Somos o que comemos: dicas para uma rotina saudável

17 de janeiro de 2020
«Somos o que comemos». A frase, proferida por Hipócrates, pai da medicina, há mais de 2500 anos, continua a ser adequada e perfeitamente atual.

Todos sabemos que os alimentos que ingerimos são o «combustível» do nosso corpo, e quanto mais ricos os elementos que os compõem, melhor o nosso rendimento. Assim sendo, uma alimentação equilibrada, variada e nutritiva é o segredo (bem conhecido) para uma vida saudável e feliz. Este facto é ainda mais relevante quando falamos de crianças e jovens em idade escolar, cuja qualidade do tal «combustível» condiciona o crescimento e desenvolvimento das estruturas fundamentais do corpo humano (incluindo as faculdades neurológicas).

De acordo com a Associação Portuguesa de Nutricionista (APN), «os hábitos alimentares aprendidos durante a infância determinam os comportamentos alimentares na idade adulta», sendo que os pais e educadores desempenham um papel fundamental nesse processo.
Tal como na aprendizagem da matemática ou das línguas, a criança apreende através da observação e da repetição, bem como pelo exemplo dos adultos.
Marmita idealizada por Teresa D’Abreu, autora do livro Healthy Bites, em exclusivo para a Wook
A IMPORTÂNCIA DE UM BOM PEQUENO-ALMOÇO
Segundo a Catarina Trindade, nutricionista e fundadora do projeto de educação alimentar Todos Pra Mesa «setembro é também o mês para rever as escolhas alimentares e adaptarmos as rotinas alimentares das nossas crianças.» Com o regresso às aulas e rotinas pós-férias, a alimentação da família impõe-se como uma das tarefas do calendário (bem recheado) de responsabilidades dos progenitores. No entanto, dada a sua importância para a saúde física e intelectual de pequenos e graúdos, esta deverá assumir um lugar de destaque na dinâmica das famílias e no processo educacional das crianças. Segundo a especialista em nutrição infantil, tudo começa com o pequeno-almoço: «Sabemos que muitos miúdos acordam sem apetite, e que só têm fome 1 a 2 horas após acordar, mas também sabemos que as escolas não podem parar sempre que os miúdos tiverem fome para se alimentarem.» Assim sendo, Catarina relembra a importância de tomar o pequeno-almoço em casa, desde tenra idade, quando são apreendidos os hábitos e rotinas (que se esperam saudáveis).
A APN sugere, por isso, que se envolvam as crianças, sempre que possível no planeamento e preparação do pequeno-almoço, para desenvolverem desde cedo o gosto pela culinária e alimentação saudáveis. Mas o que é um pequeno-almoço saudável? Perguntam vocês e a WOOK responde, com a supervisão de Catarina, pois claro: para que tenha todos os nutrientes e vitaminas que precisamos, um pequeno-almoço completo deverá conter uma fonte de proteína (leite, iogurte, queijo magro, ovo), hidratos de carbono (pão ou cereais pobres em açúcar), e vitaminas e minerais provenientes da fruta (fresca, sempre que possível).
SEM DESCULPAS:
«UM PÃO COM QUEIJO E UMA MAÇÃ DEMORA DOIS MINUTOS A PREPARAR»
Outro momento fundamental a ser repensado, e que implica algum investimento de tempo por parte dos educadores, consiste na preparação dos lanches: «Sabemos que preparar lanches todos os dias é uma tarefa complexa para as famílias, e também sabemos que enviar nas lancheiras produtos processados parece muito mais simples», reflete a especialista. Contudo, não devemos esquecer que o «desgaste físico e intelectual das crianças exige que estas sejam nutridas da melhor forma», sendo que «não há problema nenhum num pão com queijo e uma maçã para o lanche de uma criança e, sejamos francos, demora cerca de 2 minutos a preparar».

Ainda sobre lanches, a WOOK sabe que as nossas crianças são cada vez mais exigentes e, para acrescentar às valiosas sugestões da nutricionista Catarina Trindade mais algumas opções, desafiámos Teresa D'Abreu, a cara por detrás do blogue e dos livros Healthy Bites, a desenvolver um menu de cinco lanches saudáveis e «cheios de vitaminas» que poderá consultar aqui no blogue Wookacontece.

Por último, mas não menos importante, o tão esperado jantar. Sobre este momento, a nutricionista Catarina Trindade acrescenta que «devemos equilibrar o dia alimentar nesta refeição», privilegiando os «métodos de confeção mais simples e promovendo o consumo de hortofrutícolas, através da sopa e saladas.» Para além de nutrir o corpo e a mente, o jantar também é uma oportunidade de convívio e partilha familiar, ao fim de um dia de labuta para todos.

A criança também deve ser apoiada a «ouvir» e conhecer o seu corpo, desenvolvendo o sentido de curiosidade sobre como este reage a determinados alimentos. Assim, esta conseguirá identificar quais os alimentos que não lhe fazem bem e naturalmente tenderá a evitá-los.

Como em tudo, o segredo é o equilíbrio: comer um pouco de tudo, privilegiando alimentos naturais, nutricionalmente equilibrados e que nos façam sentir bem. Afinal, somos wook comemos (e lemos, claro!)

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