LIVRO DO MÊS: ESSA GENTE

Um romance em forma de diário, uma tragicomédia urgente. Poder-se-ia definir assim Essa Gente, o mais recente romance de Chico Buarque.

Manuel Duarte é um escritor decadente que enfrenta um deserto criativo e emocional num Rio de Janeiro cujas feridas são, também, demasiado evidentes. Autor de mais de uma dezena de livros, entre eles, um bestseller icónico a que deu o título O Eunuco do Paço Real, publicado em 2000, Duarte amarga agora um pesaroso fim de carreira, sem inspiração, com dívidas e só: «Afirmo que não ponho mais os pés na rua, nem para procurar mulher. (…) Só que hoje, agora, aqui com os dedos no teclado, não quero saber nem daquelas que relembro, querendo ou não, nas vigílias do vício solitário.»

Nesta sucessão de textos curtos, pequenos fragmentos em que se combinam factos reais com delírio, imaginação e sonho com uma boa dose de sátira, Chico Buarque foi capaz de resumir um país em apenas 200 páginas.
O mínimo espaço, o máximo efeito.

Foi em Paris, após pedir um visto de residência de longa duração, que escreveu, com tamanha urgência quanto a última data do derradeiro texto do romance aponta - setembro de 2019 -, este que é o seu sexto romance.
Uma clara crítica ao estado de deriva de um país onde a «cultura de ódio se espalhou de forma impressionante.»

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Chico Buarque venceu, em 2019, o Prémio Camões, a mais alta distinção das Letras em Língua Portuguesa.
Chico Buarque lê um excerto de Essa Gente

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