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Aquele Belo Rapaz

poesia completa

by Konstandinos Kavafis
Book eBook
Publisher: Assírio & Alvim, November of 2025 ‧
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Jorge de Sena (1970), Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis (2005) e, por último, Manuel Resende (2017), todos se debruçaram sobre a tradução da poesia de Kaváfis, num gesto de inconfundível paixão pela obra de um dos mais importantes poetas do século XX. Contudo, reconhecendo a importância e a tradição destas edições, o presente volume reúne toda a poesia de Kaváfis, incluindo mais de uma centena de poemas inéditos em Portugal, pela mão de José Luís Costa. O livro inclui ainda um posfácio de Tatiana Faia, poeta, classicista e tradutora.

RECORDA, CORPO…

Corpo, recorda não apenas o quanto foste amado,
não apenas as camas em que te deitaste,
mas também todos os desejos que por ti
brilharam claros em olhares,
que estremeceram numa voz — e que
algum vão empecilho malogrou.
Agora que tudo faz parte do passado,
quase parece que a esses desejos
de verdade te entregaste — como brilhavam,
recorda-te, nos olhos que te fitavam.
Como estremeciam numa voz, por ti: recorda, corpo.

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«Faz por guardá-las, poeta (…), as visões do teu erotismo»

Konstandinos Kaváfis (1863-1933) foi um poeta grego que viveu a maior parte da sua vida em Alexandria, no Egito, e desenvolveu o seu próprio estilo conscientemente individual, tornando-se uma das figuras mais importantes da poesia grega e ocidental.
Céptico, ridicularizava os valores tradicionais do cristianismo, do patriotismo e da heterossexualidade, embora se sentisse desconfortável com a sua própria inconformidade. O seu estilo e tom são íntimos e realistas. O tratamento lírico que deu a temas históricos familiares tornou-o popular e influente após a sua morte. Aquele Belo Rapaz – poesia completa, editado pela Assírio & Alvim, reúne toda a poesia de Kaváfis, incluindo mais de uma centena de poemas inéditos em Portugal, com tradução de José Luís Costa. Deste volume, escolhemos três poemas repletos de sensualidade.

QUANDO SE EXCITAM

Faz por guardá-las, poeta ―
por poucas que sejam, conquanto se esvaiam.
As visões do teu erotismo.
Põe-nas, semiescondidas, dentro das tuas frases.
Faz por protegê-las, poeta,
quando se excitam em teu pensamento,
de noite, ou no fulgor do meio-dia.
[1916]

PRAZER

Alegria e perfume da minha vida a memória das horas
em que encontrei e possuí o prazer tal como quis.
Alegria e perfume da minha vida, eu que detestei
qualquer deleite de amor rotineiro.
[1917]

TANTO A BELEZA CONTEMPLEI ―

Tanto a beleza contemplei
que toda dela se tornou minha visão.

Linhas do corpo. Vermelhos lábios. Voluptuosos membros.
Cabelos quase roubados a estátuas helénicas:
sempre belos, embora desgrenhados;
recaem ao de leve sobre faces brancas.
Rostos do amor, tal como os quis
a minha poesia…… No interior das noites da minha juventude,
nas minhas noites, escondidos, encontrados……
[1917]

K. P. Kaváfis, Aquele Belo Rapaz – Poesia Completa, Assírio & Alvim, Novembro de 2025, pp. 79-81

Aquele Belo Rapaz

poesia completa

by Konstandinos Kavafis

Property Description
ISBN: 978-972-37-2339-7
Publisher: Assírio & Alvim
Release Date: November of 2025
Dimensions: 147 x 205 x 31 mm
Cover: Softcover
Pages: 560
Format: Book
Collection: Documenta Poetica
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Poetry
EAN: 978972372339710
Recommended Minimum Age: Not applicable

A poesia como realidade sonhada

António Lopes Dias

Os poemas de Kavafis, além de uma realidade intimista, constitui também uma escrita do imaginário

ABOUT THE AUTHOR

Konstandinos Kavafis

K. P. Kaváfis foi um poeta nascido em 1863 em Alexandria, Egito. Filho de mercadores abastados originários de Constantinopla, a família muda-se, após a morte do pai, para Liverpool, em Inglaterra, onde vivem durante cinco anos. De regresso a Alexandria, Kaváfis aí permaneceria o resto da vida, com a exceção de algumas viagens e uns anos em Constantinopla. Trabalhou, durante mais de três décadas, como funcionário dos serviços de irrigação da cidade, posto discreto e monótono. Os seus poemas circularam, primeiro em jornais e revistas, entre um grupo restrito de amigos e admiradores. É apenas em 1904, contava Kaváfis quarenta e um anos, que um grupo de catorze dos seus poemas aparecem editados pela mão do autor. No entanto, a publicação seria alargada, modificada, revista, num processo contínuo nos anos consecutivos, em pequenos cadernos ou folhas soltas distribuídos pelo próprio ou amigos do círculo íntimo, contendo sempre os mesmos poemas: primeiro ordenados por tema, depois por cronologia e acrescidos com algumas dezenas. Nos seus últimos anos circulavam três destes conjuntos, aos quais se acrescentaria uma composição inédita para perfazer os 154 poemas do cânone (publicados em 1935). Após ser diagnosticado com cancro da laringe, perderia a voz, comunicando apenas por sinais e notas rabiscadas em dezenas de papelinhos. Até que veio a morrer na cidade que sempre foi a sua, no dia do seu aniversário, a 29 de abril de 1933.

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