Stephen King: do papel para o écrã [com trailers]

Por Ana Bárbara Pedrosa
29 de outubro de 2024
É o autor mais adaptado do mundo para conteúdo audiovisual. Em termos de imagens – algumas monstruosas, outras engraçadas, outras bizarras –, Stephen King é um banquete. Banqueteemo-nos, então.
A Hora do Vampiro: Salem's Lot
Acaba de sair do forno, ainda cheira a câmara nova. E também cheira a mansão velha: Ben Mears volta a Jerusalem's Lot esperando que, ao entrar na Casa Marsten, se exorcizem os seus demónios. E é bem típico de Stephen King, aliar uma casa escura a alguém assombrado desde a infância. O leitor está em Salem's Lot, uma cidade na Nova Inglaterra onde tudo parece calmo, banal: há casinhas com ripas de madeira, há ruas cheias de árvores, há miúdos a brincar. Ora, num romance de King, já se sabe como é: quando tudo está calmo, é porque está à porta do apocalipse. E o apocalipse foi o desaparecimento de um rapaz. Aos poucos, Ben lá vai percebendo que a sua terra está rodeada por forças de tal força impensáveis que só podiam ter sido pensadas por Stephen King.

Data estreia/Plataforma: 3 de outubro/Max
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It: A Coisa
Mete tudo: os adultos avariados desde a infância, a mansão velha, a cidade aparentemente calma. E ainda por cima mete um palhaço. E que palhaço. O mais sinistro, o mais estranho. E o mais mal-intencionado. A Coisa tem dois volumes, cada um sobre o mesmo grupo de amigos, mas um pega na infância, outro na idade adulta. Os dois voltam-se para os medos de infância, estes que aparecem sem que se saiba porquê, mas massacram ao sair da escola: uma porta que vai dar não se sabe onde, um quarto escuro, um zumbido que vem do fundo, estar sozinho sem saber para onde fugir. E, claro, um palhaço. Pennywise, o tal tipo de nariz pintado, raptou um miúdo, aterrorizou vários. Os sete miúdos crescem e, depois de terem partido de Derry, no Maine, voltam – e o leitor volta com eles. Com os filmes, o espectador vai também.

Ano: 2017/Cinemas
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Misery
Quem tem uma Annie Wilkes na vida tem de ser bom escritor. E, sobretudo, tem de ter muito cuidado. Neste livro, neste filme, King, na verdade, safa qualquer romancista – eis a fórmula para resolver qualquer bloqueio de escritor. Basta ter uma psicopata a olhar para nós, pronta para nos estalar a laringe, caso não se escreva o livro que ela quer. Mas vamos ao enredo. Um homem já tinha o azar de ser escritor. A seguir, teve o azar de estar numa zona isolada. Depois, o azar de bater com o carro. E o azar de ser salvo por uma grande fã dos seus livros. E o azar maior de ela ter sido enfermeira (é gente que sabe mexer em utensílios). E o azar de ter decidido, num livro, levar uma personagem à morte que Annie Wilkes não queria. Portanto, sem outro remédio, que nós bem sabemos o que é lixarem-nos as personagens, a adorável Annie resolveu torturar o palerma do escritor até que ele acabasse de escrever o livro que ela queria.

Ano: 1990/Cinemas
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Samitério de Animais
Não é erro, é mesmo assim. Eu não dou erros. Mas um miúdo qualquer dá. E lá estamos de novo algures no Maine, desta vez numa casa grande ao lado de uma floresta. E estamos com o Louis Creed, que está todo contente, porque acha que tem tudo na vida, sem saber que, em breve, perderá tudo, até a vida. Casa, trabalho, filhos, etc. Está tudo em ordem. E ao lado de casa há um cemitério de animais, onde, durante gerações, várias crianças lá foram deixar o cãozinho ou o gatinho. Ao lado desse cemitério, há outro, que tem a força maligna a que King nos habituou. De repente, o gato da família começa a ter um comportamento estranho. Pouco depois, já não sabe bem o que é vida ou morte. E no final acaba tudo bem: como morrem todos, pelo menos temos a família reunida.

Ano: 2019/Cinemas
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Carrie
Foi o primeiro livro de Stephen King, já lá vão 50 anos. A vida de Carrie, convém dizer, não fazia inveja a ninguém: em casa, uma mãe fanática religiosa que a reprimia; na escola, miúdos que gozavam com ela e a azucrinavam e lhe moíam o juízo e lhe destruíam a autoestima. Em bruto, eis neste livro a maldade como coisa viscosa a vir das mãos de adolescentes. E essa coisa viscosa colou-se a sério, depois de um ato de maldade coletiva que mudou o destino às coisas – e que fez com que Carrie, que tanta coisa reprimida tinha dentro, tenha conseguido vomitá-la e tenha deixado de ser vítima. Ora, uma ex-vítima zangada consegue levar muita coisa à frente. Como a história passou para filme, dá para ver tudo isso a voar num matagal de terror.

Ano: Filme original: 1976; Remake: 2013/Cinemas
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Veja aqui o trailer de Carrie, 1976.

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