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Como reconhecer um estúpido (num mundo cheio deles)

Os perigos da estupidez disfarçada de sabedoria

by Robert Musil
Book eBook
Publisher: Ideias de Ler, May of 2025 ‧
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A estupidez é uma força poderosa. Quando devidamente camuflada, acaba por ser aceite coletivamente, contribuindo para a manutenção do statu quo e impedindo a progressão individual e social.

Esta é uma das premissas base de Como reconhecer um estúpido (num mundo cheio deles), o breve e provocador ensaio do austríaco Robert Musil, que explora o conceito de estupidez não como mera falta de inteligência, mas como um fenómeno mais amplo e complexo. A estupidez pode manifestar-se de formas subtis e perigosas, especialmente quando dissimulada de conhecimento ou sabedoria, apropriando-se das esferas social e intelectual, com efeitos nefastos.

Num tom irónico e ponderado, Musil leva o leitor a questionar as suas próprias convicções e a reconhecer as armadilhas da estupidez e de que forma afetam as vidas de cada um e a sociedade como um todo.

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Livros para sobreviver ao domingo à tarde

Há um certo desconforto nos domingos à tarde: a promessa da manhã já passou, e a urgência da noite ainda demora. São intervalo morno entre o repouso e o dever da segunda-feira que espreita. O tempo de descanso escapa sem pedir licença, a televisão grita e as redes sociais cansam. A casa arruma-se sozinha — ou não se arruma de todo. E nós, ali, somos elefantes na sala, imóveis, desconcertados, sem saber se queremos dormir ou recomeçar tudo.
Esta lista não sugere romances felizes nem autoajuda disfarçada de ciência. Também não serve para motivar ninguém. A proposta é outra: leituras que validam o tédio e o transformam em companhia. Estes são livros que não prometem soluções, mas abrem frestas e não ocupam o silêncio. Apenas se sentam ao nosso lado, como quem diz: «Eu também não sei bem o que fazer, mas fico aqui contigo.» Qual É o Teu Tormento, de Sigrid Nunez Comecemos por Qual É o Teu Tormento, de Sigrid Nunez, romance que Almodóvar adaptou para o cinema e que possui tudo o que este momento exige: empatia, humanidade e diálogo. Ao acompanhar uma amiga em fim de vida, a narradora mergulha nas pequenas histórias que salvam do absurdo: sobre livros, amores fracassados e juventudes passadas. E há, em tudo isso, ternura. Ler Nunez é aceitar que, às vezes, viver é apenas permanecer, mesmo quando a vida se afigura sem enredo. COMPRO NA WOOK! » Trailer de O Quarto ao Lado, adaptação ao cinema, por Pedro Almodóvar, de Qual é o teu Tormento Liberalismo: a Ideia que Mudou o Mundo, de Carlos Guimarães Pinto Mas o domingo à tarde também é terreno fértil para o pensamento, sobretudo o que não busca conclusões definitivas. Liberalismo: a Ideia que Mudou o Mundo, de Carlos Guimarães Pinto, pode parecer deslocado, nesta lista, mas não está. O liberalismo, na sua essência, não é doutrina de mercado, mas desconfiança organizada: nas soluções absolutas, nos líderes que prometem paraísos, nas ideias que dispensam perguntas. Um livro que obriga a pensar com humildade, e talvez a melhor forma de atravessar um domingo sem nos deixarmos afundar. COMPRO NA WOOK! » A Hipótese da Felicidade, de Jonathan Haidt Se a política não apela, talvez a filosofia da felicidade seja eficaz. Em A Hipótese da Felicidade, Jonathan Haidt parte de máximas antigas, como «a felicidade vem de dentro» ou «o que não nos mata, torna-nos mais fortes» e submete-as ao crivo da psicologia contemporânea, sem moralismos. A partir de dez grandes ideias retiradas de tradições filosóficas e espirituais, constrói um diálogo entre a sabedoria ancestral e a evidência científica, propondo uma visão integrada da felicidade que contempla tanto os factores internos (emoções, pensamentos, narrativas pessoais) como os contextos externos (relações, ambiente, cultura). A metáfora do elefante e do cavaleiro serve de base: a razão pode orientar, mas é a emoção que conduz.
Ao longo do livro, Haidt explora temas como a importância dos vínculos afetivos, o papel da adversidade no crescimento pessoal, a moralidade como instinto social, o impacto das narrativas que construímos sobre nós próprios e a força transformadora da elevação moral e da espiritualidade. Longe de ser um manual de autoajuda, esta obra apresenta-se como um convite à reflexão ética e ao autoconhecimento, desafiando o leitor a encontrar o seu próprio equilíbrio entre razão e emoção, liberdade e compromisso, bem-estar individual e sentido coletivo. COMPRO NA WOOK! » Amazónia: Viagem por uma Ferida Aberta no Planeta, de Manuel Carvalho Há domingos que nos obrigam a enfrentar a realidade e livros que nos golpeiam a consciência: Amazónia: Viagem por uma ferida aberta no planeta, de Manuel Carvalho, é um desses. Um relato íntimo, político e ecológico de um território espoliado até ao osso. Não é uma leitura leve, mas é fundamental. Não há maior melancolia do que saber que o mundo arde, enquanto folheamos distraídos, e, ainda assim, é entre páginas como estas que voltamos a sentir que ler pode ser um ato de resistência. COMPRO NA WOOK! » Como Reconhecer um Estúpido, de Manuel Carvalho Mas o domingo também é propício à ironia subtil, à reflexão ligeiramente azeda que nos impede de cair na solenidade. Para isso, nada melhor do que Como Reconhecer um Estúpido (Num Mundo Cheio Deles), de Robert Musil. Um ensaio breve, inteligente e provocador, que desmonta o conceito de estupidez com precisão e humor mordaz. Um lembrete: a burrice nem sempre é sinónimo de ignorância. Pode vir disfarçada de sapiência, prestígio, ou embrulhada num cargo importante. Ideal para quando nos sentimos a afundar no ruído do mundo, o que, nos dias de hoje, acontece com inquietante facilidade. Com este livro, rimos, mas também ficamos mais atentos. COMPRO NA WOOK! » Nellie Bly — A História de Uma Pioneira, de Virginie Ollagnier-Jouvray e Carole Maurel Para fechar esta lista-resgate, Nellie Bly — A História de Uma Pioneira, no formato de novela gráfica, porque há domingos que pedem imagens, ritmo e figuras reais que parecem saídas de um romance. Nellie Bly foi jornalista, ativista, infiltrou-se num manicómio para denunciar abusos, escreveu sobre imigração e recusou ser apenas a cronista dos «assuntos femininos» que os jornais lhe destinavam. Uma vida de coragem, narrada com rigor e traço dinâmico, que recorda o poder da escrita como ferramenta de transformação. COMPRO NA WOOK! » É esta a proposta: livros que não anestesiam nem sobrecarregam, que nos retiram da apatia sem impor maratonas emocionais. Leituras acutilantes para esse compasso estranho entre o almoço e o entardecer, quando o mundo soa suspenso e o mais difícil é aceitar que o tempo não se resolve, passa. Quem duvidar experimente: a leitura sobrevive connosco ao domingo à tarde.

Como reconhecer um estúpido (num mundo cheio deles)

Os perigos da estupidez disfarçada de sabedoria

by Robert Musil

Property Description
ISBN: 978-989-740-430-6
Publisher: Ideias de Ler
Release Date: May of 2025
Dimensions: 142 x 3,210 x 8 mm
Cover: Softcover
Pages: 72
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Social Sciences and Humanities > Philosophy
EAN: 978989740430611
Recommended Minimum Age: Not applicable

Muito útil...

Maria Sobral Velez

Musil , de modo irónico , mas muito avisado, orienta o leitor a não cair nas armadilhas da estupidez disfarçada de falsa sabedoria... Um manual essencial para distinguir a " estupidez honesta" e a " estupidez superior", a mais perigosa...

ABOUT THE AUTHOR

Robert Musil

Robert Musil (1880-1942) foi um escritor, filósofo e ensaísta austríaco, considerado um dos maiores nomes da literatura do século XX. Nascido em Klagenfurt, a 6 de novembro de 1880, Musil formou-se em engenharia, mas foi na literatura que encontrou a sua vocação. Ingressou na Universidade de Berlim, onde estudou psicologia, filosofia e matemática, e completou o doutoramento em 1908. Antes de se dedicar à escrita, trabalhou como funcionário público e completou o serviço militar durante a Primeira Guerra Mundial, o que influenciou as suas críticas à sociedade da época. Nos anos seguintes, trabalhou em Viena como escritor e jornalista. Aquando da Anschluss, a invasão nazi da Áustria em 1938, Musil refugiou-se com a mulher judia na Suíça, primeiro em Zurique e depois em Genebra, onde faleceu em 1942, com 61 anos. Embora tenha tido pouco reconhecimento em vida, Robert Musil deixou um legado notável, que reflete sobre as complexidades da condição humana e a incerteza existencial.

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