Livros que alertam para o problema das drogas

Por Ana Bárbara Pedrosa
5 de dezembro de 2023
Não é que alertem – mostram. E só por se ver já se fica alertado. Ler pode ser um vício – e ler sobre o vício pode ser aterrador.
A Lua de Joana
Em criança, li este livro dezenas de vezes, e cada leitura foi um susto. Maria Teresa Maia Gonzalez, partindo do quarto de Joana, conseguiu assustar gerações inteiras. Através do diário da menina, os pequenos leitores viam uma vida destruída pelas drogas. Aliás, não uma, mas várias: a melhor amiga de Joana tinha morrido depois de ter sucumbido às substâncias, os pais transformaram-se em fantasmas, e ela sobreviveu com a incompreensão. Primeiro, como expectável, só sente horror por drogas que lhe levaram a amiga; a seguir, vai começando a sentir um certo apelo. Claro que a coisa acaba sempre por dar para o torto. Finda a leitura, fecha-se o livro pensando que a vida podia ter acontecido de outra forma, e que se podiam ter safado filhas e pais. Bastava, para isso, não se ter sequer experimentado – logo naquela fase em que era tão fácil dizer não.
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Os filhos da droga
É um testemunho e impressiona até os mais gélidos. Aliás, não foi à toa que teve um impacto tão pungente em todo o mundo. Não deve haver adolescente leitor que não lhe tenha posto a mão. Aqui, temos a história de uma adolescente a quem a droga estragou a vida. Um dia, fumou um charro; menos de dois anos depois, prostituía-se depois das aulas para pagar uma dose de heroína. É uma porta aberta para o mundo do vício, e para a forma como este se impõe a qualquer coisa, comandando a vida, sendo ainda uma porta para a forma como o desespero apaga qualquer luz que haja por dentro. E, claro, põe ainda luz sobre a forma como o vício faz com que a coisa que vicia pareça a esperança, a única redenção possível, a única coisa boa no meio de tanto mundo – como se carrasco e salvador fossem o mesmo.
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Junky
O nome diz tudo. Burroughs notabilizou-se pela sua escrita pungente, viciante, espantosamente sóbria. No seu cerne, não raras vezes, havia o vício. Aqui, temos um relato do submundo dos Estados Unidos do pós-guerra. E, ao fazê-lo, o autor vai sem pó de arroz, não tentando mascarar a sua toxicodependência. A escrita, voraz, mostra a voracidade daquela vida, um corpo comandado por substâncias, uma consciência que ia deambulando. Há muito humor negro lá no meio, mas este não consegue ocultar a vida agonizante. Ali, a vida aparece como um ciclo frustrante: dependência, cura e recaída. E as drogas vêm em formato cocktail: morfina, cocaína, heroína, medicamentos. Do relato daquele homem viciado, vêem-se os Estados Unidos inteiros.
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O inocente
Aqui temos Ron Williamson, que estava destinado a ser uma espécie de Cristiano Ronaldo. Ia ser o maior atleta, o maior deus do desporto. Pelo menos, na cidade de Ada, Oklahoma, ninguém duvidava disso. Anos depois, aos crentes só restava cogitar o que teria acontecido se o Ron não se tivesse metido a meter álcool e drogas para o corpo. Ia no percurso da fama e enganou-se no caminho. Em vez de um batido de whey de baunilha, foi um copo num bar, e depois a vida deu para o torto, e com isso os sonhos morreram. Aquilo a que se destinava morreu também. Não sendo necessariamente sobre as drogas, o livro vai mostrando o que pode acontecer a alguém que acaba por trocar a vida pela ilusão de um prazer imediato. Por acaso, esse alguém vê-se numa investigação policial devido ao aparecimento de uma mulher morta perto da sua casa.
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