Ler para escrever
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@literacidades
29 de janeiro de 2024
Isto de se escrever tem que se lhe diga. Não é coisa que comece assim sem mais nem menos, nem nos podemos fiar na inspiração e no talento. Nada como ler, ler muito. E ler também o que escrevem os melhores sobre a escrita.
Elogio da Literatura
Se há coisa de que um escritor de ficção precisa é de imaginação. Nem que escreva sobre situações e factos reais, há sempre o território da imaginação na escrita, na organização da narrativa, na forma como se apresenta aos leitores. E, por isso, nunca é demais treinarmos a imaginação. É isso mesmo que propõe Frye, sendo que o exercício dessa mesma imaginação ajudará o escritor na sua arte mas também na sua vida. A ideia de que a leitura é a melhor forma de exercitar a imaginação volta a sublinhar a importância de um escritor ser sobretudo um leitor.
Manual de Sobrevivência de um Escritor
Uma autêntica Bíblia para conseguir sair vivo disto que é escrever um livro. Não se espere dicas de escrita criativa, nada disso. Este é um manual muito conciso para ti, que queres ser escritor e, utopia das utopias, viver da escrita. Se, no fim, não te sentires desmotivado, então é porque tens em ti a força suficiente para enfrentar o que por aí vem. É um livro muito prático, com indicações sobre como lidar com editoras, revisores, críticas e traduções. João Tordo, autor com vinte títulos, guia-nos pelo processo, entre o que queríamos e o que não queríamos saber, mas que temos mesmo de ouvir.
Escrever
Se, desta lista, decidirem ler apenas um livro sobre escrita, que seja este. Stephen King, o rei do terror e do suspense, vem ganhando, nos últimos anos, cada vez mais o respeito dos leitores mais exigentes. Nós, que o lemos desde crianças, ficamos surpresos, mas felizes com esta nova forma de olhar para o autor. E que não seja uma moda, porque ele bem merece este reconhecimento. Aqui, King versa sobre a escrita partindo da sua própria experiência, que é vasta, percorrendo todo o processo, desde a ideia até à formação dos intrincados enredos e das personagens. Além disso, lê-se de forma entusiasmada, encerrando com a conclusão de que a escrita é o que, tantas vezes, mantém vivo um escritor.
A Arte de Saber Escrever
Escrever é, em primeiro lugar, comunicar. E, para o fazer bem, há que seguir determinadas técnicas que vão fazer com que aquilo que escrevemos chegue ao leitor da forma planeada. Escrever sem erros, ter um estilo coerente ao longo da narrativa, evitar usos errados de determinadas expressões ou saber os princípios de redação de um texto são alguns dos pontos focados neste livro, que é um autêntico fenómeno internacional. Na nossa opinião, um dos pontos que o torna fascinante é a concisão com que o faz, sem floreados, indo direto ao ponto, com o objetivo de melhorar a escrita. Vírgulas, parágrafos, orações e advérbios, mas também considerações sobre tom e clareza. Um manual imprescindível.
Seis passeios pelo bosque da ficção
Terminamos com Umberto Eco, pois claro. Uma figura incontornável na escrita de ficção, mas também nos seus ensaios, como é o caso deste. Aqui, o autor de O Nome da Rosa acompanha-nos por uma viagem onde percorremos o método, os passos, as técnicas da escrita de ficção. Caminhamos com Eco pelos exemplos de outros grandes autores, observando a forma como saíram de si próprios, não perdendo, contudo, a sua voz, para criar nos seus escritos uma versão de si próprios. O objetivo do autor é o de trazer alguma luz ao bosque denso da escrita. Luz que será útil tanto ao leitor, quanto ao escritor.
Sobre a Leitura
Aqui estamos noutra dimensão, a da leitura. Para um escritor, é fundamental ler. Ler muito, ler de tudo, desde tenra idade, aproveitar cada espaço de tempo para se entregar às letras. Proust eleva a leitura a um ato de transformação da pessoa, a quem entrega mundo. A leitura enquanto dimensão de reflexão, de meio para chegar a um ponto em que seremos pessoas diferentes porque lemos. Através dos livros, segundo Proust, chegamos a lugares inatingíveis de outra forma, através de um processo de interiorização e silêncio, onde estamos em busca de um tempo que não daremos como perdido.
Cartas a um jovem escritor
Sair da nossa realidade, olhar à volta, ver o que se passa no mundo, com os outros. Este parece ser um conselho essencial do autor a quem quer escrever. O autor deve enamorar-se do seu objeto de escrita, sentir-se fascinado pela história, pelas personagens, para que o livro lhe saia com alma. McCann aconselha os jovens escritores a aprenderem bem as regras de escrita, de relação com os agentes literários e com a língua. Que saibam tudo muito bem, mas que depois quebrem as normas, encontrem uma voz própria e façam algo novo. Aqui há dicas práticas, mas há também uma dimensão mais estrutural, onde são abordados determinados problemas e questões que poderão assolar as almas dos jovens escritores.