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Córidon eBook

de André Gide
Livro eBook
Editor: Edições 70, maio de 2022 ‧
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Ebook para wook reader
Córidon é um ensaio dialogado, em moldes socráticos, no qual se defende a homossexualidade dos pontos de vista biológico, histórico-cultural e sociológico, sem descurar as suas implicações morais no contexto maioritariamente cristão e patriarcal que é o da Europa no início do século XX.
Os quatro diálogos que compõem o pequeno volume correspondem a quatro dias consecutivos de conversa entre Córidon e o narrador. De carácter céptico e pouco flexível em relação à homossexualidade, mas ainda assim curioso e, acima de tudo, saturado das intrigas que pululam nos salões a respeito de personalidades homossexuais que enchem de escândalo as páginas dos jornais, é este narrador quem toma a iniciativa de procurar Córidon, médico erudito, conhecido e assumido pederasta da alta sociedade parisiense, com quem frequentara o liceu dez anos antes, para que o esclareça em definitivo sobre a matéria: o que é a homossexualidade?, como e porque se é homossexual?, não se violam assim as leis da natureza?, e porque parece esta tendência, contranatura e obscena ter vindo a aumentar nos últimos anos?, com que consequências, senão a decadência moral da sociedade?

Córidon

de André Gide

Propriedade Descrição
ISBN: 9789724425788
Editor: Edições 70
Data de Lançamento: maio de 2022
Idioma: Português
Tipo de produto: eBook
Formato e Compatibilidade:
Classificação Temática: eBooks em Português > Literatura > Ficção
EAN: 9789724425788
Acessibilidade: Ver características de acessibilidade indicadas pelo editor

Marco na História da Literatura Queer

Vitória Sousa

Córidon presenteia o leitor com ensaios dialogados ricamente escritos. No entanto, o autor comete imperdoáveis erros de julgamento que denotam o quão datado este livro é. O principal exemplo disto é a desagradabilíssima discussão sobre as mulheres, que, segundo o autor, se revestem de “véus e adornos” para conduzir os homens a elas. Digno de nota, e apesar de o próprio autor ser claro quanto a esta questão, é também o enganador marketing feito em torno deste livro, que é apresentado como uma defesa da homossexualidade, quando, na realidade, apenas defende a homossexualidade entre homens, muitas vezes a custo da humilhação da mulher. Embora conceda que esta obra possui relevância histórica, e não deva, portanto, deixar de ser lida, a minha experiência de leitura foi parcamente sofrível.

SOBRE O AUTOR

André Gide

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1947

André Gide (1869-1951) é um dos escritores franceses mais importantes do século XX. Nascido no seio de uma família francesa protestante, Gide cresceu e foi educado sobretudo na Normandia, num grande isolamento social. Desde cedo começou a escrever, tendo publicado o seu primeiro romance em 1891.
Numa viagem ao Norte de África, foi surpreendido por um mundo de liberdade que, dada a sua educação, nunca antes imaginara, acabando por admitir a sua atração pelos corpos saudáveis de rapazes jovens.
Gide travou conhecimento com Oscar Wilde em Paris, em 1895. O autor de O Retrato de Dorian Gray julgou que lhe tinha revelado a sua homossexualidade, mas a avaliar pelos diários do escritor francês sabemos que nessa altura já tinha plena consciência da sua condição. O drama de Gide era, pois, a conciliação entre a sua rigorosa educação protestante com uma liberdade que sentia necessária para assumir a sua sexualidade.
Apesar de ser casado, Gide envolveu-se com um jovem e ambos fugiram para Inglaterra, o que lhe trouxe críticas tanto da França católica, como da França protestante. E se é certo que a sua obra é admirada e tem uma clara influência na formação de jovens escritores como Camus ou Sartre, sempre que Gide abordou a sua orientação sexual, a crítica com afinidades católicas e protestantes não lhe deu tréguas.
Como tradutor, introduziu as obras de Joseph Conrad em França. A sua atividade de crítico e escritor foi contínua, mas acrescentou-lhe uma vertente de defesa dos Direitos Humanos da qual é pioneiro. Por um breve período foi simpatizante dos ideais comunistas, mas, convidado a visitar e a discursar na União Soviética, regressou desiludido com a censura dos seus discursos e o estado geral da cultura no país.
Em 1939 tornou-se o primeiro escritor vivo a ser incluído na famosa coleção Bibliothèque de La Pléiade. Em 1947, recebeu o Nobel de Literatura.
Morreu em 1951. Um ano depois, a Igreja Católica Romana colocou as suas obras no Index Prohibitorum.
A ficção de Gide e os seus escritos autobiográficos estão traduzidos em mais de 40 línguas e o autor é hoje reconhecido não apenas pelo seu génio literário, mas também como uma das primeiras personalidades a assumirem a sua homossexualidade, discutindo abertamente a sua posição com a moralidade vigente.

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