Livros para conhecer o Médio Oriente
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9 de agosto de 2023
Sou uma alma simples: apaixonei-me pela Palestina só porque a minha avó foi lá. Muitos anos depois, ainda dei por mim em frente ao Muro das Lamentações em busca dos passos dela. Avó e neta não querem mais ninguém, mas quem escreveu os seguintes livros será mais generoso.
Palestina – Uma Biografia
E eis a generosidade de quem dá a vida toda de um país. Claro que Jerusalém terá um papel central, mas a coisa vai mais longe. Rashid Khalidi, historiador do Médio Oriente, começa o livro escrevendo sobre a guerra travada contra o povo palestiniano. Com isso, cita o seu tio-avô, ex-presidente da Câmara de Jerusalém, que, em 1899, escreveu a Theodor Herzl, fundador do movimento sionista: «Em nome de Deus, que a Palestina seja deixada em paz.» A história da Palestina tem muito sangue, muita emoção e muita luta, e Khalidi mergulhou nisso com os recursos de quem investiga a História: usou eventos históricos e materiais de arquivo e acrescentou-lhes um olhar acutilante e uma capacidade rara de concatenar elementos.
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Uma História Laica do Médio Oriente
Mas nem tudo é religião no berço das três maiores religiões monoteístas. Os conflitos têm levado a muita guerra e a muito fanatismo, assim como a muita peregrinação e obsessão. Daí que o Médio Oriente ocupe um lugar central na História e na compreensão do mundo. Simbólico para demasiada gente, tem um terreno que leva a que, demasiadas vezes, mito e realidade sejam encarados como o mesmo. Nisto, Jean-Pierre Filiu fez o seu trabalho, e investigou ao estilo laico: em vez da crença, a vida. E eis então a história de 1500 anos, partindo de 385, ano em que foi fundado o Império Romano do Oriente. Da Meca pagã ao califado de Bagdade, da batalha pela Síria à queda de Bizâncio, da Era das Tulipas à guerra da Crimeia, da fundação de Israel à revolução islâmica, tudo sabe a manual de História — e, ao mesmo tempo, a romance de aventuras.
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100 Mitos Sobre o Médio Oriente
Por falar em mito, seguem cem. No meio de tanta literatura, é fácil que qualquer incauto se meta ao engano – ao leitor, é exigido um filtro sobre um filtro. Ou então usa um atalho e lê este livro de Fred Halliday, que já fez o trabalho de sapa. Aqui, temos o mito em torno de um facto, regra geral apresentado na mesma superfície que um facto. Separando o trigo do joio, Halliday distingue e interpreta. Finda a leitura, em frente ao leitor está mesmo um livro aberto, e com este está o mundo: a crise israelo-palestiniana, a guerra entre o Irão e o Iraque, as incursões dos EUA no Golfo Pérsico. Nem o conflito entre o Afeganistão e a União Soviética escapa. No meio de tanta informação em catadupa, não é coisa pouca que a narrativa seja escorreita e que o livro se leia entre a curiosidade e a pura excitação.
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O Egipto e Outros Textos sobre o Médio Oriente
E terminamos com prata da casa. Em 1869, lá foi Eça de Queiroz para Alexandria. Nessa altura, as viagens eram feitas com um estilo que já não é permitido à literatura de hoje em dia. Quem é que, em 2023, tomaria em Gibraltar o paquete inglês Delly, da rota da Índia? Já ninguém sabe bem o que é um paquete. O que é certo é que, com um amigo, Eça chegou a Alexandria a 5 de novembro. Dois dias depois, lá estavam eles no Cairo. Foi à grande e à egípcia: instalados no Hotel Stepheard's, o mais reputado do Cairo na altura, e isto apesar de nem ter wifi gratuito, os dois foram aos monumentos que atraem os turistas. Hoje, já não há o mesmo paquete e já não há o mesmo hotel, embora, felizmente, consigamos ter outros, e com Internet ilimitada. Mas os monumentos resistem ao tempo, aos barcos e aos escritores e, por isso, ainda lá estão. Antes de ir vê-los, ainda é possível lê-los.
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