«Um Pequeno Diário de Viagem»
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17 de janeiro de 2020
Um Pequeno Diário de Viagem
Abrindo caminho por entre as gambas, angulas,
as merluzas que têm o gosto do Correio do Mar ao Dmingo
e as grandes quantidades de huevos que retiram dos
uniformes dos oficiais da Marinha Espanhola e põem em bandejas,
e chegamos à gre de Francia ao entardecer
com a minha tonelada de livros e a tonelada de roupas que John
comprou num desvario selvagem em Madrid; todas
numa mixórida como a vida é uma Loja de Sucata
de teatro
Abrindo caminho por entre as gambas, angulas,
as merluzas que têm o gosto do Correio do Mar ao Dmingo
e as grandes quantidades de huevos que retiram dos
uniformes dos oficiais da Marinha Espanhola e põem em bandejas,
e chegamos à gre de Francia ao entardecer
com a minha tonelada de livros e a tonelada de roupas que John
comprou num desvario selvagem em Madrid; todas
numa mixórida como a vida é uma Loja de Sucata
de teatro
disseram nada haver em Espanha para estrangeiros
e prosseguimos na nossa carruagem amável de 1ª classe, aos solavancos para noroeste, enquanto noutros compartimentos
Dietrich e Eric von Stroheim partilham uma sandes de chorizos
e uma garrafa de Vichy Catalan, na carruagem-restaurante
o cavalheiro viajante com bigode fininho e muitos
muitos anéis faz rodar o charuto e bebe Martini y
ginebra, e Lilian Gosh roda sibre os desfiladeiros
com uma lágrima no olho esquerdo da frente, comme Picasso,
noite dentro, noite dentro, longilínea
e governada por estrelas; lá no fundo os leitos dos rios parecem
uma língua de porco numa travessa, e tepestades rebentam sobre
San Sebastian, ondas de 40 pés encharcam-nos agradavelmente e vemos
um cão morto inchado como papada flutuando junto ao cais
empurrado suavemente para o mar
para Irun e Biarritz
vamos, ensopados de ansiedade, e aí pela primeira vez
desde a chegada a BArcelona posso cagar à vontade
e as ondas são tão grandes e o sol tão quente
e foi tudo construído ontem como tudo deveria ser
que país esplêndido este
cheio de indecisão e conhaque
e biquinis, sem plastiques (ugh! hurra!); vejo
a nuca de Bill Berkson, aux Deux Magots (awk!) brilha
como a lua por entre o fumo da Renfe à medida que passávamos
pelos túneis intermináveis e as paisagens de prata
da nossa demanda do rochedo de la Vierge e saplicos salgados
Frank O'Hara, Vinte e Cinco Poemas à Hora do Almoço
e prosseguimos na nossa carruagem amável de 1ª classe, aos solavancos para noroeste, enquanto noutros compartimentos
Dietrich e Eric von Stroheim partilham uma sandes de chorizos
e uma garrafa de Vichy Catalan, na carruagem-restaurante
o cavalheiro viajante com bigode fininho e muitos
muitos anéis faz rodar o charuto e bebe Martini y
ginebra, e Lilian Gosh roda sibre os desfiladeiros
com uma lágrima no olho esquerdo da frente, comme Picasso,
noite dentro, noite dentro, longilínea
e governada por estrelas; lá no fundo os leitos dos rios parecem
uma língua de porco numa travessa, e tepestades rebentam sobre
San Sebastian, ondas de 40 pés encharcam-nos agradavelmente e vemos
um cão morto inchado como papada flutuando junto ao cais
empurrado suavemente para o mar
para Irun e Biarritz
vamos, ensopados de ansiedade, e aí pela primeira vez
desde a chegada a BArcelona posso cagar à vontade
e as ondas são tão grandes e o sol tão quente
e foi tudo construído ontem como tudo deveria ser
que país esplêndido este
cheio de indecisão e conhaque
e biquinis, sem plastiques (ugh! hurra!); vejo
a nuca de Bill Berkson, aux Deux Magots (awk!) brilha
como a lua por entre o fumo da Renfe à medida que passávamos
pelos túneis intermináveis e as paisagens de prata
da nossa demanda do rochedo de la Vierge e saplicos salgados
Frank O'Hara, Vinte e Cinco Poemas à Hora do Almoço