Akbar
Lunário poético duma alma ainda Árabe
SYNOPSIS
De uma coisa estamos certos: Akbar confirma Nero — na sua metamorfose constante (mas coerente) e na sua ousadia peculiar — como um dos mais interessantes e surpreendentes poetas portugueses da atualidade.
Do início da invasão árabe, em 711, à atualidade, passaram — contam os calendários — mais de setecentos anos. Os vestígios da presença e influência destes povos são, contudo, mais do que muitos: das pedras que pisaram e edificaram às línguas que ainda hoje proliferam e que, para todos os efeitos, eternizam a sua herança, pela Península Ibérica e muito além dela.
Só no português, mais de 18 mil vocábulos terão origem árabe. Não espanta, portanto, que também a literatura assuma e reclame, legitimamente, essa ascendência.
Dizia Fernando Pessoa que "a alma árabe é o fundo da alma portuguesa". O arabista Adalberto Alves repercute, depois: "o meu coração é árabe". Nero, perpetuando a mesma linhagem, canta: "há um árabe vivo dentro de mim, ainda"; a que nos versos seguintes acrescenta, embebido no ateísmo místico que não raras vezes o caracteriza: "um ou mais, escuto-os quando cego passeio / e dos caminhos p’ra meca nem vereda".
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789725594797 |
| Publisher: | Manufactura |
| Release Date: | April of 2025 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 147 x 220 x 12 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 176 |
| Format: | Book |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Poetry
|
| EAN: | 9789725594797 |
REVIEWS
Um poeta que escreve como se a poesia ainda pudesse fundar mundos
Manuel Martins
Nero é um poeta contemporâneo, mas não minimalista. Se arriscássemos situá-lo, diriamo-lo, porventura, neo-simbólico, pós-épico. A sua escrita aproxima-se mais de uma poesia de raiz simbólica, mítica e espiritual, algo relativamente raro hoje. Usa linguagem elevada, revela ambição épica. Onde Camões narrava a História, Nero cria uma mitologia própria. Quando Camões era épico-nacional, Nero é cosmogónico e interior, parecendo perguntar: e se Os Lusíadas fossem escritos hoje, mas sem nação? Leia-se Oceano – O Reino das Águas. Há em Nero, como em Sophia, a busca da pureza clássica, mas há nele o misticismo, um simbolismo profundo e múltiplo. Enquanto Sophia era solar, Nero é crepuscular. Há nele, como em Ruy Belo, uma relação profunda com o corpo, a terra, a finitude, uma linguagem intensa na assunção do questionamento espiritual. Todavia, onde Belo era angustiado, Nero é iniciático, procurando na queda a revelação. Leia-se também Telúria. Se Fernando Pessoa analisava o abismo, fragmentando-se em heterónimos, Nero entra nele como rito, tendendo à unificação (do espírito, da natureza e da memória). E se os poetas andaluzes vivem tantas vezes a perda, cantando a nostalgia histórica, Nero entoa uma herança espiritual. Leia-se também Akbar. Em suma, Nero não é senão um poeta épico-lírico num tempo anti-épico, que escreve contra a pressa e o cinismo do tempo presente. Talvez habite um espaço entre todas estas referências, mas com voz própria. Ocupará, em pleno século XXI, o lugar de um poeta que escreve como se a poesia ainda pudesse fundar mundos – mesmo sabendo que o mundo já não espera por isso. À data, falta-lhe apenas o crítico que o leia devagar.
Adorei!!
Nelson Pradinhos
O livro Akbar – Lunário Poético duma Alma ainda Árabe, de Nero, é uma obra poética que mergulha nas raízes árabes da identidade portuguesa, explorando a herança cultural e espiritual deixada pela presença muçulmana na Península Ibérica. Publicado em 2025 pela editora Manufactura, este é o terceiro livro do autor e o segundo volume da sua informal "Trilogia do Espírito", iniciada com Telúria (2023) . O título Akbar, que significa "maior" em árabe, remete à transcendência divina e à grandiosidade espiritual. O subtítulo "Lunário Poético duma Alma ainda Árabe" indica a estrutura do livro, que se organiza em quatro partes inspiradas nas fases da lua: quarto crescente, plenilúnio, quarto minguante e lua nova. Cada fase representa uma etapa na jornada espiritual e histórica: Quarto Crescente: Busca pelas origens e expansão da fé muçulmana, com uma abordagem simbólica e mística. Plenilúnio: Celebração da expansão árabe pela Ibéria, destacando a influência cultural e arquitetónica. Quarto Minguante: Recriação de episódios históricos da queda do domínio árabe, com um tom épico. Lua Nova: Proposta de diálogo e tolerância como instrumentos essenciais para o convívio entre culturas. Entre as seções principais, o livro inclui interlúdios intitulados "abluções", "noites sibilantes", "jejuns" e "meditações", que aprofundam a dimensão espiritual da obra. Um destaque especial é o interlúdio "ovo", acompanhado por uma ilustração de inspiração árabe assinada por Miguel de Sousa . Nero adota um estilo poético que combina elementos do sufismo, misticismo islâmico e tradição lírica portuguesa. A sua escrita é marcada por uma arquitetura tesselante, com padrões e simetrias que refletem a estética árabe. O autor reconhece a influência de pensadores como Fernando Pessoa, que afirmou que "a alma árabe é o fundo da alma portuguesa", e do arabista Adalberto Alves, que declarou "o meu coração é árabe" . O livro dedica-se "à luz e sombras da cidade de Silves", cidade natal de Nero, que foi um importante centro cultural durante o domínio muçulmano na Península Ibérica. A obra convida à reflexão sobre a convivência entre culturas e religiões, propondo o diálogo e a tolerância como caminhos para a compreensão mútua. Akbar – Lunário Poético duma Alma ainda Árabe é uma obra que entrelaça poesia, história e espiritualidade, oferecendo uma visão profunda sobre a herança árabe na identidade portuguesa. Com uma estrutura inovadora e uma linguagem rica em simbolismo, o livro convida o leitor a uma viagem introspectiva e cultural.
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