Nem tudo tem de ser claro…
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23 de outubro de 2024
João Luís Barreto Guimarães, um dos mais premiados poetas portugueses, brinda-nos neste outono com Claridade, um livro de poemas inéditos que filtram a luminosidade através do pulsar dos dias, banhados a melancolia e brilho.
Nem tudo tem de ser claro
Já vi
troncos de árvore a abraçar com a pele
coisas somente encostadas (grades
bicicletas
escadas). Já vi buracos de bala
(à porta de
ministérios) a ser ninho
na Primavera. Nem tudo tem de ser claro.
Nem tudo precisa de ser
exactamente
aquilo que foi desenhado. É
o que a manhã trará o
que mais nos inquieta (se o
tempo rouba em beleza o que desenvolve
em bondade) e
até a calma dos rios esconde em si
cruéis
naufrágios.
Inverno em Turku
a Tarja Härkönen
A
noite é automática. Já vem da origem
assim. Não faz falta
um de nós ficar
acordado à vez com a prosaica tarefa
de fechar a porta à cidade
(acender
a luz da lua) somar um
ao calendário. Tudo isso é automático. Chegado
o momento exacto é
a noite que
acende o escuro (e o tempo
o melhor
demiurgo :) a
meia de lã suspensa no rebordo da lareira
recebe outro par de meias
como prenda
de Natal.
Nem tudo tem de ser claro
Já vi
troncos de árvore a abraçar com a pele
coisas somente encostadas (grades
bicicletas
escadas). Já vi buracos de bala
(à porta de
ministérios) a ser ninho
na Primavera. Nem tudo tem de ser claro.
Nem tudo precisa de ser
exactamente
aquilo que foi desenhado. É
o que a manhã trará o
que mais nos inquieta (se o
tempo rouba em beleza o que desenvolve
em bondade) e
até a calma dos rios esconde em si
cruéis
naufrágios.
Inverno em Turku
a Tarja Härkönen
A
noite é automática. Já vem da origem
assim. Não faz falta
um de nós ficar
acordado à vez com a prosaica tarefa
de fechar a porta à cidade
(acender
a luz da lua) somar um
ao calendário. Tudo isso é automático. Chegado
o momento exacto é
a noite que
acende o escuro (e o tempo
o melhor
demiurgo :) a
meia de lã suspensa no rebordo da lareira
recebe outro par de meias
como prenda
de Natal.