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Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos

by Olga Tokarczuk
Book eBook
Publisher: Cavalo de Ferro, October of 2019 ‧
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Numa remota aldeia polaca, a excêntrica Janina Duszejko, professora reformada, divide os seus dias a traduzir a poesia de William Blake e a observar os sinais da astrologia, fazendo por manter-se afastada das pessoas e próxima dos animais, cuja companhia prefere; mas a pacatez dos seus dias vê-se interrompida quando começam a aparecer mortos vários membros do clube de caça local. Certa de encontrar respostas, Janina decide lançar-se na investigação do caso, chegando a uma estranha teoria que espalhará o terror pela comunidade.

Sob a máscara de policial noir ou fábula macabra, Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos é um romance mordaz e desconcertante que questiona a nossa posição acerca dos direitos dos animais e responsabilidade sobre a natureza, bem como todas as ideias preconcebidas sobre a loucura, a justiça e a tradição.

Leia mais no nosso Blog Literário WOOKACONTECE

«Podia ser uma versão do filme Fargo, reescrita por Thomas Mann.»
The Telegraph

«Uma entre os poucos assinaláveis romancistas europeus a surgirem neste século.»
The Economist

«Uma surpreendente junção de thriller, comédia e tratado político, escrito por uma autora que combina um intelecto extraordinário com uma sensibilidade anárquica.»
The Guardian

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Ler a Cidade, ler o Campo

Há um fio que atravessa discretamente a História da literatura ocidental: a tensão entre cidade e campo. Desde as bucólicas clássicas até ao romance contemporâneo, o contraste entre o burburinho urbano e o silêncio (nem sempre pacífico) da Natureza serve para pensar quase tudo: classe, progresso, memória, identidade, culpa e desejo de fuga. As obras que reúno aqui nascem em épocas, línguas e contextos muito diferentes, mas cruzam-se numa mesma inquietação: o que é que ganhamos, e o que é que perdemos, quando nos afastamos do campo para nos entregarmos às grandes cidades? E, inversamente, o que é que procuramos quando decidimos voltar, ou pelo menos imaginar o regresso?
De Eça de Queirós a Olga Tokarczuk, de Rousseau a Dickens, de Tchekhov ao nosso presente saturado de ecrãs, o par cidade/campo vai mudando de feição: ora aparece como sátira do progresso, ora como cenário de crime, ora como laboratório interior, ora como ruína. É esse pequeno percurso de leituras que proponho: cinco livros que, cada um à sua maneira, reabrem a velha pergunta “onde é que queremos viver?” e, talvez mais decisivo ainda, “como é que queremos viver?”. A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós Poucos romances expõem com tanta elegância irónica o deslumbramento e o cansaço perante a modernidade urbana como A Cidade e as Serras. Jacinto, herdeiro rico instalado em Paris, vive no que poderíamos chamar o grau máximo de civilização: tudo é filtrado por engenhos, aparelhos, comodidades. A cidade aparece, assim, como montra tecnológica de um fim de século convencido de que o conforto material coincide com a felicidade.
Eça diverte-se a enumerar os objetos: a casa transformada em máquina, a biblioteca enciclopédica, os serviços especializados e, ao mesmo tempo, a mostrar o vazio que existe por baixo de tanta sofisticação. Jacinto, rodeado de tudo, não encontra nada que o apazigue: dorme mal, alimenta-se mal, não sabe o que fazer com os dias. A cidade é o próprio problema. O romance desmonta a fé ingénua na técnica, sem necessidade de discursos filosóficos: basta pôr um corpo humano dentro da engrenagem.
Quando o acaso o leva a Tormes, nas serras portuguesas, o contraste é brutal. O espaço rural tem improviso, falhas constantes: ferramentas gastas, casas sem conforto, uma economia de subsistência. Mas é também a descoberta de outra forma de presença. Aos poucos, Jacinto vai percebendo que há qualquer coisa de insuportavelmente artificial na vida que levava em Paris: o tempo pautado por horários, a mediação constante pelos objetos, o afastamento do ciclo das estações. O campo devolve-lhe um contacto com a terra que não é meramente idílico, mas físico, concreto, sujo.
O gesto decisivo de Eça é recusar tanto a demonização da cidade como a idealização ingénua do campo. Tormes não é um paraíso, há miséria, ignorância, atraso, e Paris não é o Inferno. Mas é na serra que o romance encontra uma ideia que falta à metrópole: um equilíbrio entre necessidades reais e desejos fabricados, entre trabalho e repouso, entre ruído e silêncio. A ironia que atravessa o texto impede qualquer leitura moralizante; ainda assim, não é difícil sentir, por trás do humor, um diagnóstico muito sério: a cidade moderna corre o risco de se tornar um excesso de meios à procura de um fim que já não sabe nomear. COMPRO NA WOOK! » Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos, de Olga Tokarczuk Olga Tokarczuk desloca a questão para o terreno da ecologia e da ética. Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos inscreve-se num contexto em que o campo, mais do que idílio pastoral, é território marginalizado, periferia do capitalismo global, paisagem de abandono e de exploração.
A narradora, Janina Duszejko, vive numa pequena comunidade de casas dispersas. Traduz Blake, faz mapas astrais, observa obsessivamente a fauna local. Para os outros, é uma espécie de “louca do monte”; para o leitor, converte-se rapidamente numa das vozes mais singulares da literatura contemporânea. É através dela que vemos o mundo rural: trilhos de caça, floresta, pequenas igrejas, estradas cobertas de neve. E, sobretudo, cadáveres de animais e, depois, de homens.
As mortes misteriosas que vão acontecendo, quase sempre de caçadores ou figuras respeitadas da comunidade, dão ao livro um ritmo de policial. Mas o que está em causa é outra coisa: um diagnóstico feroz de como a sociedade aceita certas formas de violência quando estas ocorrem longe, em zonas de baixa densidade populacional, sob o pretexto da tradição ou do desporto. As montanhas de Tokarczuk são o palco onde se mostram as consequências de uma hierarquia muito antiga: a que coloca o humano no topo e todos os outros seres vivos como matéria disponível.
Ao contrário de tantos romances que fazem do campo um espaço de autenticidade e simplicidade, este livro encena um mundo rural atravessado por corrupção, arrogância, superstição, e por uma indiferença oficial que vem da cidade, dos gabinetes, dos tribunais, dos serviços de caça. A paisagem é bela, mas ferida; a Natureza, ao mesmo tempo vítima e potencial agente de vingança.
Tokarczuk escreve a partir de um presente em que a fronteira cidade/campo já não coincide com a fronteira civilizado/selvagem. O campo é, aqui, a frente mais exposta de uma guerra ecológica que nem todos reconhecem como tal. E a personagem que encarna essa sensação de urgência é precisamente aquela que a cidade classificaria como excêntrica ou irracional. O romance transforma, assim, o espaço rural em espelho incómodo do nosso tempo: um lugar em que a violência se naturalizou ao ponto de já quase não ser vista. COMPRO NA WOOK! » Grandes Esperanças, de Charles Dickens Grandes Esperanças é, entre muitas outras coisas, a história de um rapaz de província que se apaixona pela ideia de ser “mais” do que aquilo para o que nasceu. Os pântanos onde Pip cresce são uma paisagem pouco romântica: lama, nevoeiro, casas modestas, uma vida de trabalho pesado e horizontes curtos. É desse mundo que o protagonista deseja escapar, movido tanto pela humilhação como pelo deslumbramento perante figuras que encarnam outra classe, outra cidade, outro idioma social.
Londres aparece como miragem: o lugar onde a mobilidade social é, pelo menos em teoria, possível. A chegada de Pip à cidade é marcada por este fascínio: as ruas cheias, os edifícios, a vida judicial, os clubes, os novos hábitos. Tudo em torno dele parece prometer uma espécie de renascimento. O campo converte-se rapidamente naquilo de que é preciso afastar-se: o passado inculto, as maneiras rudes, as relações que não sabem usar o vocabulário da cidade.
Mas Dickens é demasiado atento à realidade para sustentar esta ilusão por muito tempo. À medida que o romance avança, Londres revela as suas sombras: a proximidade entre riqueza e crime, a injustiça do sistema, a fragilidade da suposta respeitabilidade de certas figuras, a solidão que atravessa os salões e escritórios. A cidade torna-se um labirinto moral onde é fácil perder o sentido de quem se é. O que se apresentava como “grandes esperanças” vai, pouco a pouco, deixando ver um fundo de engano.
Os regressos de Pip ao campo e o confronto com aqueles que deixou para trás ganham então um peso diferente. Já não se trata de simples vergonha ou orgulho, trata-se de medir até que ponto o desejo de ascender implicou pactos, cegueiras e traições. A paisagem pantanosa, tão pouco glamorosa, guarda uma espécie de verdade que a cidade não consegue entregar: a verdade de relações que não se medem por bens ou títulos, mas por gestos concretos de cuidado e violência.
O romance obriga o protagonista a reconhecer que nenhuma cidade, por brilhante que seja, consegue apagar a marca da terra em que se cresceu. A oposição cidade/campo, aqui, passa pela forma como o sujeito aprende (ou não) a assumir o próprio percurso. COMPRO NA WOOK! » O Pomar das Cerejeiras, de Anton Tchékhov, Tchékhov mostra o momento em que o campo já não consegue sustentar a sua própria ficção. Em O Pomar das Cerejeiras, a grande casa de família, com o seu pomar exuberante, vive num tempo deslocado. A aristocracia que a habita chegou ao fim, mas os seus membros ainda não o sabem, ou não querem saber. O mundo mudou de escala, a propriedade, endividada, está condenada à venda.
O jardim que dá título à peça é uma espécie de personagem silenciosa. Sobre ele recaem lembranças de infância, histórias familiares, uma certa ideia de beleza ligada ao supérfluo: flores que não alimentam nem geram lucro, mas que justificam, por si, a existência. A proposta de transformar a propriedade em lotes para casas de veraneio chega como violência e como evidência. É uma solução prática, tipicamente moderna: fracionar, rentabilizar, aceitar que a terra vale o que pode render no mercado.
Tchékhov não faz do empresário vindo “de baixo” um vilão puro, nem dos aristocratas figuras heroicas. O que lhe interessa é o desencontro entre formas de olhar o mundo. Para uns, aquela terra é sobretudo memória, tempo condensado, estilo de vida, para outros, é uma oportunidade económica. Quando as árvores começam a ser derrubadas cai uma visão do campo como espaço estável, herança que se transmite quase intacta de geração em geração.
Não há aqui qualquer esperança de regeneração pela ruralidade. O campo de Tchekhov está a ser engolido por uma lógica urbana que se tornou hegemónica: a lógica da mercadoria, do lote, do investimento. A peça é sobre a dificuldade de abandonar um imaginário quando a realidade já mudou. O som do machado ao fundo, que encerra o texto, é também o som de uma época que termina. COMPRO NA WOOK! » Vista à distância, esta constelação de livros desenha um mapa instável de cidades e campos, de partidas e regressos, de encantamentos e desilusões.
A cidade não é apenas o lugar da perdição, nem o campo é apenas o lugar da pureza. O que se repete, sob formas diversas, é antes uma sensação de deslocamento: personagens que já não cabem no sítio onde vivem, ou que descobrem, tarde demais, que o espaço à sua volta se transformou.
Talvez seja isso que torna estas obras tão atuais. Numa época em que as grandes metrópoles se tornaram quase inevitáveis, por razões de trabalho, estudo, mobilidade, cresce também o fascínio por outras geografias: a aldeia, a casa com horta, o território “mais lento”. Mas não existe retorno inocente. O campo já não é o mesmo, a cidade também não, e nós mudámos com eles.
Ler estes livros hoje é interrogar a nossa própria cartografia íntima: o que é que esperamos da cidade? o que é que projetamos no campo? onde é que encontramos, de facto, o tempo que nos falta? A literatura não responde por nós, mas oferece imagens persistentes: serras, jardins, pântanos, ruas.

Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos

by Olga Tokarczuk

Property Description
ISBN: 9789896686673
Publisher: Cavalo de Ferro
Release Date: October of 2019
Language: Portuguese
Dimensions: 154 x 228 x 19 mm
Cover: Softcover
Pages: 288
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Police and Thriller
EAN: 9789896686673

Sobre protegermos a natureza...

Beatriz

Livro cativante, que aborda um tema importante aos dias de hoje: a proteção dos animais e a crueldade com que os tratamos muitas vezes. Um ótima leitura, que recomendo vivamente!

Uma lição de vida inesquecível

Ana Margarida Silva

Uma das minhas melhores leituras este ano. Um livro muito bem estruturado, com uma escrita caprichosa, excêntrica e sarcástica. Personagens reais e humanas. Recomendo vivamente.

Divertido e educativo

João Carlos Vieira Padinha

Disfarçado sob a capa de um”whodoneit” clássico, a autora serve-nos , não sem humor diga-se uma reflexão sobre a vida nos nossos dias, a protagonista é sem dúvida uma de nós e as suas inquietações e problemas podem ser os nossos…se nos dermos ao trabalho de pensar…

Beleza indescritível

RP

A subtileza e beleza da narrativa construída por Olga Tokarczuk neste livro transportou-me para uma aldeia fria e nevada da polónia onde coisas estranhas têm vindo a acontecer. Que privilégio foi ter lido esta verdadeira obra de arte.

Excelente narrativa

Cristiana

Fiquei agradavelmente surpreendida com a capacidade narrativa de Olga Tukarczuk e confirmo a excelência da sua escrita.

Maravilhoso!

Viagens no Sofá - As Leituras da Rita

A calma de uma remota e pacata aldeia polaca vê-se ameaçada quando vários membros do clube de caça local aparecem mortos. Janina Duszejko, uma professora reformada, decide investigar as mortes e chega a uma teoria sobre a identidade do assassino. Mal tive conhecimento sobre este livro tive a sensação que seria um livro que iria adorar. A singularidade do próprio título conseguiu espicaçar a minha curiosidade. Quanto mais opiniões ouvia, mais me convencia desse facto.Claro que, como não podia deixar de ser, o receio de me sentir defraudada esteve sempre presente. Iniciei a sua leitura há algumas semanas (li apenas algumas páginas), mas na altura tive plena consciência de que não seria o momento mais adequado (por motivos pessoais) para prosseguir. Como tal, decidi adiá-la com o receio de que, caso continuasse, não conseguir apreciá-la devidamente nem lhe dar o merecido valor. Há livros que necessitam de um determinado estado de espírito e concentração para serem lidos e na altura sentia que não estava no meu melhor. Posteriormente, quando voltei a pegar no livro e comecei a ler desde a primeira página, concluí que essa foi a decisão mais acertada. “Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos” é uma história com um ambiente/narrativa que pode demorar um pouco a cativar o leitor, muito pela forma sui generis como está narrada. Admito que não me senti arrebatada desde o início, mas acabei a sua leitura completamente rendida. A autora tem uma forma poética de escrever, descritiva, subtil, por vezes irónica, por vezes divertida... Criou personagens cativantes e um enredo que, apesar de aparentemente não ser inovador, conseguiu ser narrado de forma diferente de tudo o que li até ao momento. A meu ver o que tornou esta história tão diferente e cativante foi a sua protagonista: Janina. Janina, uma professora reformada. Janina, apaixonada por poesia, por animais e por astrologia. Janina considerada, por muitos, excêntrica e até “maluca”. Janina, incompreendida por muitos devido à sua paixão por animais, pela sua paixão por astrologia e por passar grande parte dos seus dias a ler “os sinais”. Creio estarmos perante um rico exemplo de como a criação d´O Protagonista adequado faz toda a diferença. Há temas que nos são queridos e nos emocionam. Há personagens que nos cativam e deixam saudades. “Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos” passou a integrar os Favoritos do Ano. Lido em Novembro de 2019

Excelente leitura

Alexandra Santos

Dos melhores livros que li até hoje e ja lá vão muitos anos. O livro cativa-nos desde a primeira pagina. Muito bem escrito, personagens muito divertidos. Aconselho vivamente esta leitura. A não perder

Livro de grandes emoções

Carlos

Livro grandes emoções, mostra outra realidade outra forma viver.

A Terrível Vingança da Naturea

Dinis Evangelista

Pode ter outras leituras, mas - por mim - acho uma boa reflexão sobre o egoísmo humano, as suas corrupções e falta de respeito pelo seu semelhante, pela natureza e pelo ambiente. E a natureza acaba por vingar-se destes crimes dos humanos.

Maravilhoso

Vítor B.

Desde o início da trama que somos seduzidos pela protagonista e narradora, uma reformada polaca a viver num ermo na beira da floresta próxima da fronteira checa. Habituada ao isolamento, ela tem alguns hábitos bizarros, como uma paixão por astrologia, mas a sua personalidade rica e complexa vai-se mostrando ao longo do livro, tal como a sua vida passada, e a "velha com suas maleitas a quem ninguém prestaria um segundo olhar de atenção" revela-se uma força indomável. Uma leitura muito fluída, que nos transporta para um ambiente rural centroeuropeu onde agora há subsídios da UE, mas na verdade pouco mudou e a cobertura da rede de telemóvel tende a falhar. A atmosfera do livro recordou-me alguma animação polaca que a RTP passava nos anos 80 (graças ao Vasco Granja). O valor da vida animal, a justiça, a cidadania ou a amizade são alguns dos pontos que o livro toca e nos faz questionar de forma brilhante.

Um dos melhores

JS

Um dos melhores livros que li nos últimos meses. 5estrelas.

Um manifesto em defesa dos Animais

Carlos Ernesto Faria

Excelentemente escrito e de fácil leitura. Um policial visto do lado oposto ao da investigação, mas incómodo pelas questões que levanta sobre o comportamento humano e a atitude da sociedade perante o sofrimento animal, assumindo a defesa deste e em plena sintonia com ideias do século XXI onde os direitos dos animais são colocados em pé de igualdade com o homem.

Ingredientes para um nobel: personagens bizarras, enredo cativante e crítica social

Rebeca Bonjour

Por vezes, a literatura permite-nos conviver com personagens bizarras. Janina é uma dessas personagens: isolada numa aldeia no fim do mundo, consulta os mapas astrais daqueles com quem se cruza, lendo-lhes o destino, afirmando coisas que ninguém se atreveria a conceber. Vive presa num mundo que não é o seu, um mundo que não lhe parece certo e, sem se importar que a chamem de louca - munindo-se, até, disso como desculpa - enfrenta sem pestanejar tudo aquilo que considera desajustado, injusto. Através desta personagem, Olga Tokarczuk conduz, mais que um enredo cativante e divertido, uma crítica à sociedade polaca contemporânea, num sentido mais directo, e a todas as sociedades ocidentais, num sentido mais lato. Numa escrita muito simples, sem subtefúrgios, facilmente conquistará qualquer um.

parábola dos nossos tempos

fernanda

muito boa prosa, de detalhes deliciosos e certeira caracterização dos nossos tempos. um policial assente numa "comédia improvável"

ABOUT THE AUTHOR

Olga Tokarczuk

Prémio Nobel da Literatura 2018

Olga Tokarczuk nasceu em Sulechów, uma pequena cidade polaca, em 1962. Formada em Psicologia, publicou o seu primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia intitulada Miasta w lustraché, seguindo-se os romances E. E. e Prawiek i inne czasy, tendo sido este último um sucesso.
A partir daí, a sua prosa afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa breve e do ensaio. Uma das melhores e mais apreciadas autoras de hoje, a obra de Olga Tokarczuk tem sido alvo de várias distinções, nacionais e internacionais. Recebeu por duas vezes o mais importante prémio literário do seu país, o Prémio Nike; em 2018, foi finalista do Prémio Fémina Estrangeiro e vencedora do Prémio Internacional Man Booker. Os seus livros estão traduzidos em trinta línguas.
Em 2019, foi distinguida pela Academia Sueca com o Prémio Nobel de Literatura pela sua «imaginação narrativa, que com uma paixão enciclopédica representa o cruzamento de fronteiras como forma de vida».

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