Cartas de Portugal em (e de) África
Algumas de amor nada ridículas
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Chiado Books, September of 2016 ‧
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SYNOPSIS
Malange, 27 Junho, 1950
(...) Teremos casa, também, segundo me consta pintada dentro e fora ao gôsto do indígena em tons vivíssimos de azul, côr de rosa e verde, água corrente e clima razoável; eletricidade é que não, mas paciência. Parece que o António terá uma avença das Companhias do Algodão que lá têm plantações, e se a área fôr designada "de sono" - há tsé-tsés e casos de infecção em pretos - mais 3.000$ entram por mês e tempo de serviço contado a dobrar para fins de reforma e promoção. O panorama, como podem ver, não é nada mau e com um pouco de sorte a vida arranjar-se-á razoavelmente. Aqui em Malange, onde estou há três semanas ficaremos em casa dos meus sogros, apesar da falta de espaço; é de espantar a "pelintrice" reinante sobretudo no que respeita a Serviços de Saúde. (...)
Fiquei abismada com o nível de vida e civilização dos negros; teoricamente, a Escravatura foi abolida no tempo do Sr .D. Luis I, e todos os habitantes das colónias, independentemente da raça ou religião, são cidadãos portugueses, livres e com os mesmos direitos. No entanto a pratica difere um tanto da teoria. E logo em S.Tomé os roceiros, senhores absolutos da ilha, contra quem nem o Governador tem poder, mantêm os tradicionais princípios e normas, que vêm no negro um animal de trabalho, só. Segundo me disse um funcionário altamente colocado no Ministério das Colónias, é costume, ainda, castigar os trabalhadores, enterrando-os vivos. Mas as coisas não ficam por aqui, podem crer. Em Angola a situação está revestida de um "verniz" superficial - tudo se faz mais discretamente mas há muita patifaria, louvado Deus, e é desoladora a situação verdadeiramente miserável em que estão os pretos.
(...) Teremos casa, também, segundo me consta pintada dentro e fora ao gôsto do indígena em tons vivíssimos de azul, côr de rosa e verde, água corrente e clima razoável; eletricidade é que não, mas paciência. Parece que o António terá uma avença das Companhias do Algodão que lá têm plantações, e se a área fôr designada "de sono" - há tsé-tsés e casos de infecção em pretos - mais 3.000$ entram por mês e tempo de serviço contado a dobrar para fins de reforma e promoção. O panorama, como podem ver, não é nada mau e com um pouco de sorte a vida arranjar-se-á razoavelmente. Aqui em Malange, onde estou há três semanas ficaremos em casa dos meus sogros, apesar da falta de espaço; é de espantar a "pelintrice" reinante sobretudo no que respeita a Serviços de Saúde. (...)
Fiquei abismada com o nível de vida e civilização dos negros; teoricamente, a Escravatura foi abolida no tempo do Sr .D. Luis I, e todos os habitantes das colónias, independentemente da raça ou religião, são cidadãos portugueses, livres e com os mesmos direitos. No entanto a pratica difere um tanto da teoria. E logo em S.Tomé os roceiros, senhores absolutos da ilha, contra quem nem o Governador tem poder, mantêm os tradicionais princípios e normas, que vêm no negro um animal de trabalho, só. Segundo me disse um funcionário altamente colocado no Ministério das Colónias, é costume, ainda, castigar os trabalhadores, enterrando-os vivos. Mas as coisas não ficam por aqui, podem crer. Em Angola a situação está revestida de um "verniz" superficial - tudo se faz mais discretamente mas há muita patifaria, louvado Deus, e é desoladora a situação verdadeiramente miserável em que estão os pretos.
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789895185429 |
| Publisher: | Chiado Books |
| Release Date: | September of 2016 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 140 x 219 x 40 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 552 |
| Format: | Book |
| Collection: | Bíos |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Epistles and Letters
|
| EAN: | 9789895185429 |
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