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O Que Aconteceu Após Nora Deixar A Casa De Bonecas Ou Pilares Da Sociedade eBook

de Elfriede Jelinek
idioma: português, português do brasil
Editor: Temporal Editora, abril de 2023 ‧
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Ebook para wook reader
O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades, peça escrita em 1979 pela romancista, ensaísta e dramaturga austríaca, vencedora do Nobel de literatura, Elfriede Jelinek, começa exatamente no ponto em que termina Casa de Bonecas, escrita pelo norueguês Henrik Ibsen cem anos antes. Protagonista de ambas as peças, Nora aparece em Ibsen como uma figura feminina aparentemente bem enquadrada na sociedade patriarcal e que, no entanto, se liberta pouco a pouco de sua condição submissa, deixando a casa onde morava e abandonando marido e filhos. Já a peça de Jelinek tem início no momento em que Nora inicia sua trajetória como mulher emancipada, mas nem por isso livre das estruturas de dominação que a assujeitam, seja em virtude de sua condição de operária de fábrica, seja em seu novo casamento com o Cônsul Weygang – empresário avarento e calculista que a autora foi buscar entre os personagens de outra peça de Ibsen, Pilares da Sociedade –, seja ainda pelas pressões econômicas que a desafiam continuamente em sua busca pela realização pessoal. O argumento desta obra, concebida como um drama secundário, nasce de um interesse que sempre moveu a atividade criadora de Elfriede Jelinek: resgatar figuras femininas, reais ou literárias, como forma de tematizar questões sociais profundas e complexas.

O Que Aconteceu Após Nora Deixar A Casa De Bonecas Ou Pilares Da Sociedade

de Elfriede Jelinek

Propriedade Descrição
ISBN: 9786587243412
Editor: Temporal Editora
Data de Lançamento: abril de 2023
Idioma: Português, Português do Brasil
Páginas: 192
Tipo de produto: eBook
Formato e Compatibilidade:
Classificação Temática: eBooks em Português > Arte > Artes de Palco
EAN: 9786587243412
Acessibilidade: Ver características de acessibilidade indicadas pelo editor

SOBRE O AUTOR

Elfriede Jelinek

PREMIO NOBEL DA LITERATURA 2004

Elfriede Jelinek, de origem austríaca, marcou o panorama teatral e literário germânico e europeu do fim do século XX como nenhuma outra autora. Eminentemente política e feminista, ao mesmo tempo, soube forjar uma linguagem muito própria que utiliza como arma artística e estética contra os males e vícios das sociedades modernas - a exclusão das diferenças, os abusos de poder, os pesos sociais que asfixiam, esmagam e destroem.

Elfriede Jelinek inscreve-se na tradição literária austríaca junto de grandes e polémicos autores, tais como Karl Kraus e Thomas Bernhard. Tal como eles foi considerada pornográfica e traidora da pátria, tendo recebido ameaças e visto o seu nome arrastado para a lama. Autora mais do que reconhecida, galardoada com múltiplos prémios literários, não deixou, no entanto, de ser marginalizada. Considerada "degenerada" por parte da sociedade austríaca - supostamente a extrema direita - a condenação recai sobre toda a sua obra, tanto no teatro como na literatura.

Apesar de tudo isto (ou, exatamente por tudo isto) a escritora foi laureada com o prémio Nobel da Literatura 2004, tendo o comunicado da Academia Sueca destacado "o fluxo musical das vozes e contra-vozes presente nos romances e peças" da autora, que com "extraordinário zelo linguístico", revelam o "absurdo dos clichés da sociedade".

Nascida a 20 de outubro de 1946 na cidade de Murzzuschlag, na província austríaca de Styria, Elfriede Jelinek é filha de uma mestiçagem cultural e religiosa: a mãe era uma austríaca católica, pertencente a uma família da alta burguesia vienense; o pai, engenheiro químico e autodidata , era um judeu de origem checa oriundo de um meio pobre, mas culto. Trabalhou em produção industrial estratégica durante a Segunda Guerra Mundial, conseguindo com isso escapar à perseguição nazi.

Predestinada pela mãe a transformar-se num génio da música, ingressa em 1950 no jardim de infância de uma instituição religiosa, em Viena, onde, a partir dos 4 anos, estuda ballet e francês. É muito cedo submetida a pressões cada vez mais fortes: a partir dos 7 anos a mãe obriga-a a frequentar aulas de piano, alto e violino, para além dos estudos habituais na escola primária. Aos 16 anos entra para o Conservatório de Música de Viena. Ingressou igualmente na Universidade de Viena para estudar Teatro e História da Arte. Por fim, esgotada, acaba por adoecer e enfrentar uma grave crise psicológica.

Asfixiada pelo domínio materno, revolta-se contra a autoridade e direciona a sua atenção para as palavras e a linguagem, uma área descurada pela a mãe, mas estimulada pelo pai. A autora afirmaria mais tarde: "O meu pai estava praticamente ausente. Não gostava muito dele. Mas encorajou-me a afirmar-me através da linguagem e a servir-me dela contra os adultos. A fé no poder das palavras é uma característica da cultura judaica. Pergunto-me se, ao seguir o exemplo do meu pai, ao servir-me da linguagem em vez de mergulhar na música, como queria a minha mãe, não terei procurado salvá-lo dela e salvar-me a mim também. Não quero dizer que ela seja totalmente negativa: é muito inteligente, poderosa, impressionante. Sem ela o meu pai não teria sobrevivido". O pai de Elfriede Jelinek tem um fim dramático: morre enlouquecido, em 1968, num hospital psiquiátrico.

A partir do final dos anos 60 Elfriede Jelinek publica os seus primeiros textos e poemas, escreve para a rádio e recebe os seus primeiros prémios literários. Em 1970 surge o seu primeiro romance, "wir sind lockvogel baby!". É também no início da década de 70 que se casa com Gottfried Hungsberg, passando a viver entre Viena e Munique. Das suas novelas destacam-se "Die Liebhaberinnen" (1975), "Die Ausgesperrten" (1980) e "Die Klavierspielerin (1983, "A Pianista"), uma autobiografia que esteve na origem do filme de Michael Haneke, em 2001. Descrição alucinante das relações infernais entre mãe e filha, analisa de forma impiedosa a despersonalização de uma mulher em nome da música. Um romance perturbante e escandaloso. Não menos escandaloso foi o seu romance seguinte, "Lust", que surge em 1989. "Lust" é ao mesmo tempo o desejo, o gozo, o prazer, "o livro que sempre quis escrever", afirmaria a autora. Um texto pornográfico feminino, uma espécie de anti-história inspirada em George Bataille e Sade.

Tradução livre e adaptação de texto publicado em Lespetitsruisseaux.com.

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