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Edições Vieira da Silva, December of 2016 ‧
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SYNOPSIS
Carlos estava feliz pelo seu rapaz e não resistiu a festejar com os amigos do trabalho e, depois, com os da terra, apanhando uma bebedeira tal que, quando chegou a casa, não conseguiu tomar conta da filha, de quem forçosamente teria de cuidar, já que a mãe estava na maternidade e a avó só cuidava dela durante o dia.
Esta, já com 5 anos, estava em casa quando o pai entrou e, apesar da idade, viu bem o desarranjo em que se apresentava. Não era a primeira vez.
Ouviu-o falar e cantar até que lhe apeteceu, sem entender nada do que dizia. Viu-o atirar-se vestido para cima da cama e adormecer rapidamente, sem lhe dar qualquer importância. Era como se ela não existisse.
Beatriz já o conhecia de outras vezes e assim, mesmo sem comer, recolheu-se no seu quartito frio e desaconchegado com um naco de pão na mão e lá ficou até que, de manhã, a avó apareceu e lhe contou que ela já tinha um irmãozito. Beatriz não gostou da ideia de ter esse irmão.
Por causa dele, o pai não lhe tinha dado atenção, nem jantar, não falara nada com ela, e fizera tanto barulho toda a noite que a assustara. Ela, como era forte e destemida, comera um pedaço de pão e refugiara-se no que considerou um castigo.
De manhã, Carlos ainda dormia vestido em cima da cama. Naquele dia não foi trabalhar. A avó, sem o acordar, pegou na menina e levou-a com ela, sempre a balbuciar:
- Volta sempre ao mesmo, não vai ter cura se não se internar. Teimoso como um burro. É sempre a mesma coisa, não tem emenda. Já sei como é, não tenha eu lá um exemplo em casa. A minha filha vai ter um tormento, ai, isso vai.
- Que vais a dizer, avó?
- Olha, vou a dizer que me valha Deus, que se não for Ele ninguém nos pode acudir, nem a mim, nem à tua mãe, nem ao teu pai, nem ao mundo, porque está tudo perdido.
Esta, já com 5 anos, estava em casa quando o pai entrou e, apesar da idade, viu bem o desarranjo em que se apresentava. Não era a primeira vez.
Ouviu-o falar e cantar até que lhe apeteceu, sem entender nada do que dizia. Viu-o atirar-se vestido para cima da cama e adormecer rapidamente, sem lhe dar qualquer importância. Era como se ela não existisse.
Beatriz já o conhecia de outras vezes e assim, mesmo sem comer, recolheu-se no seu quartito frio e desaconchegado com um naco de pão na mão e lá ficou até que, de manhã, a avó apareceu e lhe contou que ela já tinha um irmãozito. Beatriz não gostou da ideia de ter esse irmão.
Por causa dele, o pai não lhe tinha dado atenção, nem jantar, não falara nada com ela, e fizera tanto barulho toda a noite que a assustara. Ela, como era forte e destemida, comera um pedaço de pão e refugiara-se no que considerou um castigo.
De manhã, Carlos ainda dormia vestido em cima da cama. Naquele dia não foi trabalhar. A avó, sem o acordar, pegou na menina e levou-a com ela, sempre a balbuciar:
- Volta sempre ao mesmo, não vai ter cura se não se internar. Teimoso como um burro. É sempre a mesma coisa, não tem emenda. Já sei como é, não tenha eu lá um exemplo em casa. A minha filha vai ter um tormento, ai, isso vai.
- Que vais a dizer, avó?
- Olha, vou a dizer que me valha Deus, que se não for Ele ninguém nos pode acudir, nem a mim, nem à tua mãe, nem ao teu pai, nem ao mundo, porque está tudo perdido.
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| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789897366260 |
| Publisher: | Edições Vieira da Silva |
| Release Date: | December of 2016 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 146 x 207 x 11 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 180 |
| Format: | Book |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Short stories
|
| EAN: | 9789897366260 |