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A Construção do Terramoto de Lisboa de 1755

by Elísio A. J. Moreira
Publisher: Chiado Books, July of 2016 ‧
11,00€
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A Lisboa de 1755 era uma cidade medieval rodeada por muralhas que impediam o seu natural crescimento. O Portugal de então era um país com um forte império colonial e em forte ascensão económica, especialmente pelos tesouros vindos do Brasil e colónias.
Ora, a tão poderoso reino (vejam-se as ofertas ao Papa), não ficava nada bem uma capital mal cheirosa, desordenada, pestilenta e cheia de barracos velhos e fedorentos, ruelas e quelhas apertadíssimas com muita trampa.
A minha história está alicerçada no pressuposto de que o rei e o ministro possam ter arquitectado a destruição da cidade, a zona baixa, no sentido de, aí, construir uma nova. Porquê? Porque esse era a melhor localização. Tinha água do aqueduto novinho em folha, uma grande plateia aberta ao estuário e protecção dos ventos frios feita pelas colinas laterais.
Imagina o leitor 300 canhões a disparar simultaneamente sobre a cidade? A terra treme? É o terramoto. E se a Lisboa de então fosse bombardeada em simultâneo por vários galeões ancorados no Tejo?
Porquê fazer a nova cidade?
D. João V, pai de D. José, fez construir o convento de Mafra. Quem o visitou sabe que é a beleza, a imponência e o luxo. Devo dizer que trabalharam cerca de 40000 escravos e cerca de 400 juntas de bois durante 30 anos. Ora, se o pai faz uma obra daquele calibre, maior que essa obra, só uma cidade. E o filho quer fazê-la para ser maior. Vaidade do Rei.
O Ministro e o rei, valendo-se da conjuntura que o absolutismo faculta, promovem a destruição. Os escravos que saem das obras findas de D. João V trabalham na edificação da nova cidade. Para garantir que não haverá obra maior, o Conde de Oeiras faz abolir a escravatura em 1769 o que impossibilita os reis futuros de edificar megalomanias.
Para garantir uma mentira, calam-se as testemunhas. Enforca-se, esquarteja-se, queima-se e coloca-se a inquisição a controlar o pensamento. Se o rei diz que houve terramoto é porque houve terramoto e, quem chamar ao rei mentiroso, a pena é a morte com sofrimento agravado.
O que é verdade é que inúmeros monumentos nossos conhecidos estão por todo o país sem obras de restauro desde então. Se o terramoto teve a magnitude que especialistas dizem, de 8.5 a 9 na escala de Ritcher, nada teria ficado de pé. Se houve tsunami, que alguém me explique o porquê de a torre de Belém e o forte de S. Julião da Barra ainda lá estarem e, mais curioso, sem obras de restauro desde 1755. Só sofrem, periodicamente, obras de manutenção.
E, terminando, devo lembrar que não encontrei, nomeadamente em relação ao Mosteiro de Santa Maria de Belém (Jerónimos) e Sé de Lisboa, documentos comprovativos de reconstrução. Existem, sim, e em forte abundância, documentos de despesas de funcionamento do período referido, o que atesta que, mesmo no pós terramoto, o mosteiro e a Sé labutavam com normalidade. Tais documentos podem ser consultados nos arquivos nacionais.

A Construção do Terramoto de Lisboa de 1755

by Elísio A. J. Moreira

Property Description
ISBN: 9789895178285
Publisher: Chiado Books
Release Date: July of 2016
Language: Portuguese
Dimensions: 137 x 222 x 7 mm
Cover: Softcover
Pages: 100
Format: Book
Collection: Viagens na Ficção
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Other Literary Forms
EAN: 9789895178285

ABOUT THE AUTHOR

Elísio A. J. Moreira

Elísio António Jesus Moreira nasceu e reside em Aveiro. Tem 56 anos e formação em Engenharia e Gestão Industrial, pela Universidade de Aveiro, e especialização em Logística, Gestão e Organização Industrial pela mesma instituição. Profissionalmente, exerce funções numa multinacional do ramo automóvel como operacional de sistemas de informação e documentação técnica.
Dedica algum do seu tempo disponível à investigação, por conta própria, na área da História de Portugal – especialmente ao período pombalino de 1755 a 1765, período sebastianista e, inquisitório. Realiza, também, trabalhos em escultura, cerâmica, desenho e pintura, estando alguns patentes em igrejas, museus e colecções particulares.
Este seu primeiro trabalho surge como um projecto pessoal alicerçado no prazer de questionar o passado e é o resultado de alguns anos de busca dos impactos dos Terramoto de Lisboa de 1755 tanto em Lisboa, cidade, como pelo país. A investigação, ainda que amadora, centrou-se nas normas, éditos, procedimentos inquisitórios e contas de várias instituições religiosas e património nacional (análise física). O resultado da investigação das contas, de acções sociopolíticas, dos perfis dos actores na época levou o autor a suspeitar que não houve um terramoto com origem em causas naturais. Este romance, de base histórica, procura criar o quotidiano das décadas de cinquenta e sessenta do século XVIII onde, segundo o autor, poderia ser feita uma destruição da própria cidade, destruição essa, projectada e ordenada pelo poder político e ser chamada de terremotum. Estaremos perante uma farsa com mais de 250 anos?

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