«Trânsito de Sentido Único», de Rui Pires Cabral
Partilhar:
Uma cartografia do real urbano, melancólico, despressivo e inevitalvelmente deslumbrante como, de resto, o é toda a produção poética de Rui Pires Cabral.
17 de janeiro de 2020
[Trânsito de Sentido Único]
Ao nascer do Sol descemos à praça
por desfastio ou engano: a noite,
que parecia eterna, termina agora
com um intragável gosto a cinza,
a quase nada.
Ao nascer do Sol descemos à praça
por desfastio ou engano: a noite,
que parecia eterna, termina agora
com um intragável gosto a cinza,
a quase nada.
A experiência, o nosso obstáculo.
Nas janelas de um autocarro
os madrugadores de cara lavada
guardam o segredo de uma sorte
que nunca pudemos seguir.
Mesmo assim, enternecem-nos:
ao fim de décadas de solidão
e desastres, ainda acreditam
no mundo. E, vendo bem,
porque não?
os madrugadores de cara lavada
guardam o segredo de uma sorte
que nunca pudemos seguir.
Mesmo assim, enternecem-nos:
ao fim de décadas de solidão
e desastres, ainda acreditam
no mundo. E, vendo bem,
porque não?
A alternativa não é grande coisa.
Rui Pires Cabral, Morada