque a todo o momento reconhecemos que fizemos (escrevemos, pensámos, executámos) tudo errado, que agimos erradamente, que tudo era falso no nosso procedimento, de modo que tudo até este momento é uma falsificação, por isso corrigimos essa falsificação e corrigimos novamente a correcção dessa falsificação e corrigimos o resultado dessa correcção da correcção e assim por diante, (...). Mas a verdadeira correcção vamos nós protelando, como outros a fizeram sem mais nem menos de um momento para o outro, penso eu, (...), a puderam fazer, quando eles próprios já não pensavam nisso, porque tinham medo, só de pensar nela, mas depois corrigiram-se"
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789727542529 |
| Publisher: | Fim de Século Edições |
| Release Date: | November of 2007 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 155 x 238 x 20 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 272 |
| Format: | Book |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Essays
|
| EAN: | 9789727542529 |
REVIEWS
Um projecto impossível
José Fernando Guimarães
Li este livro há mais de vinte anos (numa edição da col. Tel, Gallimard). E creio lembrar-me de tudo. Há um projecto (a vida?) que se vai refazendo constantemente - e constantemente vai sendo adiado (a morte?). Donde, há uma impossibilidade que atravessa este livro. Desse "possível impossível" diz Blanchot ser a morte. Aliás, Bernhard cruza-se com Blanchot, Duras, Celan, Ingeborg Bachmann, Heidegger, Derrida - são aqueles de que me lembro de repente. E há uma herança. Quanto à herança, ao testemunho - eis a palavra que habita a morte. Melhor: eis a palavra que a morte recupera e reproduz. Daí a sua espiritualidade. Daí ser um dom, uma dádiva. E a dádiva, como o demonstra Derrida, é o impronunciável. Eis, pois, os dois pares de ouro deste livro: impossível-possível e impronunciável-pronunciável.
Como corrigir repetindo-nos em espiral
Maria Teresa Meireles
Thomas Bernhard possui uma escrita singular, toda ela feita de um ritmo e de uma repetição que se torna por vezes quase hipnótica. Saber que Bernhard se baseia nos conhecimentos musicais que tem e que constrói um livro como uma peça musical pode ajudar a perceber a razão pela qual toda a correcção pressupõe simultaneamente o erro e a repetição - por vezes numa roda infindável e inultrapassável.
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