Os livros como antídoto

Os livros (até) podem não ser considerados bens de primeira necessidade durante uma pandemia mundial como o coronavírus, mas o que é facto é que eles são a companhia e o reduto de muitos de nós, leitores ávidos.
Se é verdade que há encontre conforto a cozinhar ou numa curta caminhada ao ar livre (nós também, nós também!), há quem não dispense as páginas de um bom livro. E em altura de isolamento social, ainda mais.
A nossa proposta: encontre, no seu dia, pelo menos 30 minutos para se dedicar à leitura, num espaço confortável da sua casa e sem interrupções. Não precisa de ser sempre à mesma hora, mas faça-o todos os dias.
Eis uma lista para que possa arejar a mente, uma espécie de antídoto para estes dias:
OS LIVROS COMO ANTÍDOTO
imagem Embalando a Minha Biblioteca,
de Alberto Manguel
Há livros bonitos e, depois, há este.
As nossas bibliotecas são um repositório de nós mesmos: uma imagem do que fomos, do que nos apaixona e do que queremos ser (a temível pilha dos livros não lidos!).
Nesta obra premiada, Alberto Manguel faz um extraordinário e comovente obituário de uma biblioteca.
imagem Tempo de Silêncio,
de Patrick Leigh Fermor
«O mundo é um imenso livro do qual aqueles que nunca saem de casa leem apenas uma página».
Patrick Leigh Fermor não podia certamente adivinhar aquilo para que estávamos guardados, porque, mesmo não podendo sair de casa, há todo um mundo, cá dentro, à nossa espera. Mais um título da bonita coleção de literatura de viagem da Tinta da China.
imagem Factfulness,
de Hans Rosling
Acredite: as coisas estão melhor do que pensamos. Apesar de sermos os primeiros humanos a atravessar uma pandemia na era da informação, também somos, naturalmente, aqueles que estão mais bem preparados para a enfrentar.
Um livro fascinante e obrigatório em que Hans Rosling nos serve a estatística do progresso como se fosse terapia.
imagem Ensaio sobre a Cegueira,
de José Saramago
Não há lista que se preze sem um romance à altura. Até porque a ficção ajuda-nos muitas vezes a lidar com os nossos próprios medos e angústias. É o caso deste livro que voltou rapidamente aos tops de vendas.
E se, de repente, uma epidemia de cegueira se instalasse no nosso país? Numa narrativa única e brilhante, José Saramago mostra-nos como agem os humanos em situações de crise, o que de melhor e o de pior revelam.
imagem Manual para Mulheres de Limpeza,
de Lucia Berlin
Esta coletânea de contos, publicada postumamente, deu a Lucia Berlin o palco e os holofotes que merecia e uma série de prémios literários. São pedaços de vida real convulsa, verdadeiros diamantes literários sobre a vida de todos os dias. Mais do que uma leitura, uma experiência.
imagem Sapiens - História Breve da Humanidade,
de Yuval Noah Harari
Não nos cansamos de recomendar este livro.
Resumir a humanidade em algumas centenas de páginas é a proposta hérculea de Yuval Noah Harari, conceituado professor e historiador, que numa cuidadosa e profunda obra de divulgação científica nos mostra os saltos evolutivos da Humanidade. E, com isso, uma grande verdade: não podemos dar nada como certo.
Se ainda não leu este livro, por favor, trate já disso. Terá muito tempo para nos agradecer. :)
imagem The Recipe,
de Josh Emett
Agora que estamos permanentemente em casa, temos tempo para cozinhar. Faça com que valha a pena!
Josh Emett traz-nos uma compilação das melhores receitas dos grandes chefs mundiais dos últimos 50 anos.
Em suma: são mais de 500 páginas de puro deleite.
imagem Aqui Estamos Nós,
de Oliver Jeffers
Um livro escrito pelo inconfundível Oliver Jeffers nos primeiros dois meses de vida do seu filho, em que o autor reflete sobre a paternidade e o nosso lugar no mundo. Um hino à vida, para miúdos e graúdos, recheado de ilustrações sublimes que lhe valeram o Prémio Design Book Award 2018.
imagem One Line a Day - A Five Year Memory Book O desafio é muito simples: todos os dias tem de escrever uma frase.
Pode ser uma emoção, um resumo do dia, um acontecimento especial. Esta bonita edição em capa dura permite-lhe revisitar, mais tarde, todos os pensamentos e memórias registadas ao longo de cinco anos. E, em boa verdade, os dias que vivemos hoje hão-de constar nos livros.
Quem diria para o que estávamos guardados...

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