Filipe Montalto
Filipe Elias Montalto, aliás, Elias Filoteu – efetivamente, é assim que o autor assina a Arquipatologia – é o nome adotado pelo cristão-novo Filipe Rodrigues após a sua adesão militante à religião judaica. Natural de Castelo Branco, onde nasceu em 1567, formou-se no ambiente humanístico-renascentista que moldava o ensino da Universidade de Salamanca, na qual fez a licenciatura em medicina, que exerceu até ao final da vida: em Portugal e seguidamente em Itália, para onde fugiu, por volta de 1600, no intuito de escapar à perseguição que, entre nós, era movida aos judeus. Em Florença, publicou um importante tratado médico-filosófico sobre oftalmologia: Optica intra philosophiae, & medicinae aream, de visu, de visus organo, et objecto theoriam. Daí rumou à corte parisiense, em 1612, a convite da regente, Maria de Médicis, na sequência do tratamento bem-sucedido de Leonor Galigai, aia e irmã de leite de Maria de Médicis. O ambiente da corte, aparentemente favorável "aos magos e astrólogos", não impediu Montalto de aí redigir a sua Arquipatologia, que é porventura a mais laica obra de psiquiatria do seu tempo". [da nota prévia, "Arte médica e inteligibilidade científica na Arquipatologia de Filipe Montalto", de Adelino Cardoso]
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